Pelos bairros, jovens ou senhores transportando-se em motorizadas de três rodas e carroçaria, vulgarmente conhecidas por “Kaleluyas” ou “Avô veio” procuram por sucatas de todo o tipo. O negócio é de fundição, que chega a proporcionar facturação suficiente para o sustento de Donana Mfumu Katota.
O pai de três filhos dedica-se à recolha de sucatas para pesagem e posterior venda faz ainda pouco tempo. No interior dos bairros, ele procura por objectos em cobre, estanho ou outro metal do qual tem uma lista de tradicionais clientes.
“Compro bateria ou outros objectos que podem ser fundidos e transformados em outros. A minha missão é recolher e levar aos malianos que pagam em média 150 a 300 kwanzas o quilograma, dependendo do produto que apresento”, explica.
Mas nesse negócio de buscar objectos para transformar as siderúrgicas são as especialistas.
Recentemente, o Ministério da Indústria solicitou um estudo sobre o parque de sucatas. O objectivo é determinar a sua quantidade e encontrar-se um equilíbrio entre os preços a serem praticados pelos industriais e pelas siderurgias de sucatas.
“É necessário encontrar uma política mais equilibrada entre a colecta, preço a ser praticado, compra nacional e internacional, e a possibilidade de exportação ou não”, disse a ministra Bernarda Martins.
De acordo com a governante, as decisões do sector da Indústria têm em vista a concretização do objectivo de proteger essa matéria-prima. Por tal razão, tomou-se a decisão de se estabelecer uma quota (quota zero) para a exportação de sucatas, no sentido de se preservar as reservas e alimentar as indústrias angolanas.
“É necessário haver uma concertação entre todos os que actuam no sector, para que, a quota a ser fixada em 2018, esteja de acordo com os integrantes do processo”, referiu.

O ambiente sucateiro
O negócio de venda e revenda de sucata ferrosa e não ferrosa, entre ferro, alumínio, bronze e cobre, de acordo com uma reportagem do Jornal de Angola, mantém-se firme no mercado informal, passados alguns anos desde o seu surgimento.
Sustentado pelos amontoados de lixo, tornou-se fonte de sustento de “caçadores”. Embora já não produza o lucro de outrora, quando ainda era permitida a entrada de viaturas em segunda mão, os comerciantes estabelecidos nos bairros periféricos de Luanda acreditam em dias melhores. Viana, Cazenga, Rangel, Palanca e Capolo lideram as “pesagens” e as vendas.
Por exemplo, o quilo de cobre pode ser comprado pelos “pesadores” a 300 kwanzas e o de alumínio a 50. O ferro é o que menos rende, com o quilo a custar apenas 10 kwanzas. Quando atingem a quantidade pretendida, exporta-se ou revende-se os metais.
O sector da sucata tem-se assumido como fundamental, enquanto matéria-prima para algumas fábricas que operam no país. A demonstrá-lo está a própria capacidade interna de transformação instalada, que anda na ordem das 120 mil toneladas por ano.
Com os projectos em carteira e outros já em fase de concretização, o país deve passar, em breve, para uma capacidade instalada de quase dois milhões de toneladas, afirmou o secretário de Estado para a Indústria, Kiala Gabriel.