O Governo angolano traçou vários eixos para potenciar a produção cafeícola entre os quais o financiamento e o seu fomento, recuperação e o seu desenvolvimento e do palmar, assim como a reabilitação da estação de investigação do café Gabela.
A essas estratégias, juntam-se a do Instituto Nacional do Café(INCA) que lhe foi cabimentado no orçamento não revisto o valor de 566,9 milhões de kwanzas (1,7 milhões de dólares).
O investimento público para o segmento, isto é, para os programas específicos e detalhados totaliza 3,620 mil milhões de kwanzas (10,9 milhões de dólares), um valor muito abaixo dos investimentos realizados nos países africanos maiores produtores.
Por exemplo, a Etiópia investiu mais de 860 milhões de dólares de 2016-2017 na produção e comercialização do café, considerado hoje a maior fonte de receita de exportação, apesar de alguns efeitos ligados a mudanças climáticas estarem a afectar a lavoura.Angola produzia antes da Independência cerca de 210 mil toneladas de café comercial anual, mas os níveis actuais estão calculados em cerca de 12,6 mil toneladas por ano, que representam cerca de 5 por cento da produção no passado.
A Etiópia fez crescer a produção e atingiu 7,65 milhões de sacas e o Uganda, a produção de café, depois de experimentar uma queda na safra 2015-2016, aumentou ligeiramente na safra seguinte e estima-se que crescerá em torno de 2,8% e atingirá 5,1 milhões de sacas de 60kg. Como a produção mundial de café da safra está estimada em 158 milhões de sacas de 60kg constata-se que a de todos os países do continente africano corresponderá a 11,2% desse volume.
Porém, apesar de ser praticada em quase todo o território nacional, a maior parte da produção é representada pelas províncias do Uíge e Cuanza Sul que concentram cerca de 77 por cento da produção nacional de café. O Uíge é a única província que tem detalhado o seu programa de apoio e fomento da produção de café no Orçamento Geral do Estado com uma verba de 37 milhões de kwanzas (112 mil dólares).
As restantes regiões do interior implementam o programa geral de fomento da produção agrícola onde inclui-se o fomento do café.
Este ano, a Huíla é a que mais recebe verbas com 3,25% do orçamento total da província num pacote de 2,7 mil milhões de kwanzas (8,2 milhões de dólares), secundada pelo Cuanza Sul com 957,6 milhões de kwanzas (2,8 milhões de dólares) e Benguela é a terceira com 287,9 milhões de kwanzas(871,3 mil dólares).

Camponeses mais apoiados

O Instituto Nacional do Café (INCA) vai implementar a produção do grão nas 18 províncias onde foram disponibilizadas mudas (plantas pequenas) de café.
O sector prevê que o aumento da produção passe também pelo alargamento de áreas cultivadas, e precisa-se para isso 25 milhões de mudas. Porém, até agora não tem metade deste número.
Para execução do projecto, vão ser inseridas mais de 25 mil famílias e 30 mil agentes ligados ao sector empresarial.
Consta do programa do Executivo a implementação e execução de um projecto com duração de cinco anos que consiste na torrefacção do café nos locais de produção.
Para este projecto mais de 678 explorações agrícolas e 10 mil empresariais vão ter o apoio directo do Estado e prevê a torrefacção de toda a produção nacional.
 O plano passa também pelo aumento das escolas de campo, comercialização e industrialização do café e perspectiva-se cobrir uma área superior a 929 hectares.
A  nova zona cafeícola está a ser realizada num eixo que integra o corredor Ganda/Cubal, na província de Benguela, Caluquembe, Chicuma e Chongoroi, na província da Huíla, zonas onde há grande dinamismo na plantação de café arábica.
Em Angola, o café mais produzido (95%) é do tipo robusta e a maioria da produção cafeícola é exportada para Espanha, Alemanha, Portugal e parte residual para a Itália.
A falta de incentivos económicos tem sido a maior dificuldade que se enfrenta para a dinamização do sector, considerando que com o investimento de 200 milhões de dólares se poderia atingir nos próximos 10 anos a produção anual de 100 mil toneladas.
As variedades que se cultivam em Angola são a Arábica e Robusta. 

António Eugénio