Investimento na produção de arroz em grande escala pode ajudar a constituir para que o país resgate a mística dos anos 1970, que actualmente se situa abaixo das 30 mil toneladas anuais. As províncias das Lundas Norte, Sul, Moxico, Malanje, Bié e Uíge têm condições favoráveis para que o sector agrícola coloque o país a produzir a comida de que precisa, o que vai acabar com a importação de alimentos. Com necessidades anuais de 400 mil toneladas que são, sobretudo, importadas face à incipiente de produção interna, actualmente o arroz é o quarto produto da cesta básica mais procurado no país, depois do milho, da mandioca e do feijão. Dados do Ministério da Agricultura e Florestas indicam que na campanha agrícola 2015/2016, a produção de arroz foi de 24.576 toneladas, entre empresas agrícolas familiares (12.191) e agricultura empresarial (12.385). A fonte sustenta que para o sector agrícola responder as necessidades internas, terá que desbravar cerca de 300 mil hectares de arroz, plantando sementes de alta qualidade.

Apostar no cultivo
Em 2017, durante a quarta reunião do comité de coordenação conjunta do projecto de desenvolvimento de cultivo de arroz em Angola, que conta com o financiamento da Agência de Cooperação Internacional do Japão, o Governo angolano desafiou os empresários daquele país asiático a assumirem as unidades de produção que estão paralisadas em Angola. Nesse sentido, o Governo angolano comunicou a autorização da extensão dos ensaios com diferentes variedades de sementes de arroz que decorrem, ao abrigo da colaboração com o Japão, nas províncias do Huambo e do Bié. Em 2013, os governos de Angola e do Japão acordaram um programa de assistência técnica, japonesa, à produção de arroz em território angolano, sendo conhecidas as condições naturais favoráveis para esse cultivo, nomeadamente, nas províncias da Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Malanje, Bié e Uíge. O projecto de desenvolvimento de cultivo de arroz em Angola envolve o Ministério da Agricultura e Florestas, através do Instituto de Desenvolvimento Agrário com o financiamento e apoio técnico do Japão.

Dificuldades
O abandono ou reduzidos níveis de produção em várias regiões do país dificultam o cultivo que seja sustentável. Por exemplo, a Fazenda Longa, localizada na província do Cuando Cubango, tem 2 mil hectares, mas está paralisada há mais de três anos. Na campanha agrícola 2013/2014, a fazenda produziu mais de 4 mil toneladas de arroz, mas a crise financeira e cambial dificultou a aquisição de insumos e travou a produção. A par desta, outras unidades potenciais também carecem de investimento para a retoma.

* Com Agência