Um total de 32 projectos estruturantes, dos 74 apresentados pelo governo da província de Cabinda, ao Governo Central, foram aprovados em 2015, pelo Executivo angolano, inseridos no plano orçamental da linha de crédito da China, que visam acelerar o desenvolvimento da região.

O objectivo do Governo central é de ver concluídos os vários projectos do plano provincial de desenvolvimento, inseridos no Orçamento Geral do Estado, através dos recursos ordinários do “tesouro”, que iniciaram em 2009 e que pararam em 2011, por causa da crise financeira que o país atravessa.
Dos projectos estruturantes destaca-se a construção de valas de drenagem, estradas, o sistema viário da cidade de Cabinda, a construção de estações de tratamento dos esgotos e o perfilamento das valas de drenagem, que retomaram, em 2015, sob a responsabilidade do Ministério da Construção.
Dos 32 projectos aprovados, em Conselho de Ministros, com a execução da linha de crédito da China, tratam-se da construção e modernização do novo aeroporto de Cabinda, construção do porto de Águas profundas do Caio, construção do quebra-mar, do terminal marítimo e a electrificação da cidade de Cabinda.
Os projectos aprovados que visam acelerar a economia da província de Cabinda, com o financiamento da linha de crédito da China, tratam-se da reabilitação e reforço de abastecimento de água potável nos municípios de Cabinda, Cacongo, Belize e do Buco-Zau e da construção do campus universitário.
O programa contempla igualmente a construção do centro político administrativo do governo provincial, a construção do novo edifício do comando provincial da polícia e da construção da fase 1 e da etapa 2 das infra-estruturas integradas na cidade de Cabinda, a aquisição de dois navios de tipo “ro-ro” que farão a ligação Cabinda/Soyo/Luanda e de toda a zona costeira de Angola.
De acordo com a governadora Aldina Matilde Barros Catembo, apesar da paralisação de todas as obras da província que estavam inseridas no programa de recursos ordinários do tesouro, por falta de financiamento para a sua execução, o governo da província não cruzou os braços e em Abril de 2015 viu aprovados em Conselho de Ministros 32 projectos para serem suportados com a linha de crédito da China.
Em Abril de 2015, a governadora da província participou na reunião da comissão económica, do Conselho de Ministros, onde apresentou 74 projectos para serem incluídos na linha de crédito da China.
A governante reconheceu que o grau de execução dos projectos que constam no Plano Provincial de Desenvolvimento 2013/2017, atingiu 41 por cento, o que está muito longe de alcançar as metas definidas por causa da crise financeira que o país está a viver.
Adiantou que, com a execução em curso dos projectos inseridos na linha de crédito da China, vai permitir maior satisfação progressiva das aspirações da população da província de Cabinda.
“O governo da província de Cabinda tem a consciência que muito ainda deve ser feito e que nem tudo que foi projectado foi realizado conforme previsto. O país tem rumo e estamos no caminho certo, no sentido da satisfação progressiva das aspirações e dos anseios mais profundos das populações”, concluiu.

Aposta no ensino
No I trimestre de 2018, muitas obras inseridas na linha de crédito da China, serão concluídas, garantiu a governadora de Cabinda, Aldina Matilde Barros Catembo, num encontro que manteve, recentemente, na cidade de Cabinda, com as autoridades
tradicionais da provincia.
Com o financiamento do crédito da China, as obras da reitoria do Campus Universitário de Cabinda já estão concluídas a 95 por cento, restando apenas as unidades orgânicas da faculdade de Economia e do Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED). O projecto de construção do Campus Universitário de Cabinda, localizado na aldeia do Caio, contempla a implementação de unidades pedagógicas, hospital, residências para professores e estudantes, refeitórios, zonas desportivas, central de energia, espaços verdes, zonas de interface, parque de estacionamento e um anfiteatro com a capacidade para 250 pessoas.

Asfalto chega a bairros

Após a conclusão, em 2011, do projecto da construção das valas de drenagem no bairro do Luvassa a céu aberto e com a instalação de tampas, com o objectivo de permitir maior fluidez no escoamento das águas fluviais, até ao mar, iniciaram, este ano, no âmbito das obras de infra-estruturas integradas que compreendem as etapas 1 e 2.
As obras da etapa 1 compreendem a construção e a reabilitação das principais vias da cidade de Cabinda e bairros periféricos, como por exemplo, o 4 de Fevereiro, Gika e 1º de Maio, com o objectivo de melhorar a
mobilidade de peões e veículos.
De acordo com o plano estratégico, a que o JE teve acesso, neste momento estão em curso, a construção das vias do casco urbano da cidade de Cabinda, como são os
casos das valas de drenagem.
Actualmente estão a ser construídos 16,5 quilómetros (km) das vias do casco urbano da cidade de Cabinda, cuja execução está a cargo da construtora chinesa CRC.
 As pessoas vindas da zona Norte da província já não terão acesso às vias do casco urbano da cidade, por causa das obras de construção e reabilitação das vias.
A empresa CRC vai também intervencionar no melhoramento da Avenida Duque de Chiazi, com 3,7 km, ligando ao bairro 4 de Fevereiro.
Está também a ser intervencionada a rua da Missão, com 2,44 km, a rua do Chingengo (Papa-ngoma), com425 metros, rua das Forças Armadas com 1,4 km e a do Comércio, entre Manda-fama e a rotunda da República, no bairro Cabassango, com 4,2 km.
Com estes projectos, a circulação de pessoas e bens estará mais facilitada.
A rua da “Rádio Cabinda” já está asfaltada, numa altura em que decorre o melhoramento da rua do “Paixão” até às instalações
da Faculdade de Medicina.
Fonte do governo da província de Cabinda informou que a segunda fase das obras da via estão atrasadas por causa das demolições de algumas casas, medida que irá permitir que os trabalhos decorram na sua normalidade. As famílias a serem desalojadas vão ser transferidas para o bairro do Zongolo.

Macro drenagem
A par das obras de melhoramento das vias do casco urbano está, igualmente, em curso a construção de valas no Morro do Tchizo, que consiste na implementação de um projecto de macro drenagem integrado, com uma estrutura ecológica natural.
O objectivo principal da implementação do projecto de macro drenagem do morro do Tchizo, segundo fonte do governo provincial, é o de resolver os problemas de saneamento básico e de acumulação das águas nas zonas residênciais.
A outra meta do governo da província de Cabinda é o  desassoreamento de valas, a partir do Morro do Tchizo, para facilitar a passagem das águas fluviais, passando pela zona do Luvassa até ao mar.


Luz e água devolvem
o bem-estar familiar


No sector da Energia e Águas foi aprovada a expansão da rede eléctrica da cidade de Cabinda que vai beneficiar a vila de Lândana, município do Cacongo, com mais de 30 mil ligações domiciliarias.
Actualmente, decorrem trabalhos da etapa “zero” do programa de emergência, onde já foi recuperada a estação de tratamento de água do Caio e da ampliação da ETA 2, na localidade do Lombolombo, que vai levar a tubagem até aos tanques que se encontram no Tchizo, com o objectivo de aumentar os actuais níveis de produção.
Segundo o programa estratégico do sector, está também em curso um novo programa que, além de abastecer água potável às populações da cidade de Cabinda e da vila do Cacongo,   vai, igualmente, fornecer água aos municípios de Belize e do Buco-Zau, cuja execução está em fase final.
Também está a ser montado na aldeia do Sassa Zau uma estação que irá abastecer as cidades de Cabinda e Cacongo, o que irá permitir a execução de  mais outras 30 mil ligações domiciliarias.
A fonte acrescenta que técnicos do sector estão a trabalhar para a identificação das residências para a instalação da água e de energia eléctrica. O projecto prevê também beneficiar os municípios de Belize e do Buco-Zau.

Transportes movem
economia do enclave
A construção e ampliação do aeroporto de Cabinda “Maria Mambo Café”, cujas obras estão também a ser financiadas com a linha de crédito da China, visa que o projecto tenha a categoria internacional.
A infra-estrutura contará com equipamento de alta tecnologia de ajuda à navegação, uma pista de 3.400 metros de comprimento, um terminal de passageiros com a capacidade para
900 pessoas na hora de pico.

Porto do Caio
Já a construção do porto de águas profundas do Caio, um projecto público-privado, também, consta do plano a ser financiado pela linha de crédito da China, sendo que actualmente as obras estão em curso.
Houve um atraso de seis meses na execução por causa da alteração do projecto inicial, o que impediu a conclusão da primeira fase que estava prevista para Agosto deste ano.
Os trabalhos finais da primeira fase do porto do Caio comportam várias infra-estruturas como edifícios e serviços
técnicos de perfuração dos solos.
A conclusão das obras da primeira fase estão marcadas para o I trimestre de 2018.
O empreendimento terá dois quilómetros de comprimento e 1.200 de largura, dos quais 1.130 para atracagem de três ou quatro navios, com capacidades para  transportar mais de 5 mil contentores.
No quadro do programa do Ministério dos Transportes, a província de Cabinda será beneficiada  com 45 autocarros para reforçar a rede de transportes públicos.
Prevê-se ainda a construção de um quebra-mar para minimizar os problemas das calemas e do terminal marítimo de passageiros que vai ligar Cabinda/Soyo/Luanda e para o resto das províncias do litoral.
Prevê-se, igualmente, a aquisição de dois navios “ro-ro”, um para o transporte de carga e  outro para passageiro.

Habitantes mostram-se satisfeitos
com a construção de vários projectos

A população da província de Cabinda acredita que os vários projectos de infra-estruturas integradas que estão em curso a nível da região, quando estiverem concluídos vão garantir o rápido crescimento económico e consequentemente o bem-estar social das famílias.
Os habitantes destacam a construção do porto de águas profundas do Caio, a ampliação e reabilitação do aeroporto “Maria Mambo Café”, a construção do quebra-mar, além das infra-estruturas integradas, como as valas de drenagem bem como as vias de circulação do casco urbano
da cidade de Cabinda.
Não menos importante realçam os projectos de melhoramento dos níveis de produção e fornecimento de energia eléctrica e água potável, considerando fundamentais para o desenvolvimento da província.
Manuel Fogueiro, funcionário da empresa portuária de Cabinda, disse à reportagem do JE, que como cidadão, espera que as obras que estão em curso, venham mudar a imagem da província de Cabinda, e marquem uma viragem do bem-estar social das famílias.
Segundo avançou, a conclusão das obras de construção do Porto de águas profundas e do aeroporto local vão facilitar o aceleramento da economia.
“Como cidadão essas obras trarão um impacto significativo na vida de qualquer habitante”, disse, antes de acrescentar que por exemplo, as estradas “desempenham um papel importante no escoamento das mercadorias, na circulação de pessoas e bens, por isso, achamos que com a construção e reabilitação das vias haverá benefícios para a província de Cabinda”.
Quanto a construção do quebra-mar e do porto de águas profundas, o interlocutor entende que os dois empreendimentos vão alavancar e dinamizar a economia local.
“A ausência destes empreendimentos tem estado a dificultar o desenvolvimento da região, por isso, acreditamos que com a conclusão dessas infra-estruturas, a província de Cabinda será diferente dentro de cinco anos”, referiu.
Para Alberto Bembe, funcionário público, é importante que as autoridades competentes acelerem  a construção das várias obras em curso, com o objectivo de melhorar a imagem e a vida das pessoas.
“Decorrem em Cabinda muitas obras e pedimos que as empresas sejam céleres na conclusão das mesmas, para facilitar o progresso da região, porque, com um porto de águas profundas, o crescimento desta província será rápido”, sublinhou.
Para ele, é necessário que se acelere as obras do quebra-mar para facilitar que os navios atraquem sem problemas, porque “temos sido afectados com as calemas na recepção de mercadorias, onde vezes há em que ficam dois, três meses no alto mar,
por causa deste problema”.
ParaPascoal Kuabi, funcionário do porto de Cabinda, a execução das obras inscritas na linha de crédito da China vão trazer benefícios às populações locais e ao país.
“É uma mais-valia, porque todos estão a ver que as estradas não estão em condições, mas com a sua reabilitação, as vias vão facilitar a mobilidade das pessoas e bens. Aliás, estamos a constatar que transitar de um lado para o outro está difícil, mas acreditamos que no final das obras haverá melhorias”, destacou.
No sector da Energia e Águas, Kuabi destaca o processo de cadastramento em curso, tendo recomendado que as pessoas colaborem para “o sucesso da empreitada”.
A empreendedora Telma Kilombo frisa que o melhoramento das vias de comunicação, água potável e de energia eléctrica vai ajudar na atracção de muitos investidores para a província.
No seu entender, a falta de água, luz e de estradas dificulta o desenvolvimento socioeconómico e humano de Cabinda.
“Quando essas obras terminarem vão trazer vários benefícios para os cidadãos e vai permitir o desenvolvimento económico da região”, frisou.
Para ela, os sectores de água e energia “vão permitir aumentar os índices de produção, que ainda estã aquém do desejado”.
Telma Kilombo espera que a execução destes projectos seja devidamente acompanhada, para que as empresas envolvidas cumpram com os prazos estipulados nos contratos assinados.