O mau estado das estradas, o custo de combustível e a taxa de transportação continuam a ser os principais constrangimentos no que toca ao escoamento da produção agrícola do campo para as cidades, o que tem desencorajado os camponeses a produzir em grande escala.
Esta preocupação foi manifestada ao JE, pelo agricultor Edgar Somacumbi, tendo realçado que embora se verifique algumas melhorias nas vias principais, mas as terciárias precisam de intervenção urgente por estarem muito próximas às zonas de produção.
O produtor da zona da Sul do país entende que se estes constrangimentos não forem pontualmente resolvidos, haverá uma baixa na produção nacional.
“Nesta cadeia, o bolso que pesa mais é do consumidor final”, avança Edgar Somacumbi.
Por essa razão, sugere que, além de um sistema de electrificação funcional devem ser criadas brigadas locais para dar resposta às intervenções que se impõem.
Edgar Somacumbi apontou as vias da Quibala/Waco Cungo (Cuanza Sul) e Benguela/Cuanza Sul, como sendo estratégicas para o escoamento da maior parte da produção da região Sul do país.
“Se não houver uma intervenção nestas vias, os produtos vão continuar a estragar, assim como encarecer cada vez mais”, assegurou.
Referiu que, além das licenças de transportação serem muito onerosas (nesta altura a rondar os 40 mil kwanzas), a pouca acção pedagógica dos agentes reguladores de trânsito que muitas vezes só dificultam o trajecto rodoviário também tem estado a contribuir para o insucesso do trabalho.
“É urgente que o Ministério dos Transportes faça um levantamento dos “verdadeiros” transportadores e revê também a taxa e o custo”, afirmou.

Zona Norte mais confortável
A reabilitação das vias que ligam o Norte do país têm facilitado o escoamento da produção agrícola, de acordo com a directora comercial da fazenda Girassol.
Localizada no município do Nzeto, na província do Bengo, a fazenda consegue escoar toda a produção para os mercados da capital do país num curto espaço de tempo.
“Anualmente, vendemos mais de cinco milhões de toneladas de diversos produtos sem grandes constragimentos”, revelou a gestora.

Solução à vista
Em entrevista recente ao JE, o admnistrador da empresa “Agrolíder”, José Macedo, ressaltou ser uma mais-valia responsabilizar o escoamento da produção agrícola do país ao sector privado, medida tomada pelo Governo.
Com isso, o Executivo pretende evitar os constrangimentos alinhando com o Projecto de Desenvolvimento e Implementação Integrado do Comércio Rural 2018-2022.
A iniciativa visa incentivar os produtores nacionais a aumentarem a produção, criar excedentes e potenciar a exportação.
O programa será implementado pelo sector privado, cabendo ao Estado o papel regulador e fiscalizador.
Caberá ao sector privado implementar as soluções, quer do ponto de vista de melhoria da produção, quer do financiamento.
Prevê-se a construção de estradas secundárias e terciárias, bem como de plataformas logísticas por parte do Ministério dos Transportes.