Os bancos digitais têm vindo a crescer em quase todo o mundo e a ganhar cada vez mais clientes, principalmente no Brasil e nos Estados Unidos da América, onde esta actividade está mais avançada. O seu surgimento veio para suprir, com tecnologia e eficiência um mercado que sofre com a burocracia nos grandes bancos. Por isso, Daniel Sapateiro, economista e administrador do DuBank, conversou com o JE sobre as mudanças na forma como muitos cuidam das suas finanças pessoais por via destes bancos e a abertura para breve do primeiro banco digital angolano.

A banca digital está a crescer em todo mundo. Angola é parte do globo vai contar este mês com a abertura do primeiro banco digital. Já agora, o que é de facto um banco digital?
Um banco digital é uma instituição financeira e monetária que pode receber depósitos e funcionar como um banco normal, só que sem estruturas físicas convencionais. No caso particular do DuBank, vai ter escritórios, mas não terá agências bancárias. Portanto, neste tipo de instituições, os serviços podem ser acessados via aplicativos instalados em telemóveis, e-mails, entre os quais o whatsapp e outros meios electrónicos, para troca de necessidades de informação entre bancos, clientes particulares e empresas.

Mas essa é a única diferença ou há outros elementos que o diferencia dos demais?
Tendo em conta que não tem agências bancárias, como os bancos os comerciais normais, tem muito menos custos de estruturas, o que reduz, obviamente, os valores pagos pelos clientes em comissões bancárias. Essa grande redução dos custos nos serviços que serão prestados, os clientes saem a ganhar. Imagina, por exemplo, se uma transferência custar 300 kwanzas, num banco normal, neste o cliente poderá ter que desembolsar apenas 30 ou 40 kwanzas por operação.

Vai ser possível realizar todo tipo de operação como nos bancos convencionais?Uma vez que o banco é digital.
Posso já dizer que vai ser possível fazer depósitos via electrónica e em todos os bancos, uma vez que teremos contas noutros bancos. Por outro lado, a quarta grande diferença entre um banco convencional e digital, é que vamos dar muita relevância a educação financeira, por ser um dos vectores para se conseguir chegar até as pessoas e elas confiarem numa instituição que não tem uma agência, estruturas físicas, gestores de conta ou um gerente. Isso só pode ser feito através de um programa de educação financeira, que contempla um conjunto de palestras e formações para informar os clientes.

Estamos a falar de Fintech, certo?

Que são maioritariamente startups que trabalham para inovar e optimizar serviços do sistema financeiro.
No mundo inteiro não se fala em banca digital. Banca digital é um termo português, que significa finanças e tecnologia. O termo que se usa é Fintech, que já começa a ser familiar cá entre nós e representa o futuro da banca nos próximos anos. Ainda temos muito trabalho pela frente, como levar o conhecimento sobre orçamento familiar, gestão de rendimentos às pessoas.

Os depósitos podem ser feitos outros bancos como disse atrás?
Também há essa possibilidade de se fazer depósitos noutros bancos. Teremos contas lá e haverá um controlo rigoroso sobre os valores que os clientes confiarem ao banco. A questão do internet banking é fundamental para fazer funcionar esta máquin, quer para a reduçaõ de custos, quer para os meios de pagamento. A interacção entre o cliente e o banco é fundamental, não só para mandar estratos bancários ou comprovativos, mas também na relação de confiança.

Quando de facto será a abertura do banco?
A abertura do banco está prevista para os finais de Fevereiro ou princípios de Março deste ano, mas estamos a tratar algumas questões com o Banco Nacional de Angola. A licença, posso dizer, já está atribuida, precisamos que algumas questões estejam limadas para procedermos a abertura formal do Banco. A banca digital é o futuro de um sector complexo.

Há informações que o banco vai abrir com um capital de 12 milhões de dolares. Confirma esse dado?
Na verdade, os 12 milhões de dólates norte-americanos que foram avançados inicialmente correspondem ao que já foi investido em infra-estruturas físicas, mas também a nível das comunicações, das aplicações tecnológicas para constituir todo backoffice. Em termos de plataforma é o que se usa nos maiores bancos do mundo, nomeadamente no Standard, só para ter uma ideia. Somos pioneiros, o que acarrecta riscos e aprendizagem continua, mas poderemos aumentar o capital.

E o capital vai ficar só por este que foi avançado ou pretende incrementar?
Como todos, temos que cumprir o instrutivo do BNA que é de 7,5 mil milhões de kwanzas e depois tem haver outro capital para oferecer os serviços de crédito. A lógica bancária é receber depósitos para fazer empréstimos, através dos juros voltar a injectar em novos créditos. Nesta fase são os próprios accionistas que têm que colocar capitais para fazer essa circulação do dinheiro na forma de crédito.

Mas isso na categoria dos bancos como é que se vai classificar esta instituição?
Um Banco Comercial, que vai ter uma parte do crédito e muito virado para a economia real, porque os bancos que temos na praça estão muito voltados para a compra da divida pública. Estaremos muito voltados para a economia real. Queremos angariar projectos viáveis que tenham retorno para os empresários e empreendedores, que muita das vezes não têm acesso a estes serviços, porque muitas vezes, os bancos não têm liquidiz suficiente para atendê-los.


O Banco terá abrangência nacional? E o que é que as provincia vão ter no caso?
Teremos sim cobertura nacional, mas com sede fiscal e social em Luanda. Vamos trabalhar muito com as administrações municipais, por ser o ponto mais próximo das pessoas. Nas províncias vamos criar agentes para questões documentais em zonas onde o banco não pode estar fisicamente. A vivência do banco será toda feita via electrónica: telemóvel, e-mails, contactos telefonicos, etc.

E as transferência externas estão salvaguardadas?
Não vamos estar para já vocacionados à actividade externa, nem de crédito de importação, porque isso obriga termos correspondestes bancários nos países onde os exportadores estão localizados. Futuramente, talvez, mas isso requer ter experiência de médio e longo prazos neste tipo de banca. Leva o seu tempo. Os bancos vivem de credibilidade, não queremos queimar etapas, queremos estar focados nos meios de pagamentos e no mercado bancário interno.

Como está composta a estrutura accionista?
Há participação de brasileira pela experiência neste tipo de banca, que foi desafidado para vir para Angola e depois um outro sócio angolano angolano.