Em 2006, Angola, por exemplo, foi aceite na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), tendo mesmo presidido a Organização em 2009 no quadro da presidência rotativa, e participou na Cimeira do G8 no mesmo ano pela primeira vez.
Já em 2011, nove anos depois do alcance da paz, Angola assumiu a presidência do Grupo Económico Regional da SADC e desde esta fase ampliou a sua rede de contactos com outros países com os quais tem bons laços na cooperação em vários domínios.
Um destes Estados é a Índia, que vem reforçando a cooperação em áreas como a agricultura, indústria, saúde, formação de quadros, tecnologia e no sector farmacêutico, no âmbito da formalização da comissão bilateral entre os dois governos.
De acordo com dados, aquele gigante asiático quer tornar-se no maior parceiro de Angola em África com o aumento de uma linha de crédito instituída para estabelecer parcerias comerciais entre os dois países, que favoreçam os vários sectores que integram o Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017.
As relações económicas entre Angola e a Índia cresceram de forma significativa nos últimos cinco anos, a uma taxa de 10,6 por cento, colocando o país como o segundo maior fornecedor de petróleo à Índia, depois da Nigéria a nível da África Subsariana.
As companhias indianas demonstram grande interesse em exportar o gás natural, que vai permitir reforçar ainda mais a cooperação no sector da energia.

Trocas comerciais

Segundo dados da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia, as trocas comerciais entre os dois países atingiram em 2012 -2013, o valor de sete mil milhões e 646 milhões de dólares (cerca de 765 mil milhões de kwanzas), acima do período 2007-2008, que se fixou em mil milhões e 286 milhões de dólares (129 mil milhões de kwanzas).
Entre Abril e Dezembro de 2013, as trocas atingiram os quatro mil milhões e 658 milhões de dólares, o equivalente a 465 mil milhões de kwanzas. As previsões são de que, no período de 2016-2017, as trocas comerciais possam chegar aos 10,5 mil milhões de dolares norte-americanos.
Apesar do actual contexto macroeconomico, existe um grande potencial da Índia em melhorar as relações com Angola no sector farmacêutico, de processamento de alimentos, bens de consumo, tecnologias de informação, transportes e infra-estruturas, em função da sua experiencia.

Presença indiana

No país, existe uma comunidade com número superior a seis mil indianos, dos quais mil e 500 trabalham no projecto Angola LNG e mil e 200 nos sectores da construção, sobretudo na Fábrica de Cimento do Sumbe, no Cuanza Sul. O projecto Catoca, na provincia da Lunda Sul, possui um certo numero aproximado de expatriados indianos ligados aos diamanetes.
No sector dos transportes, aquele país aumentou a sua linha de crédito com o objectivo de investir nos projectos de reabilitação dos Caminhos-de-Ferro e fornecimento de produtos para a agricultura, como tractores e outras máquinas. As relações dos dois países resultam de um acordo de cooperação, rubricado em 04 de Outubro de 1986, versado para os domínios da economia, técnica, ciência e cultura.

Exportação e importação

No âmbito da parceria conjunta, os principais produtos de exportação para Angola têm sido sobretudo tractores, veículos, maquinaria e implementos agrícolas, produtos farmacêuticos e de cosmético.
De igual modo, incluem chá, arroz, bebidas espirituosas e outras, couro acabado, papel e produtos madeireiros, bem como produtos derivados do petróleo. A principal importação da Índia proveniente de Angola é o petróleo.
“Angola é um dos países africanos que mais oferecem oportunidades de negócios e interessa aos empresários indianos”, atesta um estudo da Federação das Câmaras da índia.
No âmbito da formação de quadros, são atribuídas 46 bolsas/ano para estudantes angolanos, número que deve ser alargado nos proximos anos.