Angola vai pedir adesão à Commonwealth, comunidade que junta os países de língua oficial inglesa, onde os estados-membros cooperam num quadro de valores e objectivos comuns, que incluem a promoção da democracia, direitos humanos, boa governação, estado de direito, liberdade individual, igualitarismo, livre comércio, multilateralismo e paz mundial.
O anuncio foi feito inicialmente por Sua Excelência o presidente da República João Manuel Gonçalves Lourenço, quando no mês de Maio se deslocou à França em visita oficial. Posteriormente, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, anunciou a intenção na sua conta de Twitter. O anúncio mereceu já reacções dos cidadãos angolanos, que de forma quase unânime vêm vantagens na possível adesão do país à comunidade anglófona. O JE contactou especialistas para debitarem subsídios em relação ao assunto.
Para Frederico Baptista, formado em Relações Internacionais, a decisão foi acertada visto que Angola está inserida em dois blocos sub-regionais com predominância inglesa e francesa, o que dificulta muitas vezes uma integração mais profunda. Outra grande vantagem é o facto de a integração representar uma mola impulsionadora para o aprendizado da língua inglesa no país e a consequente promoção de mais angolanos, quer no sistema das Nações Unidas, quer nas organizações internacionais africanas. Em termos económicos, a comunidade britânica poderá agregar valor à economia angolana, não só por se praticar uma política comercial de preferência entre os Estados-membros, mas também pelo facto de a Inglaterra industrialmente ser dependente da importação de um certo número de recursos minerais, e de produtos agrícolas que não podem ser substituídos pela agricultura nacional. O programa de ajuda britânica aos seus parceiros, em áreas institucionais, e investimento directo, são outras valências que o país poderá aproveitar. Amaior parte das firmas que prestam serviços a Inglaterra, a partir dos Estados membros da comunidade, no sector das comodities fundamentalmente são de ingleses, fruto do investimento directo.
Angola poderá, assim, atrair investimentos, melhorar a competitividade dos seus agentes económicos, além de aproveitar as facilidades das políticas de comércio preferencial, principalmente num contexto de BREXIT e de recrudescimento das medidas proteccionistas dos EUA.
“É obvio que não se sentirão estes benefícios instantaneamente, mas a médio prazo, com as mudanças que se estão a operar na economia nacional, adivinham-se ganhos proporcionais a cada vez maior desregulamentação, protecção de investimento, combate à corrupção e a adopção dos melhores padrões internacionais em termos de compliance”.

Membro observador 

Do ponto de vista dos pressupostos para ser membro, Angola não se acha habilitada, pelo facto de não ter a língua Inglesa como língua oficial, nem ser ex-colónia Inglesa. Todavia, ela pode ser aceite como membro observador, inicialmente, antes de proceder à vinculação definitiva, sendo que uma das premissas básicas é que Angola receba voto favorável dos outros Estados Membros e comungue dos valores defendidos na comunidade, como os direitos humanos e boa governação.
Ao se concretizar a integração, Angola se constituirá no segundo país lusófono a fazê-lo, depois de Moçambique que aderiu à comunidade no ano de 1995, por razões similares e ganhos visíveis, uma vez que tem beneficiado dos programas de desenvolvimento, e aproveitado os grandes fóruns organizados pela Commonwealth, retirando vantagens proporcionais.