A ministra da Indústria, Bernarda Martins, admitiu ontem, em Luanda, que muitos projectos de investimento privado no sector transformador não funcionam na sua plenitude porque encontram grandes dificuldades na sua implementação por falta de divisas e matéria-prima.
Por essa razão, a titular da pasta da indústria disse que este ano o sector captou investimento na ordem dos 180 milhões dólares, contra os 185 registado em 2016. “Mas vamos contunuar a garantir todo apoio necessário aos empresários para fortalecer o sector industrial e alavancar a nossa economia”, acrescentou.    
Bernarda Martins avançou esta informação no final da assinatura de nove contratos de investimento privado avaliados em mais 28 milhões de dólares norte-americanos, realizados através da Unidade Técnica de Apoio ao Investimento Privado (Utaip).
Os projectos foram rubricados pelo director da Utaip, Miguel Luís com investidores nacionais e estrangeiros. Os mesmos enquadram-se nos sub-sectores de bens alimentares, indústria do papel, cartão e os seus artigos, mobiliário e fabricação de produtos químicos.
A ministra explicou igualmente que deste valor, cerca de 23 milhões, representam investimento nacional na ordem dos  84,3 por cento. Dos nove projectos aprovados, sete serão implementados na capital do país e dois na província do Uíge. Numa primeira fase estes poderão criar 355 postos de trabalhos, dos quais 307 para quadros nacionais.  

Projectos rubricados
Dos projectos assinados destacam-se a “Alba da Vida” que vai instalar no município de Cacuaco uma fábrica para produção de massa alimentar, que vai produzir em média mil e 373 toneladas por ano. O investimento para esta unidade fabril será um milhão de dólares e pode gerar 23 postos de trabalho.  
A  Atlas Timber Company aplicou igualmente um milhão de dólares numa fábrica de mobiliário, com uma capacidade de produção média anual de 970 unidades de produtos derivados de madeira.   
Já a empresa Nahele prevê produzir anualmente no pólo industrial de Viana onze mil e 100 toneladas de chapas de zinco, 12 mil de chapas caneladas e 19.5 toneladas de tubos. O projecto vai criar 70 novos postos de trabalhos.
Neste contexto, o ministério da indústria entende que os investimentos rubricados estão em conformidade com a nova política de investimento privado e respodem aos vários objectivos identificados no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2013-217).

Falha na execução
Numa entrevista recente concedida ao JE, o presidente da Associação dos Empreendedores de Angola (AEA), Jorge Baptista, afirma que o PND foi bem gizado, mas falha na sua implementação.
Na sua visão, hoje a realidade do sector é a falta de quase tudo, desde matéria-prima a quadros expatriados, que se ausentam do país; pelo que só a indústria de bebida está a consolidar a sua posição, enquanto os outros, diz o empresário, vivem dias piores. “É preciso reinventar o sector e adoptar uma visão coerente”, afirma.