Os operadores grossistas só devem vender produtos aos retalhistas devidamente autorizados para se travar a onda de especulação que ultimamente se tem registado no mercado nacional.


Segundo o inspector geral do Ministério do Comércio, Heleno Antunes, o grossista não deve vender a um comerciante em nome individual, pois, segundo o responsável, essa pessoa que não tem estrutura, nem loja e nenhum estabelecimento comercial vai deturpar os preços no mercado.

“Um comerciante que não está legalizado, que compra por exemplo 200 sacos de arroz, vai acondicionar os produtos em sua casa num quarto e depois vender no mercado ao preço que melhor lhe convier. E o lojista, comerciante retalhista, que paga os impostos e que está devidamente licenciado passa a não ter produtos no seu estabelecimento comercial”, sustentou Heleno Antunes.

Por isso, segundo argumenta o inspector, uma das obrigações, e é de lei, o que o grossista tem que fazer na altura da venda dos produtos é solicitar ao retalhista o alvará comercial que atesta que ele está autorizado a efectuar o comércio a retalho e este sim é que vai vender ao consumidor final. “A zungueira deve comprar os produtos ao retalhista para consumo próprio, ou para vender no mercado”, disse o responsável.

“E para se fazer cumprir a lei, desencadeámos uma inspecção multissectorial a nível do país, para numa primeira fase sensibilizar os comerciantes a reduzirem os preços, ou seja, praticarem os preços reais de acordo com a sua estrutura de cálculo e para que também voltem ao ciclo normal de comercialização que é a venda aos retalhistas”, sustentou Heleno Antunes.

Segundo o responsável, essa medida visa ainda desincentivar o grossista a vender ao consumidor final, ou seja, ao ambulante, porque isso quebra o ciclo normal de comercialização. “Os produtos ao invés de estarem nos estabelecimentos comerciais ou com os retalhistas aparecem na rua ao preço que bem entendem.

Apesar de a equipa multissectorial ter sido formada recentemente, o inspector-geral do Comércio, disse que os resultados são visíveis, “nós desencadeámos acções na segunda-feira última (22) e já temos bons resultados, mas só depois de uma semana é que teremos o balanço dos primeiros sete dias de trabalho. Mas, para nós, ainda é insignificante pois ainda temos muito trabalho pela frente”.

Segundo o responsável, já se tem registado baixa em alguns produtos, no caso do frango, galinha rija, óleo alimentar, leite fresco, açúcar e outros bens de primeira necessidade. “Temos uma relação onde comparamos o preço de venda inicial e o actual e depois partiremos para o preço real. Mas note-se que o preço actual ainda não é o real, não obstante se ter registado uma diminuição”, disse.

O inspector afirmou que numa primeira fase a equipa vai trabalhar nos bens importados, apesar de a intervenção ser a mesma nos de produção nacional, porque também se tem registado uma subida de preços em alguns produzidos localmente em função da dificuldade de transportação.