O director provincial da Indústria, Geologia e Minas, Emanuel de Sousa, declarou que a província do Kwanza-Norte tem todos os recursos básicos necessários para receber novos projectos de investimento no ramo industrial.

“Temos as infra-estruturas fundamentais que uma indústria precisa, nomeadamente, água, energia, estradas nacionais e caminho-de-ferro. Na minha óptica, estas condições são a pedra basilar para quem quer montar uma indústria, com a vantagem adicional de estarmos a apenas duas horas de viagem do grande centro de consumo que é Luanda”, referiu.

Segundo Emanuel de Sousa, a estratégia de desenvolvimento industrial da província passa pelo arranque dos dois pólos industriais que estão previstos para a província, nomeadamente o pólo de Cambambe e o de Lucala. Este último, que está localizado a 36 quilómetros a Leste de Ndalatando, já se encontra em fase de construção, sendo que a sua inauguração acontecerá dentro de dois ou três anos.

No passado, a província tinha uma excelente indústria cervejeira, fábrica de têxteis, algodoeiras, fábrica de produção de água mineral, cerâmica e pequenas unidades de produção de óleo de palma e de tratamento de café (torrefacção e ensaque), etc. Hoje, no sector cervejeiro resta apenas a fábrica Eka, sendo que outras unidades de referência encontram-se paralisadas ou em vias de reabilitação, como é o caso da Vinalo, da Satec e da fábrica de produção de bebidas e frutas enlatadas. Neste momento, funcionam na província cerca de 140 unidades industriais de pequeno porte.

Entretanto, para reactivar o tecido industrial e voltar aos tempos áureos, em Cambambe está a surgir uma grande fábrica de farinha e óleo alimentar pertencente à empresa Rogério Leal. Está também aprovado a nível da ANIP (Agência Nacional para o Investimento Privado) um acordo de investimento com a empresa Sumol-Compal para construção no Dondo de uma fábrica de refrigerantes da referida marca.

Há empresas privadas que deram entrada de projectos no Ministério da Indústria para implementação de indústrias de óleo de palma, de transformação,  torrefacção de café e produção de detergentes. Mas, um dos maiores projectos industriais da região tem a ver com a exploração do ferro e manganês numa iniciativa conjunta entre a empresa privada Aemr e a Ferrangol, que detém 20 por cento do empreendimento.

A província do Kwanza-Norte tem ainda muitos recursos minerais inexplorados, como a cal, o calcário, o clinquer que é a principal matéria-prima no fabrico de cimento, rochas como o granito, mármore, xisto, etc.

Sector energético
Por sua vez, Joaquim Jerónimo, director provincial da Energia e Águas, sublinhou que sem energia não se pode concretizar os grandes projectos estruturantes e consequentemente não se atinge o desenvolvimento, razão pela qual lembrou que o Executivo está a implementar na província o projecto Laúca, que será o maior do país com uma capacidade quatro vezes superior a barragem de Capanda.

Para suportar a demanda energética dos investimentos, o sector está a executar vários projectos entre os quais se destacam o aproveitamento da linha que alimenta o Dondo a partir de Cambambe num ponto de 30 mil quilowatts e outro ponto junto a fábrica de tecido Satec.

“Também vamos instalar mais 12 postos de transformação. Alguns ramais estão a ser melhorados para fornecer energia aos pólos industriais. No Lucala, por exemplo, já existem ramais de média tensão feitos e está previsto o aumento de potência na subestação e transformadores de Lucala e Cambambe”, afirmou
Joaquim Jerónimo.