A partir do próximo ano, os Ministérios dos Recursos Minerais e Petróleo em parceria com o da Agricultura e Florestas vão construir três laboratórios nas províncias de Luanda, Huíla e Cuanza Sul para assegurar a avaliação e certificação do calcário dolomítico, destinado para a recuperação e estabilização dos solos em Angola.
Em declarações à imprensa, em Luanda, no final do workshop sobre o “Uso de calcário dolomítico para a recuperação e estabilização dos solos de Angola”, o director Nacional de Recursos Minerais, André Buta, garantiu que no futuro não haverá problemas com relação a avaliação do produto, com a instalação destas infra-estruturas devidamente equipadas, para reforçar o existente na faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto, sem capacidade para responder a demanda.
De acordo com André Buta o uso do calcário dolomítico pode facilitar a recuperação e estabilização dos solos, tendo assegurado que o produto é
natural e “não contém aditivos”.
“Uma vez aplicado no solo, o fertilizante corrige e dobra os níveis de produção na agricultura”, garantiu.
A descoberta deste fertilizante resulta da paralisação das obras no sector da construção de estradas, em virtude da crise que se regista desde 2014.
O contexto obrigou as empresas do sector, a emigrar para o segmento da agricultura e utilizar este inerte para a produção agrária e os resultados são satisfatórios.
Questionado sobre os níveis de produção do produto no país, André Buta explicou que actualmente não existem indicadores fiáveis, pois as 22 empresas que exploram o produto aplicam para a construção de estradas, excepto uma empresa certificada para o efeito, no ramo da agricultura.
Estabilização dos solos
Por sua vez o ministro dos Recursos Minerais Diamantino de Azevedo, que orientou o encontro, sublinhou que o evento teve como objectivo divulgar a utilização do calcário dolomítico na recuperação e estabilização dos solos em Angola.
Garantiu que já foram identificadas as zonas com potencial desta rocha, e o Governo vai incentivar a sua exploração, assim como a utilização efectiva para estimular os níveis de produção alimentar no país.
Por sua vez a engenheira florestal Fernanda Medeiros, indicou que Angola pode duplicar os níveis de produção alimentar nos próximos anos, se apostar na utilização efectiva deste fertilizante.
Para a especialista o sucesso passa por uma estratégia conjunta entre os Ministérios dos Recursos Minerais e Petróleos, Agricultura e Florestas bem como os investigadores da Universidade Agostinho Neto.
Segundo a especialista, o Brasil registou bons indicadores com aplicação destes fertilizantes na agricultura familiar e Angola “não será uma excepção”.

Níveis de produção
O coordenador da cooperativa “Boa Esperança” da província do Bié, Afonso Oliveira, garantiu que na fazenda que dirige, com a aplicação do calcário dolomítico os níveis de produção cresceram de 800 toneladas por hectare para 3.500 de produtos diversos.
Actualmente, o preço de um saco de 50 quilogramas de diferentes fertilizantes ronda os cinco mil kwanzas.