O relatório anual da Organização das Nações Unidas sobre a Situação Económica Mundial e Perspectivas (WESP) refere que a economia mundial se fortaleceu à medida que as fragilidades persistentes relacionadas à crise financeira global diminuem, revelando que em 2017 o crescimento económico global atingiu 3% - a maior taxa de crescimento desde 2011 - e este crescimento deverá permanecer estável no próximo ano. O documento perspectiva para Angola um crescimento económico na ordem de 1,9 por cento no corrente ano (contra 0,7 em 2016) e de 2,7 até 2019.
De acordo com a publicação, lançada em Nova Iorque nesta segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017, a melhoria da situação económica global oferece uma oportunidade para os países se concentrarem na política em relação a questões de longo prazo, como o crescimento económico de baixo carbono, a redução das desigualdades, a diversificação económica e a eliminação de barreiras profundas institucionais que dificultam o desenvolvimento, indica o documento.
No entanto, as recentes melhorias no crescimento continuam distribuídas de maneira desigual entre países e regiões, segundo o WESP, poduzido pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (DESA) em colaboração com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), as cinco Comissões Regionais da ONU e a Organização
Mundial do Turismo (OMT).
“As perspectivas económicas para muitos exportadores de commodities continuam a ser particularmente desafiadoras. O crescimento negligenciável do PIB per capita é antecipado em várias partes da África, Ásia Ocidental e América Latina e Caribe”, salienta o documento, alertando que sem crescimento económico sustentado, as chances de colocar esse número em zero permanecem magras.
Adverte que para alcançar os objectivos de erradicar a pobreza e criar empregos dignos para todos é essencial abordar as questões estruturais de longo prazo que impedem um progresso mais rápido em direcção ao desenvolvimento sustentável e considera que o impulso na economia global oferece oportunidades para enfrentar problemas de desenvolvimento profundamente enraizados.

África
O relatório indica que a economia continuará a crescer gradualmente em África para chegar até 3,5% em 2018, 3,7 em 2019, 3,3 e 3,5 em 2018 e 2019, respectivamente, excluindo a Líbia. A melhoria modesta projectada no crescimento é sustentada pelo fortalecimento da demanda externa e pelo aumento moderado dos preços das commodities.
A melhoria do crescimento também será apoiada por condições domésticas mais favoráveis, incluindo a restauração da produção de petróleo na Argélia, Angola e Nigéria, o aumento da produção de petróleo de novos campos no Ghana e a República do Congo e a recuperação da produção agrícola e mineração na África do Sul. A melhoria do crescimento agregado da região em 2018-2019 é em grande parte atribuída a uma recuperação no Egipto, Nigéria e África do Sul, três das maiores economias de África.
Em comparação com as previsões feitas há um ano, houve uma revisão global para baixo do crescimento para o continente como um todo, devido a uma recuperação mais lenta do que o previsto em muitas economias exportadoras de commodities, especialmente exportadores
de combustível e minerais.
No futuro, o crescimento em África continuará limitado por vários obstáculos domésticos, incluindo o controlo cambial em Angola e na Nigéria, choques relacionados ao clima, especialmente na África Oriental, e incertezas políticas que levam à baixa confiança das empresas em países como a República Democrática do Congo, Quénia e África do Sul. Há também ameaças à segurança na África Oriental e em países da região do Sahel, ressalta o relatório.