As principais transportadoras na capital estão a registar uma movimentação frenética, o que obriga os passageiros a comprar os bilhetes com alguma antecedência.
Na ronda realizada pelo JE, o passageiro Manuel João explicou que a esta altura é tal a procura que só se compram bilhetes com a antecedência de dois ou três dias. A satisfação deste passageiro está no facto de os preços manterem-se os mesmos, uma situação que não ocorria em anos anteriores.
Ele foi despachar seu irmão para a província do Huambo e comprou o bilhete ao preço de 5.300 kwanzas.
Francisca Fernandes, por sua vez, está num dos terminais interprovinciais e o seu destino é o Bié, mas tratando-se de uma vendedora explica que o seu trajecto é o Bié, onde reside, passa por Luanda e dirige-se ao mercado fronteiriço do Luvo. A viagem é de três dias. A época de Natal mudou o seu tempo de viagem, porquanto não consegue apanhar o autocarro de regresso para o Bié devido à elevada procura. Tal como os outros passageiros, também precisou de 24 horas mais para conseguir o seu bilhete de regresso e poder passar a quadra festiva junto da família. Na bagagem, Francisca leva roupas e telefones, produtos que comercializa no Cuito.
De malas feitas para Malanje está José Cangolo que leva sapatos para homens e mulheres. O negociante quer aproveitar a corrida própria da época festiva para vender um pouco mais, mas garante que tudo sem especulação. O regresso para Luanda deve acontecer, segundo perspectiva, ainda antes da passagem de ano.
Gestor
Para o coordenador comercial da transportadora Macon, Amando Macedo, no período normal, a empresa transporta até 6.500 passageiros/dia em todo o país e serve-se de uma frota de 650 autocarros. Com a chegada da quadra festiva, a tendência é superar esta cifra diária.
Neste momento, a empresa está a atender 40 linhas principais e liga Luanda ao interior do país. As linhas secundárias são formadas pelas ligações de uma província do interior para outra, assim como entre municípios e comunas.
Na Macon, as viagens inter-províncias detêm a maior cifra de autocarros, pois estão presentes nas 18 províncias e mais recentemente reforçadas com a abertura do destino Windhoek.

Ango Real
A Ango Real consta entre as que ainda estão a sobreviver no mercado. A maior dificuldade, neste momento, reside na falta de divisas para assegurar as peças e sobressalentes. No entanto, a luta continua, disse Manuel Domingos, chefe de departamento das operações.
Segundo contou, na época do Natal, a procura aumenta consideravelmente. Entre os destinos mais procurados, o destaque recai para as províncias do Cuanza Sul, Malanje, Huambo e Huíla.
Além do serviço normal, a empresa está a oferecer carreiras especiais para passageiros interessados nas rotas Luanda/Sumbe e Luanda/Huambo em classe executiva entre seis e 14 horas, respectivamente.
Para garantir a circulação dos mais de 300 autocarros com capacidade para 50 passageiros sentados, a Ango Real conta com 270 motoristas devidamente habilitados. O tarifário da empresa varia entre quatro e 20 mil kwanzas.

Tcul
Apesar das restrições para os serviços urbanos, as viagens inter-provinciais estão a ser realizadas no mercado dos kwanzas com destino ao município do Soyo e Mbanza Congo, província do Zaire. Os embarques para Malanje e Cuanza Norte estão a ser realizados junto às oficinas Abamat, na Vila de Viana.
Na altura da nossa visita, encontramos o terminal ligeiramente vazio. No entanto, os passageiros asseguraram que os carregamentos estão a ser feitos com intervalo de duas horas tendo em conta a procura resultante desta época natalina.
O pasageiro Marcos Cardoso, por exemplo, disse optar pelos serviços da Tcul dado o conforto e a tranquilidade oferecidos durante a viagem, que acredita ser sob velocidade regulada.