Passados 17 anos, altura em que foi adoptado o “Livro Branco” das Tecnologias de Informação e Comunicação em Angola sob o lema: “Internet e banda larga para todos” continua nos sonhos.
A massificação do acesso à Internet em banda larga constitui ainda o desafio imediato para Angola, de modo a reduzir o hiato para os países com os estágios de desenvolvimento socioeconómico mais consolidados. Para que haja maior atracção de investimentos externos, a velocidade de Internet deve ser mais rápida.
Segundo pesquisas, Luanda é a cidade que tem uma maior taxa de penetração. Nas restantes províncias, só nas sedes municipais, mas com velocidade lenta. Apesar disso, os relatórios sobre o mercado digital revelam que as taxas de crescimento na penetração da Internet no continente africano em 2018 aumentaram em mais de 20 por cento em relação a 2017.

Extensão
Os pesquisadores consideram que, apesar dos esforços que têm vindo a ser desenvolvidos por muitos governos africanos para melhorar a comunicação virtual entre os diferentes pontos do continente, a verdade é que um dos mais modernos meios de interligação e de informação de e para todo o mundo, a Internet, ainda tem uma fraca e envergonhada penetração em África. Eles consideram que muitos veem ainda a Internet como um simples meio de enviar e receber emails quando, na verdade, ela é muito mais do que isso, e ganha uma superior valia quando utilizada para obter informação útil do ponto de vista particular, comercial ou oficial.
A nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) Angola, apesar de estar bastante aquém do desejado, supera a Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Dados do último Censo da População e Habitação em Angola revelavam a existência no país de 2.119.946 milhões de utilizadores de Internet.

Indicadores em Angola
Comparativamente ao índice populacional de Angola (30 milhões de habitantes), em cada 100 angolanos apenas oito usavam a Internet, uma vez que a taxa de penetração saltou de 8,2 por cento em 2016 para 17,9 por cento em 2018, segundo dados fornecidos pelo Instituto Angolano das Comunicações (INACOM). Actualmente, o número de cibernautas em Angola é de 5.397 milhões, insignificante face à média de utilizadores da Internet da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Quanto aos subscritores da rede fixa é de 170.097, da rede móvel 12.954.157, de televisão por satélite 1.784.585. O INACOM revela que o sector das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) criou 7.258 empregos directos.
A União Internacional de Telecomunicações (UIT), Banco Mundial e Divisão de População das Nações Unidas apontavam que, em 2016, os utilizadores de Internet em Angola subiram para 5,951 milhões, muito acima de 5,628 milhões em 2015, e de 2014 em que a média era de 5,150 milhões e de 2013 a 4,478 milhões de usuários.
A taxa de crescimento passou de 204,811 em 2005 para 5,9 milhões de usuários em 2016.
Previsões
As metas só serão alcançadas caso se preste maior atenção à inclusão digital apostando nas infra-estruturas do sector das TIC.
Por exemplo, na proposta do Orçamento Geral do Estado para 2019, a fim de instalação do programa de massificação e inclusão digital é atribuída uma verba de 520.703 milhões de kwanzas (1,6 milhões de dólares norte-americanos).
O Governo angolano está comprometido com o seu plano de inclusão digital até 2022.
No que consta ao Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, a taxa de teledensidade digital nacional prevê um aumento de 20,65 para 31,18 por cento e a de cobertura da rede digital da população rural de 34 para 98,7 por cento em 2022. Paralelamente a isso, o número de utentes das mediatecas com acesso às TIC eleva-se a 397 por cento até 2022, quando alcançará 424,6 mil utentes.
Já o tráfego gerado em Angola com destino internacional sai de 62 por cento para 55 Gbps.

Plataformas digitais facilitam contactos 

Fora de mercados tradicionais como os Estados Unidos, Ásia-Pacífico e Europa, onde estão as maiores plataformas, permitindo a movimentação de milhões de dólares, em Angola o comércio electrónico é um instrumento que, aos poucos, vai ganhando vitalidade com o surgimento de lojas on-line. Angola está a entrar para uma era em que as compras on-line estão a tornar-se preferenciais para muitos utilizadores. Hoje, já se constata que algumas plataformas no país já aceitam este tipo de pagamento, no qual se destaca a SOBA, e-Store e o Xikila Money, BNIX, e-Kwanza BAI e Usekamba. Agora o país conta com um sistema de pagamento on-line “Kamba”, que funciona como uma carteira digital, aposta de uma empresa que pretende inovar o mercado ao democratizar os serviços financeiros, ao dar acesso para pessoas sem um cartão efectuarem pagamentos na Internet. Para isso, a empresa aposta em tecnologias convenientes, simples e seguras facilitando a vida de centenas de angolanos que acessam e desejam adquirir serviços e bens de consumo on-line. O Multicaixa Express vai permitir pagamentos on-line em 2019. A partir de Maio de 2019 será possível efectuar pagamentos directos on-line em kwanzas com o cartão Multicaixa, anunciou a Empresa Interbancária de Serviços (EMIS). O sistema será a exempo do que já se faz em Moçambique e no Quénia, para promover a inclusão financeira dos angolanos. Com um contacto de telefone móvel, o cidadão poderá fazer compras ou pagamentos e transferências de dinheiro em mercados formais e informais mesmo sem ter conta bancária ou vinculação a um banco.
A nível das alfândegas aplicou-se o Asycuda World, um sistema integrado de gestão que automatiza todos os processos e procedimentos da actividade aduaneira, desde a submissão do manifesto de carga até à saída de mercadorias dos locais de depósitos temporários, incluindo a gestão integrada das liquidações, pagamentos, reembolsos e procedimentos contabilísticos afins. Além disso, tem o portal do contribuinte, que tem facilitado, desburocratizado, cómodo e célere para o relacionamento entre a AGT e o contribuinte. Tem permitido aos contribuintes cumprirem com as suas obrigações tributárias e consultar a informação.
O pequeno investidor tem comprado desde 02 de Julho de 2018, títulos do Tesouro a partir do portal do Investidor. O Governo angolano lançou há dias também um portal para produtores nacionais, designado
“Feito em Angola”.

80 por cento de usuários conectam-se a partir de casa

Um relatório sobre “Hábitos e Comportamentos de Angolanos na Internet” foi apresentado recentemente, em Luanda, e conclui que 80,2 por cento dos utilizadores têm se conectado a partir das suas residências, sendo que 86 por cento acedem todos os dias à Internet e 59 por cento duvidam da segurança oferecida na navegação que fazem na “Web”. O estudo teve uma amostra de 1.115 participantes, dentre as quais pessoas individuais e colectivas (representantes de empresas e instituições), e tratou de analisar as idades, hábitos, género e horários de maior acessibilidade. Segundo Valdemar Vieira Dias, engenheiro informático e técnico de marketing e comunicação, o estudo baseou-se na escassez de informação verificada sobre o comportamento dos angolanos na Internet e o grupo mais interactivo.
Um dos objectivos do relatório prende-se com a intenção de fornecer informação ao mercado nacional que podem ser usadas pelas instituições, tanto públicas como privadas para servir de instrumento capaz de catalisar o investimento nas áreas das tecnologias de informação e comunicação. As empresas através de informações como usuários das TIC podem adoptar estratégias mais eficazes de marketing, comerciais e estudos de mercado. O relatório parte da seguinte pergunta de partida: Com o aumento do número de pessoas que usam a internet para pesquisar produtos e serviços em Angola, ter uma presença “on-line” faz ou não diferença para os negócios?
A pesquisa foi feita “on-line” e “off-line” de 1 de Julho de 2017 a 31 de Agosto do ano em curso. Segundo o relatório 61,5 por cento, representam o género masculino, enquanto 38,5 o feminino. 23,6 por cento teve menos de 20 anos e 21,3 encontravam-se entre 26 e 30 anos, dos quais apenas 29,3 por cento foram constituídos por estudantes. O relatório acrescenta que o indicador casa é o principal local onde os participantes afirmam que acedem à Internet com maior incidência, perfazendo 80,2 por cento, sendo o local de trabalho, casa de familiares e de amigos em segundo e terceiro lugar com as percentagens de 42,4 e 28,3, respectivamente.
O indicador casa é apontado por nos últimos tempos se ter registado uma congregação de serviços das principais televisões no mercado nacional com serviços agrupados de Internet, tv e telefone sendo o caso das operadoras DStv, Zap e TV Cabo. O documento ilustra, também, que de segunda a sexta-feira no período das 18 às 21 horas os angolanos conectam com mais incidência (573%). Sábado e Domingo(460%). Nos períodos homólogos segue-se entre às 21 e às zero horas.
Os usuários em vários pontos de Angola acedem à rede de Internet com maior percentagem aos “tablets”e “smartphone” com 90 por cento do total de 1.010 usuários, seguindo através de um computador portátil ou de mesa, 362 utilizadores perfazendo 32,5 por cento.
Manuel Barros