Os dados demográficos indicam que a cidade de Luanda, até 2030, poderá atingir a cifra de 12 milhões de habitantes, contra os actuais pouco mais de seis apurados no censo geral da população e habitação realizado no ano passado.


Para dar resposta a este crescimento, as autoridades da capital têm gizado um plano urbanístico. Também conhecido como “Plano director geral metropolitano de Luanda”, a sua implementação até 2030 acontece sob o slogan “Luanda cidade inovadora” e vai estar pronto para análise do Executivo já no próximo mês.

O referido plano visa organizar, estruturar e construir da melhor forma em solo urbano do território de Luanda.

Tratando-se de um grandioso programa de reformulação da actual capital, o Presidente da República criou, em certa ocasião, o conselho de coordenação estratégica de Luanda.

A estratégia de desenvolvimento da cidade de Luanda, aprovada pelo referido organismo, assenta a sua mudança em três pilares fundamentais, desinadamente a habitabilidade, a estética e o crescimento sustentável e atractivo.

Habitabilidade
Relativamente à habitabilidade, indica que a mesma engloba o saneamento, o abastecimento de água e energia e a existência de equipamentos sociais. A estética contempla a preservação da paisagem e da sua identidade.

A estratégia, definida para um período de 15 anos, visa fundamentalmente tornar a cidade capital mais compacta, com variedade de pólos económicos, por forma a assegurar o emprego próximo dos lugares de residência, com maior desconcentração em relação ao centro, garantindo-se a ligação dinâmica com as centralidades, com áreas verdes protegidas e com uma orla costeira maximizada.

Estética e atractividade
A visão estratégica para o desenvolvimento da cidade de Luanda tem por base, por um lado, manter a cidade antiga como centro histórico, cultural, político e turístico e, por outro, modernizar e estruturar junto aos rios Cuanza e Bengo um centro económico, industrial, agro-industrial e uma praça financeira.

Neste quadro, a Barra do Cuanza terá um desenvolvimento sustentável de baixo impacto ambiental e quaisquer projectos costeiros serão sujeitos ao plano de ordenamento da costa marítima.

A estratégia abarca, também, a questão da rede rodoviária, visando aumentar a sua capacidade, com realce para a rede de vias rápidas existentes, bem como a criação de outras vias integradas e eficientes de transportes públicos.

Arquitectos
O presidente da Ordem dos Arquitectos de Angola, Victor Leonel, acompanha com bastante interesse às discussões que são promovidas à volta do plano director geral metrolitano de Luanda.

Segundo disse ao JE, daquilo que lhe foi dado a ver, o documento em elaboração procura dar resposta aos vários constrangimentos actuais, pois nele estão já contempladas soluções sobre a existência de parques de lazer em quantidade e localização aceitáveis. Há, igualmente, de acordo com o responsável, uma resposta muito clara acerca da mobilidade e zonas de implantação de metros e outros meios inteligentes de transportes. A definição clara de áreas de construção de habitação, zonas verdes e de cultivo são outras das características do plano bastante aplaudidas pelo arquitecto.

Tratando-se de um guião de como se deve fazer e em que direcção se deve seguir, o arquitecto Victor Leonel lembra que Luanda tem, neste momento, controlado cerca de 780 profissionais, número suficiente para dar resposta aos desafios que se colocam nesse domínio.

A preocupação está com as outras províncias, uma vez que apenas Benguela e Huíla com duas escolas e Huambo, Cabinda e Namibe com uma cada, respectivamente, estão a dar formação superior em arquitectura. Ainda assim, admite que estas escolas, atendendo à densidade populacional das províncias em que estão fixadas, poderão num prazo de cinco anos formar em número desejável os técnicos pretendidos. Depois disso, sugere que sejam revistos os planos de formação e de licenciamento de escolas, para evitar que técnicos superiormente formados, estejam no desemprego.

A União Internacional dos Arquitectos recomenda um arquitecto para cada dez mil habitantes.

As estatísticas do sector avançam que 92 por cento dos profissionais residem em Luanda. Destes, 82,26 por cento apresentam-se em autoria e outros 17,74 em co-autoria.

A Universidade Agostinho Neto lidera os índices de formação (43,88 por cento), seguida da Metodista (18,46) e a UPRA (15,90) como as que mais formam arquitectos.