Os empresários e académicos que participaram do II fórum empresarial Angola-Portugal, que Luanda acolheu, concluíram que o valor económico da língua portuguesa pode contribuir para o reforço das relações comerciais entre falantes, estimados em mais de 250 milhões de habitantes.
De acordo com o reitor da Universidade Lusíada de Angola, Mário Pinto de Andrade, que no evento moderou o tema “O valor económico da língua portuguesa”, os bons negócios passam, necessariamente, pelo entendimento entre as partes.
Destacou a importância que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné, Timor-Leste e Macau) pode trazer através das parcerias económicas.
“A língua portuguesa pode ser utilizada como a ferramenta para facilitar a negociação entre as partes interessadas num determinado negócio”, precisou.
Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração do Banco Internacional de Crédito (BIC), Fernando Teles, aproveitou a oportunidade para informar os presentes a importância do sector bancário angolano, composto actualmente por cerca de 30 instituições.
Segundo avançou, deste número, mais de seis têm liquidez suficiente para ceder crédito aos empresários desde que apresentem projectos credíveis e fiáveis.

Banca está disponível
Fernando Teles fez saber que a instituição bancária que dirige, por exemplo, dispõe de oito mil milhões de dólares norte-americanos, dos quais 48 por cento estão disponíveis para a cedência de crédito às empresas.
Durante a sua explicação, esclareceu que os empresários angolanos podem adquirir financiamento nos 224 balcões que o BIC tem distribuído nas 18 províncias de Angola.
Por outro lado, sublinhou, os empresários portugueses podem fazê-lo junto das agências do BIC localizadas em território português.
Quanto aos fundos próprios, o gestor bancário sublinhou que a instituição financeira conta com mais de 700 milhões de dólares para o mercado angolano.
Já em Portugual, os fundos próprios estão avaliados em cerca de 460 milhões de euros.
O bancário convidou os empresários angolanos e portugueses a investirem no território nacional, em sectores que promovam o desenvolvimento socioeconómico, com realce para o da Agricultura.
Para o gestor bancário, só assim se poderá tornar o país auto-sustentável, em termos da cesta básica e fomentar a produção interna, reduzindo assim as importações.
Durante a sua intervenção alertou aos empresários que Angola dispõe de uma Central de Crédito destinada para controlar os empresários que não honrem com os compromissos assumidos junto à banca.

Internacionalizar a produção
Em representação da Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizadas de Angola (CEIA), Danilo Ventura, sublinhou que os produtos nacionais estão em condições de serem comercializados em todos os países.
Explicou que a “manga” produzida no Brasil, em nada difere com a nacional. Detalhou o potencial agrícola de Angola, que na sua visão, uma vez bem aproveitado pode gerar negócio e internacionalizar os produtos nacionais.
A associação conta actualmente com cerca de 30 filiados, havendo entre o grupo empresas que se dedicam à exportação de produtos agrícolas na
região Austral do continente.
Por sua vez, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, lembrou que o país dispõe de milhões de hectares de terra aráveis, que podem ser aproveitadas para o fomento da agro-pecuária e diminuir a importação assim como gerar riqueza.
Para o empresário, não basta ter capital, é preciso rentabilizar os negócios à altura de gerar renda para o investidor.
Segundo argumentou, o potecial económico dos falantes de língua portuguesa só será efectivo, se forem eliminadas as barreiras de “superioridade e trabalharmos de mãos dadas para o sucesso de todos”.
No seu entender, o desenvolvimento de Angola pode contribuir em grande medida para a projecção económica de Portugal.
Aproveitou a oportunidade para incentivar os empresários a investirem nas matérias-primas do interior do país, bem como alertou as autoridades no sentido de se reduzir a burocracia na cedência de vistos, criando um ambiente de negócio mais favorável.