Durante a ronda realizada pelo JE foi possível constatar que a intenção é devolver à comunidade um bem-estar económico e social. Construir estradas mais duráveis, reduzir o engarrafamento na cidade é o que se pretende, tendo em vista o aumento da produtividade e a redução do absentismo.
Por exemplo, está a beneficiar de obras de manutenção a Avenida “Fidel Castro”, cujos trabalhos decorrem de forma satisfatória e que devem estar concluídos num prazo de nove meses, segundo dados anteriores do Instituto Nacional de Estradas (INEA), dona das obras.
Para fugir dos constrangimentos, nesta fase, seja quem sai da Centralidade do Kilamba ou quem vem pela via de Cacuaco ou Zango, utilizando a Via “Fidel de Castro”, os automobilistas que se deslocam para o Camama estão a usar uma via alternativa que desvia pelo Estádio Nacional 11 de Novembro, passa por detrás do Hotel Victória Garden, Subestação da Epal e RNT, adjacentes ao Instituto Superior Kalandula de Angola e num percurso de mais ou menos quatro quilómetros de terra batida chega-se à estrada direita da Camama. Seguindo o referido trajecto, cerca de meio quilómetro após o Centro de produção da TPA-Camama, desvia-se à esquerda e passando por uma zona residêncial, retoma a estrada da Camama e já nas imediações do Cemitério que leva o mesmo nome (Camama) segue-se pela rua que separa as casas do Campo Santo e reentra-se já defronte ao supermercado Alimenta Angola, num trajecto de pouco mais de quilómetro e meio. De volta ao asfalto, em direcção ao Golf II, o automobilista tem pela frente novos dois quilómetros e meio entre asfalto, terra batida e os buracos em breve vão desaparecer.

Golf II

Se no passado, para chegar ao Golf II, a partir da Centralidade do Kilamba, o automobilista demorava 40 minutos, agora o percurso é mais demorado. São preciso pouco mais de duas horas pela manhã (entre as 7 e as 9 horas), face ao trânsito congestionado que se assiste.
A circulação, apesar de estar “pesada”, está a valorizar as ruas, por onde as viaturas passam, pois está a possibilitar aos residentes investirem em pequenos negócios, por cá também designados de “janelas abertas” (casas com uma janela voltada à rua e através da qual o cliente é atendido).
O ancião Pedro Kangada, que vende água e refrigerantes, esfrega às mãos de contente, pois as vendas estão em alta. “Enquanto durarem as obras, vou aproveitar para vender mais”, disse.
Duas pessoas trabalham para ele. Um neto de 15 anos e uma sobrinha de 17.
O motorista de um mini-autocarro lotou o carro. Num banco para quatro pessoas, coloca 5 e ninguém pode reclamar. A procura é ainda maior do que a oferta, tanto que, anteriormente, trabalhavam até às 19 horas, agora terminam as 18, pois a conta do dia fecha-se mais cedo.
Benício, o motorista com um gorro na cabeça e cachimbo, desdramatiza o desgaste das peças. “Estamos a facturar neste momento. E, quando a estrada em construção terminar, estaremos muito bem”.
Numa das paragens, Lurdes Marques sobe aos empurrões no auto-carro. Com rosto fatigado e no meio do engarrafamento, pede um refrigerante a uma jovem vendedeira de refrigerantes para acalmar o stress. Num abrir e fechar de olhos, a menina conseguiu naquele instante amealhar 500 kwanzas, sinal de que o dia começa bem, o que também justifica a presença de jovens com muita “batata” (músculo e força de trabalho activa) na rua.
O cenário acontece nas duas vias, seja para quem sobe seja para quem desce. De acordo com os nossos entrevistados, o momento actual é dificil, mas há sinais de que bons tempos virão. Tanto assim é que fazem recurso à velha máxima segundo a qual “depois da tempestade vem a bonança”.

Avenida Fidel Castro

A partir da Centralidade do Kilamba, para chegar ao Benfica pela Avenida Fidel Castro (Via Expressa), a viagem está “dura” por causa das obras. Contudo, as vias secundárias e terciárias estão de certa forma a facilitar o trânsito.
Assim, para quem sai do Zango em direcção à cidade, passando pelo Benfica ou Lar do Patriota, pode usar como alternativa, a escapatória dos condomínios Jardim de Rosas ou Parque das Ácácias e desembocar quase no entroncamento do Lar do Patriota. Neste troço, as obras estão a decorrer sem sobresaltos, pois os dísticos no local acalmam os ânimos dos automobilistas. “Desculpe os transtornos. Estamos a trabalhar para o seu conforto”, lê-se.
Os automobilistas não se molestam e consideram que as obras são um bem que vai aumentar o tempo de vida útil das viaturas.
O senão está no aumento do preço por cada corrida. Por exemplo, nas horas de ponta, o passageiro paga 200 kwanzas contra os 150 kwanzas estabelecidos por Lei. Agora, com os engarrafamentos, o tempo a percorrer das imediações do Estádio 11 de Novembro ao Benfica está estimado em mais de uma hora, contra os 25 minutos anteriores.
O cenário que começou no município de Cacuaco está perto do fim e os automobilistas já começam a sentir um certo conforto e segurança na circulação rodoviário.