Todos os anos, o período em que se realiza a festa do Carnaval tem representado várias oportunidades de negócios em todo o mundo. Em Angola, a realidade não é diferente, sobretudo, nas capitais provinciais pelo facto de serem as mais desenvolvidas do ponto de vista económico. Neste contexto, a província de Luanda destaca-se nesta fase por ser ainda o maior centro comercial do país e acolhe com alguma expectativa a festa do entrudo com grupos oriundos dos vários municípios. Com o Carnaval que se considera como a maior manifestação cultural do país, surgem as oportunidades de negócios que passam necessariamente pela restauração, transportes rodoviários, comércio e entretenimento. Numa ronda feita pela reportagem do JE, foi possível constatar a corrida frenética dos operadores económicos de alguns estabelecimentos comerciais, assim como dos foliões que pretendiam sentir da melhor forma as emoções no dia do Carnaval. Na centralidade do Kilamba, por exemplo, o ambiente nalguns restaurantes era de convívio entre vizinhos e amigos. Adilson de Carvalho, gerente de um dos restaurantes naquela cidade há três anos, sem avançar números, admitiu que o período do entrudo tem garantido alguma facturação. “Geralmente preparamos alguns estilos musicais adequados ao momento, alguma inovação no cardápio e asseguramos uma boa quantidade de bebidas para evitar rotura de stok”, disse. No distrito urbano do Camama, município do Kilamba Kiaxi, estavam nas laterais várias pequenos restaurantes, barracas e “roulottes”, onde a procura de comida e bebida foi enorme por cidadãos de várias nacionalidades, inclusive, por agentes directos do evento. “Os preços não estão tão inflacionados como em outros tempos, aliás temos consciência da crise que vivemos. Por isso, temos preços para todos bolsos”, contou Adriana Gomes, proprietária de um restaurante naquela circunscrição. Festas agitadas Na capital, várias festas de carnaval foram realizadas e outras acontecem neste fim de semana ainda no espírito do entrudo, com objectivo de proporcionar alternativas às pessoas que por alguma razão não se deslocaram à Marginal de Luanda. Entre as várias propostas de festas destacam-se a “Ressaca do Carnaval” que acontece hoje no espaço MD no valor de cinco mil kwanzas para os homens e três para as mulheres. Há igualmente o “Carnaval de Praia” no Pátio Viana em que a organização promete entreter os convidados com várias animações. “Carnaval Molhado” é outra festa com banho de piscina à mistura, cuja organização vai premiar a melhor fantasia no valor de 100 mil kwnazas. Das festas que apurámos a mais cara é a do “Carnaval da Parada do Semba” que decorreu no na zona do Morro Bento numa realização do conceituado Dj Malvado com buffet e bar aberto. Os bilhetes foram vendidos no valor entre 15 a 20 mil kwanzas. O “Carnaval de Praia”, no Miami Beach que já vai na sua 16º edição, decorreu na Ilha de Luanda, com muita música e animação ao ritimo do Entrudo. E do “Peixe no Guetto, este Sábado, à entrada do Kilamba. cujo valor é 4 mil Kwanzas. Indústria rentável A consultora empresarial, Conceição Vaz, é de opinião que “não se deve continuar a ver o Carnaval como um momento de expressão político-administrativo, mas sim enquanto um momento cultural, lúdico e comercial-turístico”. “Libertemo-nos! Deixemos que os carnavalescos sejam exactamente uma profissão reconhecida, rentável e digna”, enfatizou, acrescentando que desde modo “criamos uma cadeia de valor à volta do Carnaval, com escolas técnico-profissionais, impulsionando o sector têxtil, dando mais espaço aos profissionais liberais, encenadores, iluminadores, maquiadores e compositores. “Carnaval é indústria e promove renda o ano todo”, escreveu na sua página do facebook à prposito da data. Executivo pretende tornar as festas de carnaval mais rentáveis O Ministério da Cultura pretende criar um plano estratégico no período 2021-2025, para garantir a eficiência e automonia dos grupos carnavalescos através da elaboração de um diploma. O objectivo é desenvolver um plano estratégico em que o Estado actue como regulador, criando políticas para que os grupos se transformem em associações, com capacidade organizativa e participação exitosa nas exibições, sem descurar o papel do Estado, por via do Ministério da Cultura, segundo a Angop. Na visão do secretário de Estado para as Indústrias Criativas e Culturais, João Pedro Lourenço, apesar das rubricas no OGE dedicadas ao financiamento do Carnaval, é necessário que se crie uma dinâmica fora da cabimentação do Estado para que o mesmo possa ser sustentado, uma vez que se verifica um aumento do número de participantes e não há uma capacidade financeira para dar resposta. O governante falava em Luanda, num encontro com as direcções provinciais da Cultura, Turismo, Juventude e Desporto e responsáveis de grupos carnavalescos para a recolha de contribuições que servirão para a elaboração do diploma. Vantagens Para o director provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desporto de Benguela, Cristóvão Kajibanga, os grupos devem ser transformados em organizações, mais para isso é necessário que haja assessoria para o fomento organizacional de maneiras que percebam as vantagens e permita que os grupos recolham algum subsídio junto dos lojistas, do morador na sua área de jurisdição, não aguardando apenas o auxílio do Estado. Já o director provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desporto da Huíla, Osvaldo Lunda, é necessário capitalizar as estruturas intermédias do carnaval, bastando apenas o Estado estabelecer as balizas e as directrizes. Diz que No seu ponto de vista é igualmente necessário maior divulgação da Lei do Mecenato, no sentido das empresas perceberem como devem apoiar as actividades culturais, desportistas e outras de formas que os grupos se tornem independentes do Governo.