O mercado de bebidas vai contar ainda este ano com a entrada de novas marcas. Apesar de reconhecer a existência de vários constrangimentos, sobretudo na aquisição de divisas para a importação de determinadas matérias-primas, a Refriango, líder na produção angolana de bebidas (refrigerantes, cervejas, água de mesa, vinhos e energéticas), tem tudo alinhado para que tal aconteça.
A empresa possui, neste momento, algumas linhas de produção paralisadas, mas ainda, assim, pretende aumentar a capacidade de produção de 200 para 210 milhões de litros/ano, o que deverá ser concretizado após a conclusão do plano de crescimento em curso.
De acordo com o seu administrador, Estêvão Daniel, é importante que o Executivo continue a apoiar com a disponibilidade de divisas para manter os pagamentos juntos dos fornecedores e garantir a continuidade dos projectos em carteira.
A empresa conta com 3.200 trabalhadores, 26 linhas de enchimento, 15 marcas de bebidas e 300 camiões que suportam a distribuição em
todo o território nacional.

Sumol+Compal
A situação cambial no país também impacta negativamente sobre a unidade da Sumol+Compal, o que tem condicionado o seu normal funcionamento. Implantada na comuna do Bom Jesus, município de Icolo e Bengo, em Luanda, a fábrica está a produzir sumos de marca Compal e “Um Bongo”, estes em embalagens de cartão asséptico de diversas capacidades, ao passo que os refrigerantes Sumol saem em latas.
Segundo o seu administrador-delegado, António Casanova, o BNA tem procurado atribuir, nos leilões, as divisas com determinadas prioridades, na qual a indústria é também contemplada.
“A verdade é que as atribuições de divisas nunca são suficientes e no nosso caso temos tido grandes dificuldades no pagamentos ao exterior”, frisou.
Conforme ressaltou, a componente do valor acrescentado local nas diversas actividades industrias é relativamente baixa, na medida em que a importação de matérias-primas sobre a produção da fabrica é de 70 por cento. As restantes
30 é que são de aquisição local.

Aumento da oferta
António Casanova revelou que está prevista a ampliação da capacidade de produção da fábrica com a instalação de mais duas linhas de enchimento.
“Por isso, estamos disponíveis para celebrar contratos com empresários agrícolas que possam surgir com projectos no domínio da produção de frutas. Ao criar-se a capacidade industrial, está-se a abrir a oportunidade da fileira de frutas para abastacer o mercado interno”, disse.
O volume de negócios da Sumol+Compal, em 2016, rondou aos 90 milhões de dólares. O gestor informou que não consta dos projectos da empresa a implantação de novas fábricas em outras províncias.
Angola contribui com 20 por cento de facturação dos negócios do grupo.
A fábrica está implantada numa área de 27 hectares, com duas linhas de enchimentos de embalagens e uma em latas, que juntas têm a capacidade de produzir acima de 780 mil litros/dia, o que perfaz, em média, 280 milhões de litros/ano.

Cobeje S.A
A Companhia de Bebidas de Bom Jesus S.A (COBEJE) produz, actualmente, 2.400.000 hectolitros/ano, contra os iniciais um milhão, que resulta de um investimento em equipamentos avaliados em 140 milhões de dólares.
O director-geral do Grupo, Philippe Frederic, disse que para assegurar estes níveis de produção anual a empresa necessita de importar matérias-primas entre quais 20 mil toneladas de malte, nove mil de milho e 2.500 de açúcar. Para minimizar estas necessidades, recorre a empresa angolana Vidrul, que fornece as garrafas em vidros. As caixas, paletas plásticas e rótulos recebe de outros fornecedores locais.
A unidade fabril dispõe de uma área de tratamento de matérias-prima, fermentação, filtração e controlo de qualidade, quatro linhas de engarrafamento com capacidade de produção de 500 mil garrafas/hora, além de zonas para produção de energia, manutenção e tratamento de água.

Angolatas investe
A Nampak Bevcan Angola (Angolata) quer produzir todo o tipo de latas para a indústria nacional de bebidas. Para que esse projecto seja concretizado, precisa-se de 20 milhões de dólares, com os quais se vai apostar na conversão de numa nova linha de produção de latas em alumínio, uma vez que as de aço deixaram de ser rentáveis, segundo o director-geral, Peter Mashangu.
O responsável garantiu que com este problema resolvido, a empresa vai aumentar o nível de produção em até 300 milhões de latas/mês e terá a capacidade para exportar para outros mercados.
Explicou, por outro lado, que as latas em alumínio são mais rentáveis e mais atractivas para a recolha do lixo, tornando-se menos nocivas ao ambiente.
Sobre as linhas de produção, disse que são automatizas e a mão-de-obra necessária para a sua operação abrange quadros nacionais e expatriados.
“Temos enfrentados algumas dificuldades com as divisas para compra de peças de reposição e constrangimentos no que toca aos pagamentos de salários aos expatriados, razão pela qual já perdemos quadros qualificados”, disse.

Sagres
“Made in Angola”

Lançamento acontece amanhã em Luanda numa das unidades hoteleiras da capital

A apresentação da nova Sagres, produção angolana, acontece amanhã, sábado (11), primeiramente à imprensa, pela manhã, numa das unidades hoteleiras da capital e, no final do dia, o acto público de amostra da composição da bebida originalmente de portugal, acontece na Fortaleza de S. Miguel, à marginal de Luanda.
De acordo com uma nota de imprensa a que o JE teve acesso, essa é, para a marca, a cerveja internacional de Angola, que mantendo a tradição preocupou-se com o reforço da familiarização aos paladares e exigência do público.
   Aposta é da Sociedade de Distribuição de Bebidas de Angola (Sodiba), que investiu no projecto 150 milhões de dólares. A ambição da nova firma é tornar-se a maior e melhor empresa produtora e distribuidora de bebidas no país.
Localizado em Bom Jesus, o complexo industrial/fabril conta com uma área total de 40 hectares e com uma capacidade de produção instalada de 144 milhões de litros/ano, extensível até 200 milhões de litros.
A Sodiba vai também fabricar uma nova cerveja cem por cento angolana, denominada “Luandina” que estará disponível no mercado até ao final do primeiro semestre de 2017.
A fábrica vai dedicar-se ainda à produção de águas engarrafadas, refrigerantes, polpas, concentrados e bebidas espirituosas.
A empresa conta já com 210 colaboradores contratados em 2016, dos quais 90 por cento são nacionais.
XA