Os preços dos principais materiais de construção comercializados em diversos estabelecimentos e mercados informais na província de Malanje, registaram ligeira diminuição, facto que ainda continua a dificultar muitos cidadãos realizarem o sonho da casa própria. Numa reportagem efectuada pelo JE, em vários estabelecimentos comerciais e mercados informais, apurou-se que o saco de cimento reduziu de 3.300 kwanzas para 2.400, devido a retomada da produção das fábricas de Luanda e do Cuanza Sul.

O preço da chapa de zinco de seis metros que custava 7.500 kwanzas, agora custa 5.500, enquanto que o preço de bloco varia entre 110 a 125 kwanzas, a barra de ferro de 25/25 que era comercializada a 3.500 kwanzas, está a ser vendida actualmente a 3 mil, ao passo que as cantoneiras variam de 2.350 a 18 mil kwanzas.
A carrada de sarrisca que custava 75 mil kwanza está a ser vendida a 70 mil, enquanto que uma carrada de pedras está actualmente a 60 mil kwanzas contra 70 mil.
Relativamente ao balde de tinta de 20 litros que era vendido a 10 mil kwanzas actualmente custa 6.500, ao passo que a caixa de mosaico está a 3.500 kwanzas, contra 8.500.
O responsável do armazém de venda de material de construção “Mazarat”, Ernesto Rufino, disse que os preços praticados antes e devem-se a escassez de divisas no país.
Já o proprietário da caixilharia “Dio e Silva LDA” (vidraria, prestação de serviço, importação e exportação), Diogo André, disse que o preço actual do material de construção, contribuiu para a paralisação de muitas obras de construção civil, a nível da província de Malanje.
Acrescentou que muito dos empreiteiros tiveram que paralisar as suas obras por terem ficado sem poder financeiro para adquirir o material, devido aos preços altos praticados.
João Manuel vende cimento há dois anos, no bairro Cangambo. Referiu que o preço baixou de 3.300 para 2. 400 kwanzas. Segundo apontou, apesar disso, o número de clientes baixou consideravelmente.
Antes da crise vendia cerca de 300 sacos por dia, mas agora a cifra tem sido apenas de 50 sacos.
“Queremos que o Governo possa fazer descer o preço de cimento, para permitir que os cidadãos continuem a desenvolver as suas obras a nível da nossa província de Malanje”, augurou.

Cidadões reclamam
O cidadão António Domingos disse que mesmo com a ligeira redução dos preços de material de construção, registados na província de Malanje, nos últimos dias, muitos empreiteiros e outros cidadãos não conseguiram ver realizado o sonho da casa própria.
Revelou que o actual preço praticado em vários estabelecimentos comerciais estão a “desmoralizar os cidadãos que querem ver realizados os seus objectivos, que é o de construir a sua própria residência”.
Afonso Bernardo, funcionário público, admitiu que desde a subida do preço do material de construção não está fácil construir, devido as condições financeiras que o país vive.
“Os elevados preços estão a criar diversos constrangimentos ao cidadão, adiando os projectos habitacionais”, sustentou.
Por sua vez, Mário Moisés que é projectista (construção civil), disse que os actuais preços dos materiais de construção praticados, estão a causar alguns constrangimentos por parte de muitas empresas.
Defendeu a construção de mais fábricas de chapas de zinco, vidro, tintas plásticas e mosaico com qualidade, para ajudar a debelar a actual crise no sector.

Cerâmica de Malanje
A cerâmica, localizada no bairro da Canâmbua, que produzia chapas de zinco e tijolos encontra-se encerrada há mais de um ano, por escassez de divisas.
De acordo com uma fonte, os proprietários da unidade industrial foram obrigados a encerrar por falta de matéria-prima, visto que grande parte era adquirida no exterior do país.
A paralisação da cerâmica na província de Malanje criou muitos constrangimentos por parte dos trabalhadores, sendo que muitos deles são jovens, e tinham na unidade a sua fonte de subsistência.