O volume de negócios registado pela 7ª edição da Feira da Banana (Feiba), realizada de 14 a 16 de Junho, na cidade de Caxito, capital da província do Bengo, estimado acima dos 270 milhões de kwanzas, revela o crescimento do certame ao longo dos anos.
Este ano, a Feira da Banana contou com a participação de 175 expositores nacionais, das províncias do Uíge, Malanje, Luanda, Zaire, Benguela e da anfitriã, Bengo, com pequenos e grandes agricultores a demonstrarem as suas potencialidades, e estrangeiros. Foram comercializadas 1.100 toneladas de produtos agrícolas diversos, além de outros serviços de apoio à produção nacional. As expectativas iniciais dos organizadores de que o volume de negócios atingisse os 150 milhões de kwanzas foram ultrapassadas em mais de 13 por cento, tendo a feira recebido mais de três mil visitantes nos três dias. Com a realização anual da Feira da Banana, o Bengo chama a atenção dos homens de negócios e investidores nacionais e estrangeiros para as enormes potencialidades da província, que atinge uma média de produção de 600 mil toneladas de produtos agrícolas por ano. A realização da feira agrada aos produtores, que têm neste certame uma grande oportunidade para se dar a conhecer e vincarem as suas capacidades em produzir e comercializar a banana e outros produtos agrícolas. Expositores das seis províncias paricipantes nesta 7ª edição mostraram-se satisfeitos pela forma como a feira esteve organizada e pelo volume de vendas alcançado. Os produtores e comercializadores elogiaram as condições de comodidade, que facilitaram sobremaneira a frequência e a visita do recinto. Visitantes e os próprios expositores puderam assim efecuar em segurança as suas compras. Além de banana, os produtores expuseram outros produtos agrícolas, como mandioca, kizaca, cana-de-açúcar, milho, safú, abacaxi, ginguba, dendém, abóbora, madeira e café. A 7ª edição da Feira da Banana permitiu aos grandes produtores reafirmarem o seu potencial, como foi o caso da fazenda Manuel Monteiro, de Benguela, vencedora do prémio “Banana de Ouro”, galardão que distingue a qualidade do produto apresentado. A fazenda Manuel Monteiro produz cachos de cerca de 70 quilogramas cada e banana-pão melhorada. A organização da Feiba distinguiu igualmente a fazenda TuriAgro prémio da “Banana de Prata” e a província do Uíge (Banana de Bronze). A feira foi ainda uma oportunidade para os perquenos produtores. Nessa categoria, foram premiados os municípios do Dande, Pango Aluquém e Nambuangongo, enquanto a Ecovegue conquistou o título de melhor empresa estrangeira na categoria de factores de produção. Foi também premiado o BFA, como melhor instituição bancária, a RNA, melhor cobertura de imprensa, e a Ferti Angola, como melhor stand, a Sonigeste, como melhor stand de factores de produção e de estudo e projectos, o Bic Seguros, como stand de melhor empresa seguradora e a Agrozootec, como melhor stand de equipamentos. Alguns grandes produtores, como a Novagrolíder, aproveitara a ocasião para enaltecer os seus feitos. Esta empresa anunciou a exportação semanal para Portugal de 120 toneladas de banana. O presidente do Conselho de Administração da empresa Caxito Rega, João Mpilamosi, disse que as exportações registaram, este ano, um aumento significativo, em relação a 2017, período em que foram exportados apenas cerca de mil toneladas. “O nosso produto na Europa é bastante aceitável. A equipa da Caxito Rega deslocou-se a Lisboa e constatamos que o nosso produto é bastante bom e isso vai fazer com que os produtores e as empresas exportadoras sejam auto-suficientes em termos de divisas”, frisou. O preço da banana no mercado nacional mantém-se estável e é aceitável. No perímetro irrigado de Caxito o quilo da banana oscila entre os 90 e os 100 kwanzas, enquanto nos mercados informais de Luanda e arredores o valor não ultrapassa os 250. O perímetro irrigado de Caxito tem uma área de quatro mil e 628 hectares e é destinado à produção de banana e horto-frutícolas. A 7ª edição da Feiba permitiu também a afirmação de agentes de outros sectores, como foi o caso do inventor Miguel Pereira, de 25 anos de idade, natural de Caxito, que apresentou durante o certame um projecto de energia renovável produzida a partir de frutas com acidez, com destaque para a ginguenga. O projecto foi elaborado com o objectivo de ajudar na melhoria da qualidade de vida das populações das zonas rurais sem energia eléctrica, bem como as comunidades com poucas possibilidades de aquisição de um gerador convencional. A renovação das cargas é feita entre cinco a oito meses e quando a fruta se encontra deteriorada, as mesmas acabam por ser aproveitadas para a produção de adubo e biogás. Países africanos, como o Egipto, Marrocos, Argélia e África do Sul investiram muito em energia renovável, uma aposta que, na opinião do inventor, deve ser seguida por Angola, por forma a contribuir para a melhoria do ambiente.