Banco Nacional de Angola (BNA) diz ter indicações de que pelo menos 30 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 4,9 triliões de kwanzas) pertencentes a Angola estão depositados no exterior em bancos comerciais correspondentes. A informação foi avançada nesta quarta-feira, em Luanda, pelo governador do banco central.
José de Lima Massano disse que metade deste dinheiro (15 mil milhões de dólares), explicou, são depósitos de bancos comerciais e instituições financeiras angolanas junto dos seus correspondentes no exterior, com base em dados da balança de pagamento compilados pelo Banco Internacional de Settlements (BIS).
Outra metade, segundo o governador, que falava à margem do encerramento do seminário sobre o combate à corrupção, nepotismo e branqueamento de capitais, promovido pelo MPLA, corresponde aos depósitos de entidades não financeiras, como o Tesouro Nacional, Fundo Soberano de Angola, empresas públicas e particulares.
Perante este cenário, referiu, o BNA vai redobrar a vigilância e aplicar de forma eficaz a legislação que evita a fuga e branqueamento de capitais para o estrangeiro.

Banco de Compensação
O Banco de Compensações Internacionais ou Banco de Pagamentos Internacionais( nasigla ingklesa Bank for International Settlements - BIS) é uma organização internacional responsável pela supervisão bancária. Visa “promover a cooperação entre os bancos centrais e outras agências na busca de estabilidade monetária e financeira”. Sediado em Basileia, na Suíça, reúne 55 bancos centrais de todo o mundo.
Visa a promoção da cooperação monetária e financeira internacional. Considerado “o banco dos bancos centrais”, constitui um fórum privilegiado para discussão ao mais alto nível de questões relativas ao sistema financeiro internacional e ao papel dos bancos centrais[2].
O BIS organiza reuniões periódicas entre os altos funcionários de seus membros, para discussões sobre a economia mundial, a política monetária e o sistema financeiro. Além disso, há encontros frequentes entre técnicos, onde são tratadas questões mais operacionais, como questões judiciais, gestão de reservas, TI, auditoria interna e cooperação técnica.
O BIS é responsável pela publicação de estatísticas e relatórios sobre os bancos centrais e o sistema financeiro mundial. Essas publicações são apresentadas em workshops e seminários em que também são oferecidas formações. Em sua sede, abrigam-se os secretariados de comitês como o Comitê dos Mercados, o Comitê do Sistema Financeiro Global e o Comitê de Basileia, fundados pelo G-10, em 1962, 1971 e 1974, respectivamente.
O banco possui ainda escritórios em Hong Kong e Cidade do México, onde também oferece uma série de serviços aos seus mais de 140 clientes.

Isabel dos Santos pediu que BNA esclareça onde páram os milhões

A empresária e ex- PCA da Sonangol pede que o banco Nacional de Angola (BNA) esclareça aos angolanos sobre o paradeiro dos 31 mil milhões de dólares que o país tem fora das contas nacionais.
Isabel dos Santos, entrevistada pela Tv Zimbo no final do seminário sobre branqueamento de capitais, que o MPLA realizou esta semana, em Luanda, disse existir muito pouca clareza na gestão das Finanças.
A empresária Isabel dos Santos, com um forte investimento na economia nacional, tem feito nos últimos tempos vários pronunciamentos, utilizando as redes sociais, direccionadas à transparência, eficiência e melhor governação da coisa pública.
O seminário de iniciativa do Mpla contou com o presidente do partido, José Eduardo dos Santos, na abertura, tendo na ocasião apelado para que a força política no poder e o Executivo  possam criar fóruns de permanente concertação para que as metas preconizadas no programa de governação sejam concretizadas.
O mesmo teve como objectivo esclarecer aos deputados, membros do Governo e outros responsáveis partidários sobre os limites da acção na gestão públicas.

Travar  fuga dE capitais

A fuga de capitais de Angola pode representar, anualmente, cerca de sete por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mais de 2,5 mil milhões de dólares, segundo estimativa tomadas com base em estatísticas internacionais.
Para o director do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, Alves da Rocha, o dinheiro que sai anualmente de Angola, de forma ilícita pode representar o PIB de muitos países africanos a sul do Sahara.
Refere que se a fuga de capitais fosse travada, permitiria uma redução directa anual de 2,11 por cento na taxa de pobreza.
“Isto tem reflexos. Se é capital que sai, vai alimentar outras economias, vai gerar empregos noutros países, quando nós também precisamos de investimento, de gerar emprego e distribuir melhor e mais rendimento”.