Os participantes da conferência de quadros da província do Cuanza-Norte defenderam a necessidade de se fazerem mais investimentos socioeconómicos a nível dos municípios, principalmente no sector da agro-indústria.
Para os interlocutores, o homem deve ser também, o principal factor de desenvolvimento das comunidades,.
O tema “A vida nos municípios, potencialidades locais”, dissertado pelo chefe do gabinete provincial da Agricultura, Walter Pimenta, foi o mais concorrido, sendo que no final o JE ouviu algumas reacções em torno da abordagem.
Para o sociólogo João Aguiar, do município de Samba-Cajú, o governo do Cuanza-Norte deve reajustar o orçamento alocado para algumas circunscrições da província.
Apontou para o efeito, os municípios da Banga, Bolongongo e do Ngonguembo em que, como disse, as administrações locais carecem de maior espaço de manobra no que concernente à criação de projectos.
João Aguiar revelou que se deve apostar na edificação de novas infra-estruturas nesses pontos para ser “um factor estimular para o turismo na província”.
De acordo ainda com o sociólogo, os responsáveis das administrações da província devem pautar por uma postura rigorosa na gestão da “coisa pública”, medida que poderá se repercutir positivamente na vida das pessoas.
Segundo avançou, agindo assim, se poderá melhorar o quadro da assistência sanitária, distribuição de energia eléctrica e consumo de água potável.
Por sua vez, José Carlos, quadro afecto ao município do Bolongongo, disse que a região possui vários pontos de atracção turística e cultural, como é o caso do rio Cuale, localizado a cerca de sete quilómetros da sede, além da chamada Pedra do feitiço.
“São pontos turísticos pouco conhecidos, fruto da fraca frequência, resultante do mau estado da via de acesso, que liga a região a Samba-Cajú, numa extensão de 45 quilómetros”, afirmou à nossa reportagem.
Por outro lado, João Carlos entende que a produção agrícola local aumenta a cada dia, mas o escoamento deficiente dos produtos do campo resultante da degradação das estradas tem “atrapalhado as trocas comerciais”.
A fonte aponta ainda que a falta de uma instituição bancária e energia eléctrica agravam a situação.
Pimentel da Conceição é professor no município de Cambambe. Apontou que as condições do turismo cultural e fluvial, a par das indústrias têxteis e de bebidas, associada à barragem de Cambambe, são “cruciais” para alavancar a
vida económica da região.
O jovem professor revela que a população de Cambambe sente “muito pouco” os efeitos da existência dos referidos empreendimentos.
“Temos uma barragem a nível do nosso município, mas às vezes pagamos a energia no valor de 3.500 kwanzas por mês, dinheiro que achamos exagerado, atendendo a condição financeira actual do país”, disse.

Políticas de incentivo
Juntam-se outras vozes como a de Maria Bernardete, que defendeu a necessidade da criação de centros infantis ou creches, a nível dos municípios, por forma a garantir melhor sustentabilidade na educação da primeira infância.
Maria Bernardete sublinhou ainda que o governo provincial deve criar estímulos e condições materiais para garantir a permanência dos quadros qualificados a nível dos municípios.
“Temos conhecimento de várias pessoas apuradas nos vários concursos públicos realizados pelo Governo, que depois de um ou dois anos, pedem transferência para as suas zonas de origem. Penso que deste jeito nunca vamos colmatar o défice de quadros a nível local”, augurou.