O crescente número de angolanos que, semanalmente, se desloca em negócios à China e ao Brasil mostrou ao Banco Internacional de Crédito (BIC) um importante nicho de mercado, uma vez que a instituição já é considerada a principal operadora dos importadores nacionais.

Passado o momento de grandes incertezas da implantação do banco em Portugal, onde adquiriu o BPN por liquidação estatal, as atenções dos gestores voltam-se para os mercados asiáticos e sul-americanos, sem deixar, contudo, de olhar para a consolidação em África. Países como Namíbia e Congo Brazzaville seguem-se após a oficialização que o banco recebeu com os seus escritórios de representação na África do Sul, onde já opera.

O presidente do conselho de administração, Fernando Teles, assegurou que na Namíbia “tudo está em fase adiantada para que, brevemente, se inicie com um escritório de representação”.

Conforme disse, a preocupação do BIC é estar presente aí onde sente existir um forte movimento de angolanos em negócios, sejam estes formais sejam aqueles em vias de formalização que resultam da forte capacidade de empreender dos nacionais.

Lembrou, por essa via, que desde a formalização do homónimo português, a instituição tem facilitado, grandemente, as diversas operações cambiais e monetárias de angolanos e portugueses que precisem de moedas para as diferentes transacções. A fusão com a parceira portuguesa permitiu o alargamento da rede de balcões, dando assim maior capacidade de atendimento.

Por esta razão, a chegada ao Brasil, onde vai também adquirir o BPN local, é vista pelos gestores como prioridade.

À conquista de África
Em África, o BIC já opera também em Cabo Verde, onde adquiriu o BPN IFI, SA, agora designado por Banco BIC Cabo Verde IFI (Instituição Financeira Internacional). O escritório da África do Sul funciona desde Fevereiro deste ano e o da Namíbia deverá ainda este ano iniciar as operações.

“Nós iremos em toda a parte, sobretudo aí onde estiverem os angolanos, sem importar a distância. Esse é o nosso compromisso com a banca e connosco próprio, só assim se justifica a confiança que recebemos do mercado, onde começámos a operar em 2005”, disse Fernando Teles.

Mercado de seguros
Em Angola e Portugal, brevemente, o banco vai iniciar as operações no ramo de seguro. A nova firma que virá a denominar-se BIC Seguros é uma resposta às solicitações do mercado, porquanto a sua relação de fidelidade com o público está bastante sólida.

Para o mercado angolano, os segmentos vida e não vida, automóvel e outros vão ser incluídos na carteira de produtos disponibilizados pela seguradora. Já na praça financeira lusa, a seguradora vai, inicialmente, limitar-se ao segmento não vida. Nele, a aquisição de uma pequena seguradora, com necessidades de capitalização, foi o passo adoptado para o início das actividades.

Além do seguro, o banco vai também, este ano, dar corpo à constituição de uma sociedade gestora de fundos.

Fernando Teles explicou que esta diversificação nos sectores de actuação do banco ocorre porque a instituição sente ter reunida equipas capazes de darem respostas às complexas exigências destes segmentos.

Lembrou, aliás, que o banco tem sido bastante prudente nas decisões de abertura de novos nichos de negócios, pois a qualidade da prestação do serviço é bastante dependente da preparação e treinamento da mão-de-obra.