Sexta-feira, 20. Cinco dias nos separam do Natal, data em que se comemora simbolicamente o nascimento de Jesus Cristo. Em quase todo mundo, regista-se um frenesim característico da véspera da quadra festiva, que começa no dia 25 de Dezembro e termina pouco depois do primeiro dia do ano seguinte.

Por cá, o sol escaldante de Luanda convida para as praias, mas indiferentes às preocupações deste, os trabalhadores só querem saber do cabaz e do 13º salário. Já os agentes económicos aproveitam a onda do consumismo, típico dessa fase, para facturar e fechar as contas em grande.

Nesse corre-corre, os ladrões anseiam obter a sua “quota-parte”, investindo a sua acção criminosa nas praças, becos, paragens de táxi e na calada da noite. Por isso, nesses dias que antecedem o Natal é, amiúde, ouvir-se dos mais velhos a máxima “viver não custa, é só saber andar”. Aliás, há quem diga que o Dezembro traz consigo “azares” que desaconselham as aventuras tentadoras.

Mercados cheios
Pessoas oriundas de várias partes de Luanda acorrem para os mercados informais ao redor da capital para abastecerem-se de produtos alimentares indispensáveis para uma quadra festiva digna do seu nome.

No mercado do Katinton, táxis, kupapatas (moto-táxi), “roboteiros”, vulgo “trabalhadores”, e transeuntes misturam-se num zigue-zague que remete a nossa imaginação para o interior de um enorme formigueiro.

Indiferentes ao cheiro nauseabundo dos produtos deteriorados no chão e ao lixo que se acumula próximo dos locais de venda de produtos alimentares, compradores e vendedores negoceiam o valor dos produtos postos à disposição dos interessados. “Quanto é a caixa de tomate?”, pergunta um cliente que recebe resposta imediata: “É 2.000 kz mano, vai levar quantas? Tem desconto…”. E nesse bate-papo, comerciantes facturam milhares de kwanzas por dia movimentando um sector emergente da economia angolana, o agro-negócio.

Com a implementação do Papagro (Programa de Aquisição de Produtos Agropecuários), o antigo problema do escoamento da produção agrícola foi minimizado, se não mesmo resolvido. Segundo o Secretário de Estado do Comércio, Álvaro Paixão Júnior, que falava durante a inauguração, no Zango, da trigésima primeira loja da rede Nosso Super, o Papagro é um programa que visa contribuir para o aumento da produção e do rendimento económico dos produtores. O facto é que, agora, os resultados deste programa são visíveis. Os mercados informais, por exemplo, registam abundância de produtos agrícolas como o tomate, facto que fez baixar o preço deste produto.

Preços estáveis
Questionada pela nossa reportagem, a vendedora ambulante conhecida por “mana Suzana” afirma que, por essa altura, os produtos que registam maior procura são: o tomate, batata rena e doce, bacalhau, óleo maná, leite Nido, frutas, arroz, fuba, frescos e bebidas. Quanto aos preços, ela disse que mantiveram o seu valor, sendo que alguns produtos baixaram o preço devido à quantidade da oferta. “Por exemplo, no ano passado, o balde de tomate custava 800 kz a 1.000 kz, agora custa 500 kz. Assim tá bom!”, disse contente.

Quando questionado sobre a variação de preços de outros produtos, Wade Garcia, comerciante de gás butano, afirmou que em comparação com a quadra festiva passada, os preços actuais estão melhores para o consumidor. “Basta recordar que em 2012 o gás de cozinha chegou a custar 4.500 kz (quase 50 dólares), hoje o preço oficial é 10 vezes menos, ou seja 450 kz” referiu.

Por sua vez, a comerciante Emília Gomes, lembrou que há cerca de dois anos que o preço do leite Nido tem se mantido estável. “Sempre comprei a 2.500 kz e até ao momento ainda não subiu”, disse com uma expressão de contentamento, porque, segundo afirmou, este é um dos produtos alimentares cujo preço sobe antes da quadra festiva. A fuba, que faz parte da dieta diária, também não subiu, continua a 100 kz o quilo, sendo que nalguns casos custa um pouco menos.

Postos no mercado do 30, a nossa reportagem constatou que os preços são praticamente os mesmos. Alguns produtos registam uma ligeira variação para mais ou para menos, como é o caso do preço do bacalhau que varia entre os 1.000 kz e 1.700 Kz conforme o tamanho.

Preços reflectem baixa inflação
Segundo o economista Celino Queta, a tendência de estabilidade dos preços que se verifica nos mercados reflecte o êxito da política macroeconómica levada a cabo pelo Executivo cujo impacto positivo na economia real tem permitido a redução da taxa de inflação a um dígito. “É preciso aliar as políticas macroeconómicas e o incentivo à produção interna para que, deste modo, possamos reduzir as importações e manter baixa a taxa de inflação”, apelou. Importa referir que, segundo o vice-governador do BNA, André Lopes, a taxa de inflação atingiu em Outubro último o valor mais baixo de sempre, situando-se em 8,4 por cento.

Nesta quadra festiva, o Ministério do Comércio garante que todo o aparato fiscal está montado para punir os que comprometerem os resultados até aqui conquistados, fazendo subir de forma oportunista e gananciosa os preços. “Apelamos ao respeito pelas normas e esperamos que os agentes económicos ajam com civismo comercial e respeito pelos direitos dos consumidores. Actos de natureza ilícita não ficarão impunes” declarou o Secretário de Estado do Comércio, Álvaro Paixão Júnior.

Com os ventos económicos a soprarem para bom porto e os preços a manterem-se estáveis ou com tendência de redução, há razões suficientemente motivadoras para desejar aos nossos leitores “Boas festas!”.