“Meus cotas, o novo mercado do peixe da Mabunda agora é aqui”. Foi com essas palavras que Chipalanca Lopes recebeu a equipa de reportagem do JE, depois de estacionarmos a viatura. Escamador do pescado há 12 anos, começou por dizer que não está satisfeito com as orientações da administração distrital da Samba, em Luanda.
“Por exemplo, no espaço em que fomos colocados para escamar o peixe dos clientes, além de pequeno, não tem água para lavar o produto e faz muito calor. Ainda assim, nem todos os meus colegas estão aqui. Imagina no fim-de-semana, período em que há muita “chuva” de clientes. Vamos ficar apertados”, afirmou.
Para Chipalanca Lopes o antigo espaço era melhor e havia lugar para todos. Acrescenta que apesar do lixo que se produzia, principalmente a escama de peixe, havia maior facturação “e tínhamos a mínima organização”. “Neste novo local, comecei a pagar desde terça-feira, cerca de 300 kwanzas como taxa de ocupação diária, mas não estou satisfeito”, revela.

Bancadas vazias
Segundo apurou o JE, o “braço-de-ferro” entre as comerciantes, armadores e a administração local, em função da proibição da descarga do pescado no antigo mercado da Mabunda, continua.
No novo local ainda é visível a desordem, logo à entrada. Gritos, chão molhado, empurrões e corridas entre fiscais e as comerciantes (senhoras) que insistem em não pagar a taxa de ocupação do espaço, assim como as que insistem em vender fora do mercado.
Fica-se com a impressão que “ninguém manda em ninguém”, num espaço apropriado para a comercialização do peixe e outros produtos que compõe a cesta básica.
Algumas bancadas continuam vazias e nota-se um descontentamento no rosto das daquelas pessoas que cumpriram com a obrigação.
“Meu filho, como vê estou aqui dentro, na minha bancada a vender para evitar a confusão, mas até ao momento não vendi nada, porque algumas pessoas insistem em vender lá fora. Elas ficam com todos os clientes. Assim como é que vou pagar a taxa!”, desabafou, Carla Neto com um ar de tristeza.
Adiantou que vai pagar pelo espaço que ocupa se tiver cliente, mas se a situação continuar “não poderá fazer nada, porque os clientes preferem comprar cebola, batata doce e tomate nas zungueiras”.
“O Estado, antes de conceber qualquer espaço público deve consultar o povo para as devidas contribuições e ajustes”, comentou.
Joana Carolina vende peixe há sete anos. Conta que essa proibição só veio “atrapalhar ainda mais as coisas que já estão difíceis”.
Realçou que nunca mais “teremos clientes como no antigo mercado”. Acrescentou ainda que as pessoas tomaram conhecimento da desordem que há e estão a ir para outros pontos de venda de peixe.
Segundo consta, o processo de transferência para o novo espaço comercial, que teve o seu início na passada quarta-feira, 1, surge no âmbito da prevenção da “cólera”, doença que ameaça aquela parte do litoral do distrito da Samba, município de Luanda.
O processo de transferência abrange igualmente as embarcações de pesca semi-industriais e industriais, para o porto pesqueiro da Boa Vista, no distrito urbano da Ingombota (Luanda).