A saída da recessão depende fundamentalmente de uma compreensão adequada das suas causas.
Foi uma das conclusões manifestadas por alguns participantes das IV Jornadas Técnico-científicas da Faculdade de Economia, da Universidade Agostinho Neto.
Para Adilson Paulino, professor universitário da cadeira de Recursos Humanos, a Faculdade de Economia deve promover eventos principalmente neste momento crítico da economia para se encontrar soluções viáveis para a saída da crise.
“Penso que é exactamente aqui que todos juntos conseguiremos fomentar as propostas, soluções sólidas e sustentáveis para que consigamos atingir o tão almejado crescimento económico”, afirmou.
O investigador Eduardo Manuel assegura que devia ser prioridade do governo intensificar a qualidade da educação, para se ter quadros capazes de dar resposta aos desafios que o país enfrenta. Por isso defende que o ensino deve ser adaptado às reais necessidades nacionais.
“Penso que é necessário que haja uma cooperação entre as universidades e as empresas para que possam identificar as suas necessidades reais e por sua vez as universidades formarem quadros de acordo com as necessidades do mercado de trabalho”. disse.
Mpangi Luvumbu, mestranda em mercado de capitais, entende que a economia criativa pode ser um dos caminhos para que o país enfrente a crise económica, por isso assegura que, mais do que fomentar a criatividade dos jovens, é preciso criar políticas públicas de incentivo à economia.
Segundo precissou, a criatividade e o capital intelectual são as matérias-primas para a criação, produção e a distribuição de bens e serviços.
“Penso que já existem instituições que apoiam as novas empresas, como as startups. Só acho que devemos valorizar mais essas ideias”, sustentou.
Por seu turno, Euvlânio Fortuna, estudante do 3º ano de economia, as discussões não deviam ser realizadas somente uma vez por ano, mas com maior frequência, “para dar a conhecer aos órgãos de direito a posição da camada universitária sobre os assuntos correntes”, defendeu.
Na opinião de António Queiroz, estudante do 3º ano de economia, é urgente que o governo crie condições para que os agentes económicos possam agir de forma mais folgada e deste modo “caminhar aos poucos para que efectivamente possamos tornar uma economia de mercado livre”.

Encontrar soluções
Durante os “acalorados” debates, outros participantes assumiram que a economia nacional se encontra formalmente em recessão desde 2014 e essa situação cria um ambiente de forte pressão para uma recuperação dos mercados.
A saída dessa recessão, como argumentam, não é simples. Sustentam que, para a nossa economia voltar a crescer, de forma sustentável, o investimento na formação é primordial e exige comprometimento de toda a sociedade
Os dados que constam do relatório de fundamentação da proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2017, que o JE teve acesso, dão conta de que a economia angolana terá um crescimento do produto interno bruto (PIB) próximo dos 7 por cento ao ano.
As IV Jornadas Técnico-científicas da Faculdade de Economia, da Universidade Agostinho Neto, tiveram como objectivo reflectir sobre o actual momento da economia nacional e perpectivar o processo do crescimento tendo em conta os indicadores internacionais.