Prevenir tem sempre um custo menor que reparar. Nos últimos anos, o mercado segurador em Angola tem registado um índice de crescimento em matéria de subscrição e aceitação de riscos nos mais variados tipos de seguro oferecidos pelas diversas seguradoras do país. Hoje, o mercado conta com mais de 20 seguradoras, mais de 50 corretoras (pessoa jurídica) e um número considerável de mediadores (pessoas físicas).
Este número de “players” do mercado, comparado com o crescimento económico nos últimos anos no país, ainda é insipiente face aos desafios que a nossa economia enfrenta, comparada com os países da região, com particular indicador ao mercado sul-africano, o mais robusto em termos de oferta e índice de crescimento no sector.
A taxa de penetração no mercado ainda é muito baixa, sendo considerado um dos factores associados a esta situação a falta de cultura de seguros por parte dos cidadãos, e para tal, é necessário que as instituições no mercado e os profissionais continuem a trabalhar para inverter o quadro, disseminando cada vez mais a importância social e económica dos serviços oferecidos pelas entidades seguradoras. Mas isto não é chega…
O sector Segurador e fundo de pensões tem grandes desafios para a economia resultante do peso que este possui para o PIB, bem como do investimento que as empresas seguradoras oferecem através da aplicação dos prémios dos seguros no mercado financeiro fruto do ciclo de investimentos.
Os seguros são autênticos geradores de emprego (directos e indirectos), além de contribuirem para o PIB, é um importante sector que deve continuar a merecer a atenção do Estado. As seguradoras têm feito o seu papel como agentes do mercado procurando elevar o grau de compromisso com a sociedade e o estado, diversificando a oferta dos produtos e respondendo a curto e médio prazo às necessidades dos segurados.
Trata-se de um grande desafio, que começa pelo elevado nível de incompreensão por parte dos cidadãos em assegurar os seus bens. Por outro lado, em Angola, os estudantes começam a tomar contacto na generalidade com a matéria de seguros e as suas garantias no ensino superior, pois há que mudar o quadro. A cultura de seguros deve começar no ensino médio, contando que os estudantes do ensino médio desenvolvam as suas capacidades e habilidades em matéria de empreendedorismo
nesta fase escolar.
Uma outra questão que se levanta é o papel do Estado em continuar a trabalhar para que as entidades reguladoras e supervisoras corrijam as imperfeições do mercado, capacitando as instituições com condições técnicas e sociais para que trabalhem de modo eficiente ajustando o trabalho dentro dos padrões normalmente aceites, visando responder
aos objectivos preconizados.
O Estado deve continuar a trabalhar para preservar todos os êxitos conquistado nos mais variados sectores da vida, de modo a que se possa investir em outros sectores. A contribuição do sector segurador para o PIB mesmo sendo insipiente comparado com os outros países da região, deve merecer maior atenção do Estado.
Resultado da sua transversalidade em todos os sectores da vida económica e social, o sector dos seguros é um importante porque ajuda na organização do Estado, na medida em que este assume as responsabilidades (sinistros) em forma de contratos, que poderiam ser acarretadas pelo Estado, aliviando, desta forma, a sua balança de pagamento com as despesaspúlicas.
Perante a nova dinâmica, os desafios da economia nacional, rumo ao desenvolvimento da indústria e da elevação do grau de estabilidade social das famílias e das empresas, os seguros representam um papel importantíssimo para garantir a continuidade destas, em caso de ocorrência de algum sinistro, sem que necessariamente ocorra a intervenção directa do Estado. Os seguros são factores de desenvolvimento cuja característica comunitária visa envolver todos os agentes no decorrer de um sinistro, atraindo, assim, mais subscritores, fazendo com que as perdas sejam cada vez mais reduzidas e que possam correr mais riscos. O modelo existente em outros países já provou que a subscrição de seguros é economicamente eficazes e ajudam alavancar a economia e o desenvolvimento.
Assistimos nos últimos anos no sector segurador a entrada de várias companhias, mais isto não significa qualidade de serviço, mas sim quantidade, pois é preciso que a diversificação traga qualidade e que esta responda às expectativas dos cidadãos.
Para que possamos vislumbrar um sector actuante, envolvente com o objectivo de rentabilizar a sua contribuição para economia, é importante que seja efectivada a fiscalização e a regularização do sector à medida do crescimento da economia através da ARSEG.
É importante que as seguradoras continuem a investir no capital humano e nas condições técnicas de trabalho, mas para que isto seja realidade, fazendo valer a sua performance, é importante que o Estado continue a assumir de facto e de júri o seu papel de fiscalizador e regulador, e que seja relevante a aplicação de sanções àqueles que ao desfavor da lei não façam uso dos seguros obrigatórios, a exemplo dos Obrigatórios de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais e o Seguro de Responsabilidade Civil Obrigatório e o seguro multi-risco habitação propriedade vertical.
Nassociedades modernas, o sector seguradorrepresenta um dos pilares para garantir a sobrevivência das empresas e a manutenção da vida em sociedade. São os seguros responsáveis pelo estímulo ao desenvolvimento da economia representando o reinvestimento.
Para que a economia funcione, é importante que tenha um sector económico e segurador forte capaz de responder às necessidades do mercado e repor as perdas do investimento feito.
Nenhuma economia se sustenta ao longo dos tempos sem que necessariamente estejam asseguradas as condições necessárias para a sua manutenção e gestão. Os seguros são parte e suporte desta sustentação.
O Estado angolano é o maior investidor em todos os sectores da vida económica e social, mas nem sempre será assim. É importante para que os investidores criem negócios em Angola e condições necessáriaspara fazer face aos investimentos futuros. O papel do Estado deve ser meramente fiscalizador e orientador, dando maior atenção àqueles sectores de grande relevância estratégica do ponto de vista de arrecadação de receitas.
Por outro lado, é importante fazer menção que as empresas seguradoras devem fortalecer o seu intercâmbio, através de acções entre quais a criação e materialização da Rede Nacional de Sociedades do Sector Segurador, de Fundos de Pensões e de Mediação de Seguros e Resseguros. Este instrumento será um passo importante, sobretudo no que toca à resolução das falhas detectadas no Sistema Nacional de Prevenção e Repressão do Branqueamento de Capitais e do Financiamento do Terrorismo. O cabal funcionamento deste sistema é crucial para o reposicionamento do sector financeiro angolano no contexto internacional.
Consolidar o modelo de Funcionamento e Supervisão da Agência de Regulação de Seguros (ARSEG) é um outro desafio que, por sua vez, passa por uma actuação do Estado mais evidente e que satisfaça aos objectivos deste e das sociedades seguradoras e fundo de pensões. É preciso investir cada vez mais na divulgação e promoção da cultura do seguro.
A velocidade da economia e a busca incansável para protecção do património são necessários para que todo o cidadão possa ver garantidos a protecção dos seus bens.