O sector da Indústria está determinado em dar resposta aos constrangimentos verificados durante o período em que se registou processos burocráticos e outros condicionantes relacionados com o ambiente de negócios.
A afirmação é da titular da pasta, Bernarda Martins, quando discursava na abertura da 3ª edição da Expo-Indústria e 15ª da Projekta, que decorre em simultâneo na Zona Económica Especial Luanda/Bengo (ZEELB), tendo destacado que, tudo está a ser gizado para que o sector possa contribuir para o alargamento da base produtiva, desenvolvimento de uma indústria moderna, inovadora,
competitiva e sustentável.
Para a governante, estes pressupostos darão “resposta à procura dos consumidores angolanos e contribua para a inserção progressiva do país no mercado regional e mundial”, em cooperação estreita com as associações empresariais.

Contribuição no PIB
Durante o seu pronunciamento, Bernarda Martins, recorreu as recomendações da Agenda 2030 das Nações Unidas que preconiza que as economias atinjam níveis elevados de produtividade, através da modernização tecnológica e inovação, aumentando a participação da indústria no emprego e no Produto Interno Bruto.
“Só assim se garantirá um crescimento económico inclusivo e sustentável, a erradicação da fome, a segurança alimentar e a manutenção de padrões de consumo e de produção”, disse.
Dados a que o JE teve acesso, indicam que antes de 2014, altura em que se começou a se registar uma queda abrupta do preço do petróleo nos mercados internacionais, gerando uma crise económica, a previsão é de que o sector industrial do país deveria crescer 11,2 por cento em 2015, contra os 10 registados em 2014.
Até 2014, o crescimento médio dos anos rondava nos 8,7 por cento, sendo que a participação do sector no PIB tem se situado nos 6,5 ao ano.

Aposta no crescimento
A diversificação da economia é uma das áreas de eleição do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2018/2022), tendo como foco a criação de alternativas para a sustentabilidade do tecido produtivo.
No seu pronunciamento, a ministra da Indústria assinalou que a intenção é de fomentar as exportações, medida que vai ajudar a contribuir para a diminuição do défice da balança comercial e da necessidade de divisas.
“Estas políticas têm de ser baseadas na valorização dos recursos naturais endógenos, com a estruturação das actividades económicas em fileiras e clusters, tendo em vista criar um tecido industrial baseado em recursos nacionais como já era reconhecido na estratégia de longo prazo Angola 2025”, sustentou.
Bernarda Martins revelou que o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI), que visa acelerar o fomento da produção e das fileiras exportadoras em sectores não petrolíferos e em forte potencial de substituição de importações.
“A chave para o desenvolvimento da indústria transformadora angolana se baseia na utilização progressiva de recursos naturais nacionais, permitindo o adensamento das cadeias produtivas e, em consequência, da criação de valor acrescentado nas produções industriais”, sublinhou.
No PDN, o Governo se propõe a garantir a cobertura das necessidades domésticas, onde por exemplo, no sabão passar de 31 por cento para 65, açúcar (19 para 64), farinha de milho (13 para 44), de trigo (0 para 64), leite pasteurizado (10 para 43), massas alimentares (0 para 73), sumos, refrigerantes e cerveja (100) e nos transformados de carne (4 para 13).
No segmento da construção civil, a iniciativa é de atingir no cimento a produção de 100 por cento, Varão de aço (60 para 92) e tubo de aço (54 para 61).

Feira conjunta
A exposição que decorre sob o lema “Crescer, a fazer Crescer” conta com um investimento de 250 milhões de kwanzas, e congrega mais 200 expositores dos sectores da agro-pecuária, construção civil, bebidas, artesanato, cimento, madeira, petróleo, gás, pedras naturais, energia alternativa, paisagismo, meio ambiente, entre outros ramos da indústria transformadora.
Nos ano passada, a Baía de Luanda acolheu a 14ª edição da Feira Internacional de Equipamentos e Serviços para a Construção Civil, Obras Públicas, Urbanismo e Arquitectura de Angola (Projekta) que decorreu sob o lema “Projectar o futuro, construindo o presente”.
O evento tinha juntado cerca de 100 expositores, numa área de cinco mil metros quadrados.

Pólos fortalecem
a economia

O Executivo angolano prevê como acção prioritária a implementação dos Pólos de Desenvolvimento Industriais, pelos menos um em cada província, e de parques industriais rurais.
Segundo sublinhou a ministra da Indústria, Bernarda Martins, o projecto está enquadrado no Programa de Fomento da Indústria Rural (PROFIR), tendo como objectivo principal o surgimento de centros de formação técnica especializada direccionados às necessidades do sector.
A iniciativa visa promover o associativismo sectorial e a realização de estudos sobre oportunidades de exportação para a indústria angolana, bem como” promover a melhoria do ambiente de negócios e a consideração dos sectores prioritários da indústria angolana nos instrumentos de apoio ao financiamento empresarial, assim como promover a protecção da indústria nacional”.
“Ainda dentro deste ano vamos assistir ao lançamento dos primeiros concursos em busca de parcerias público-privadas, para infra-estruturação dos pólos industriais”, informou.

Projectos estruturantes
A rede nacional de pólos de desenvolvimento industrial conta com 18 Pólos, dos quais dois em pleno funcionamento, Viana, na província de Luanda e Catumbela (Benguela), além dos parques de industria rural.
Estes projectos estruturantes estão a ser desenvolvidos no quadro das acções do programa de industrialização 2013/2017, que já fez estudos profundos sobre o adesamento das cadeias produtivas cujas conclusões serão “a seu tempo, colocadas a debate com associações empresarias para a conclusão dos trabalhos relativos à elaboração do programa de industrialização 2018/2022, incorporando todas as políticas”.