Ainda que de forma gradual, a redução do preço do cimento, principal componente para a construção de obras públicas e privadas, está a redinamizar o curso normal dos projectos imobiliários dos cidadãos, na cidade do Lubango, província da Huíla.
Numa ronda efectuada pela reportagem do JE, nos locais de venda do produto, a nível da cidade do Lubango, o preço passou de 3.500 kwanzas para os actuais 1.900 a 2 mil.
O sector da construção civil, nos 14 municípios que compõem a província da Huíla, tem sido abastecido com cimento oriundo das províncias do Cuanza Sul, Benguela e Luanda.
Luciano Carlos, responsável da fábrica de produção de material de construção civil, situada no bairro do Tchioco, arredores da cidade do Lubango, denominada Jein Ping, explicou que com a redução do preço do cimento, os seus derivados, também registam
uma queda considerável.
Disse que a fábrica tem capacidade para produzir mais de sete mil blocos de cimento por dia e funciona com 25 trabalhadores nacionais, distribuídos em 11 na área de carregamento e 14 na produção.
Acrescentou que com a redução do preço do cimento, o bloco de 15 centímetros que antes era vendido por 115 kwanzas, custa agora 112, enquanto o de 12 e 10 centímetros que antes estavam fixados em 107 e 105 kwanzas, está agora a ser comercializado por 102 e 100, respectivamente.
Referiu que a abobadilha que é utilizada para a afixação de placas de betão, que antes custava 140 kwanzas, está agora a custar 130.
Lourenço Lenga é o gerente da fábrica de material de construção civil “Ruifon”. Além de blocos de cimento, abobadilhas e vigotas, a unidade fabril localizada também no Lubango, comercializa cimento, cujo preço do saco de 50 quilos está a 2.000 kwanzas.
Com 30 trabalhadores, Lourenço Lenga explicou que a fábrica, dotada de alta tecnologia, produz, diariamente sete mil blocos com preços a rondar 110 a 113 kwanzas, respectivamente.
“O preço reduziu com a queda que se verifica na compra do saco de cimento que é oriundo das províncias de Luanda, Benguela e Cuanza Sul”, revelou.
Informou que houve período em que o bloco de 15 centímetros custava 118 kwanzas e o 12 custava 115.
O gerente defende mais descida do preço de cimento, para atingir as cifras anteriores que rondavam entre 1.250 a 1.000 kwanzas.
O material fabricado é comercializado aos clientes oriundos dos municípios da Chibia, Humpata, Cacula, Quipungo, Matala e Quilengues.
A redução do preço do cimento está a ser aplaudida pela população e proprietários de fábricas de material de construção civil (blocos de cimento, abobadilha, vigotas), entre outros.
Já o preço do varão de 12, no mercado local, varia de 1.350 kwanzas a 2.500, enquanto o de 6, 8 e 10 custa 340 kwanzas .

Impacto negativo
O aumento do preço do cimento, matéria principal na construção de obras públicas e privadas, fez com que muitos cidadãos paralisassem a construção da casa própria.
No quadro do programa de auto-construção dirigida, Manuel Belo, 29 anos, beneficiou de um lote de terra de mil metros quadrados na zona do Tchituno, atribuído pela administração municipal do Lubango.
Professor de profissão, Manuel Belo explicou que depois de concluir a base da casa, por causa do aumento do preço do cimento, foi obrigado a paralisar a obra.
“Com o meu salário, conseguia comprar mais de 70 sacos de cimento, mesmo repartindo com os gastos da casa. Mais com a subida do preço, o cenário alterou. Vou aguardar até que o preço reduza”, augurou.
O engenheiro de obras António Cafuile, afirma que o cimento misturado com água e outros materiais de construção, tais como areia, pedra britada, pó-de-pedra, cal e outros, resulta nos concretos e nas argamassas usadas na construção de casas, edifícios, pontes, barragens e outros e o aumento do preço é factor estrangulador no curso normal de qualquer obra.
Explicou que as características e propriedades desses concretos e argamassas vão depender da qualidade e proporções com que são compostos, mas o cimento é o mais activo do ponto de vista químico.

Construção de casas
O vice-governador provincial da Huíla para o sector Técnico e Infra-estruturas, Nuno Mahapi Ndala, disse que apesar da escassez do cimento verificado no mercado, a Huíla é uma das províncias que mais cresceu nos últimos anos.
Um dos constrangimentos registados no programa do Governo para o sector da Habitação, foi a execução do programa de auto-construção dirigida, a nível da região.
Esclareceu que com o programa foi possível, o cidadão erguer a “própria casa” no Lubango, Caluquembe, Cacula, Chibia, Humpata, Cuvango, Jamba, Chipindo, Quilengues, Quipungo, Caconda, Chicomba, Matala e Gambos.
Referiu que, o governo local criou os grandes centros habitacionais, que são o “Projecto Eiva”, com 14 mil hectares e o da Quilemba com 5 mil.
Explicou que, os 5 mil hectares de espaço da Quilemba, foram subdivididos em 11 unidades de execução, destas, duas foram acauteladas para serem entregues à construção dos projectos de subordinação central e as restantes para a
auto-construção dirigida.
Revelou que os construtores se deparam com a falta de recursos financeiros.

Exploração proibida
O governo local proibiu a exploração de inertes, ao longo do perímetro do “Cristo Rei”, arredores da cidade do Lubango.
A decisão tomada pelo Conselho Consultivo Alargado do Governo Provincial da Huíla, deve-se a destruição da região que está submetida com a exploração, de forma acentuada de inertes.
A decisão está contida nas acções cautelares sobre a prevenção do lençol de água, flora e ordenamento urbano entre os limites administrativos do município do Lubango, que compreende o perímetro do Cristo-Rei à comuna da Palanca, no município da Humpata.