A inflação constitui o principal obstáculo que tem reduzido o poder de compra das famílias e consequentemente o encarecimento dos 13 produtos que compõe a sesta básica nacional.
As políticas contraccionistas do BNA aplicadas com o objectivo de travar o fenómeno inflacionista tem surtido alguns efeitos, o que tem se reflectido na redução dos preços de alguns produtos ainda que de forma tímida.
As previsões da inflação elaboradas para o terceiro trimestre do ano em curso, segundo o mais recente relatório do BNA, situam-se abaixo das previsões do segundo trimestre. Assim, para o terceiro trimestre de 2018 prevê-se que a inflação se situe no intervalo de 3,14% a 5,28%, em termos mensais, e de 16,82% a 19,24%
em termos homólogos.
A contínua depreciação da moeda nacional, o aumento substancial dos preços dos principais parceiros e a eliminação de subsídios em alguns produtos por parte do Estado, são os riscos associados ao alcance dos valores previsionais
Dados apurados pelo JE, sustentam que a inflação em Angola mantém a sua trajectória descendente desde Agosto último. Assim, a inflação homóloga, medida pelo IPC de Luanda, atingiu 18.97 % em Agosto último, uma diminuição de 7.97 pontos percentuais, face a igual período do ano anterior. Em comparação com o mês Agosto, os preços aumentaram 1.20 por cento (-0.03 pontos percentuais em relação a Julho). Ao mesmo tempo, a inflação nacional fixou-se se em 1.21 % mensal e 18.56 % homólogo em Agosto (uma diminuição de 6. 62 pontos percentuais com relação ao mesmo período em 2017).
O kwanza, por sua vez, segundo o relatório que o JE teve acesso, continua a perder valor face às principais moedas internacionais, sendo que a depreciação acumulada face ao dólar, desde o início do ano, é de 41.8 %.
Após a dupla desvalorização que sofreu a semana finda, a moeda transacciona-se actualmente em 284. 937 kwanzas por dólar no mercado formal e 365 kwanzas por dólar no mercado informal, o que torna o intervalo entre os dois mercados cada vez menor (28 % actualmente).
Em face disso, o vice-governador do BNA, Manuel Dias, revelou que a instituição antecipa uma quebra do PIB de 1.1 % em 2018, contrariando as expectativas do Governo e do FMI.
Estes números são consistentes com a quebra significativa da produção petrolífera, que deverá ficar em torno dos 1. 5 milhões de barris diários (previsão de 1.7 milhões de
barris/dias inscrita no OGE)
O relatório do BNA, sutenta ainda que, a redução da inflação pode ser justificada pelo desempenho positivo da política monetária e cambial traduzido em contracção da base monetária e a redução do “spread” cambial entre os mercados formal e informal, o que contribuiu na melhoria da expectativa
dos agentes económicos.
O documento acrescenta que, do lado da oferta, assistiu-se ao aumento das importações de bens da primeira necessidade para a satisfação das necessidades de consumo das famílias e empresas.
Por isso, continua a ser motivo de especial atenção a conjuntura internacional, que embora tenha apresentado uma perspectiva favorável, futuramente poderá criar possíveis efeitos negativos para a conjuntura nacional, pelo facto da subida do preço do petróleo ser um dos vectores impulsionadores da subida dos índices de preços no produtor dos principais parceiros comerciais de Angola.

Cesta básica
está mais cara

Dada a importância que a classe de alimentação e bebidas não alcoólicas regista no IPC, torna-se relevante analisar a evolução dos preços médios dos produtos que compõem a cesta básica
No segundo trimestre, observou-se uma ligeira aceleração do preço médio agregado da cesta básica em cerca de 0,02 pontos percentuais face ao trimestre anterior, situando-se em 2,15%.
Os produtos como leite em pó (Nido), arroz corrente e óleo de soja, são os que tiveram maiores variações no panorama nacional
A cesta básica contempla 13 produtos que fazem parte do consumo diário, designadamente açúcar a granel, arroz corrente, carne seca de vaca, farinha de trigo, feijão, fuba de bombó, fuba de milho, leite em pó (Nido), massa esparguete, óleo alimentar de soja, óleo de palma, sabão azul e sal comum.