O Executivo angolano, no quadro do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013/2017 para a aceleração do crescimento económico da província de Cabinda, contratou a empresa Benfim para dar continuidade às obras de construção do Pólo Industrial do Fútila, que se encontra a 20 quilómetros à norte da cidade de Cabinda, numa área de 2.344 hectares.
As obras do Pólo Industrial do Fútila, que reiniciaram, recentemente, com a visita da ministra da Indústria, Bernarda Martins, estavam abandonadas pelo antigo empreiteiro, por falta de pagamento.
O reinício das obras da primeira fase do empreendimento industrial, que vão ter a duração de 15 meses, ocupando uma área de 112 hectares, enquadra-se na parceria do Governo central, através do Ministério da Indústria e a empresa Benfim, conforme o Decreto Presidencial 70/15, com o objectivo de se dar continuidade às obras da infra-estrutura e do modelo de negócios.

Fábricas a instalar

O Pólo vai contar com os sectores ligados à produção de óleo alimentar, construção civil, indústria pesada, pesqueira, madeireira, petro-química e gás, transportes, logística, tecnologias, minerais, bebidas, agro-alimentar, química, têxtil, imobiliária, serviços, materiais de construção e plásticos.
O empreendimento vai ter vantagem para o desenvolvimento e crescimento económico da região, devido a sua aproximação com o campo petrolífero do Malongo, além do Porto de Águas Profundas.

Compromisso

O representante da empresa Benfim, Manuel Barata, que na ocasião apresentou as fases do programa de construção do projecto à delegação da ministra Bernardo Martins, referiu que desde o início das obras em 2013, foram executados a 90 por cento, com a movimentação de terra, 70 com a limpeza geral, 60 com os estudos topográficos e 30 com arruamentos e calçadas.
Acrescentou que 30 por cento das obras foram executadas para a instalação da rede de esgotos, 30 para as águas fluviais, 30 para a rede de abastecimento de água, 35 para a rede de instalação eléctrica, iluminação pública e tecnologias de informação, 50 para os edifícios de administração, bombeiros, pequenas infra-estruturas e 20 para a estação de tratamento de água potável e residuais.

Atraso das obras

A ministra Bernarda Martins esclareceu que o atraso que se verificou na conclusão das obras do Pólo do Fútila, iniciadas em 2013, deveu-se à falta de pagamento ao empreiteiro, devido à crise financeira que o país vive, com a queda do preço do petróleo no mercado internacional.
“O governo não pagou a primeira fase da obra e o empreiteiro abandonou os trabalhos. E foi preciso encontrar uma outra saída. Neste momento, identificamos uma empresa privada com capacidade técnica e financeira para dar continuidade à obra”, explicou.
Bernarda Martins disse que, o que foi feito antes da retirada do antigo empreiteiro da obra e com a entrada da empresa Benfim já é possível o Pólo do Futila começar a receber as primeiras indústrias que se mostrarem interessados em se instalar no local.

Prioridade do Ministério

De acordo com a ministra Bernarda Martins, no quadro do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2013/2017, as prioridades do sector da indústria transformadora, passam pela aposta da agro-indústria, por ser a primeira preferência do PND, em termos de actividade industrial.
“No PND 2013/2017, a prioridade recai na agro-indústria, com realce para o segmento da alimentação, assim como a ração, para vai alimentar os animais, afectos a indústria alimentar. O Executivo apoia as políticas para que esses projectos que são prioritários para o país sejam executados e implementados, numa iniciativa conjunta, com o apoio do sector privado”, disse.
Para a ministra, o Executivo tem desenvolvido alguns instrumentos para apoiar os projectos do sector, desde as infra-estruturas, pólos industriais e a criação de outros empreendimentos, que tornam cada vez mais favorável o ambiente de negócio.

Aquisição de divisas

A ministra da Indústria disse que a principal preocupação dos empresários nacionais prende-se com a aquisição de divisas, junto dos bancos comerciais para a compra de equipamentos, matéria-prima, peças de reposição, pagamento de salários aos expatriados e outros bens para o desenvolvimento da economia.
Segundo a governante, a queda do preço do petróleo no mercado internacional afectou significativamente a disponibilização de cambiais às empresas, o que também dificultou os empresários a importarem bens necessários para a economia nacional.
Bernarda Martins revelou que, o Executivo angolano fez estudos e acha que se pode voltar a primeira modalidade, em que os empresários adquirem os cambiais
juntos dos bancos comerciais.
“Em Abril deste ano, foi aprovado pelo Governo que cada um dos empresários deve trabalhar com os bancos comerciais para a compra de divisas. E estamos a trabalhar com este sistema desde os finais de 2015 e todo o ano de 2016”, assegurou.