O Presidente da República, João Lourenço,  “agastado” com a crise de combustíveis em Angola, exonerou esta semana, o Conselho de Administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola - Sonangol e num outro decreto, o titular do poder Executivo nomeou para presidente do novo Conselho de Administração da petolífera estatal, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, cuja gestão herda dívidas e vários desafios, entre os quais o processo de reestruturação da companhia.
A nova administração, que integra também os administradores executivos António de Sousa Fernandes, Baltazar Agostinho Gonçalves Miguel, Jorge Barros Vinhas, Josina Marília Ngongo Mendes Baião, Luís Ferreira do Nascimento José Maria e Osvaldo Salvador de Lemos Macaia, herda os problemas da anterior direcção, entre os quais o programa de reestruturação da empresa.
Para os cargos de administradores não executivos foram igualmente nomeados André Lelo, José Gime, Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento e Marcolino José Carlos Moco, provenientes da anterior direcção.
Principais dificuldades
Entre as principais dificuldades que a actual gestão terá de lidar está a dificuldade de acesso às divisas, a elevada dívida dos principais clientes do segmento industrial, que consome cerca de 40 por cento da totalidade do combustível, cuja falta de pagamento condiciona a disponibilidade de kwanzas para a aquisição de moeda estrangeira.

Contraste de dados
A Sonangol publicou no mês passado, o balanço do primeiro trimestre de 2019, onde faz referência que o Estado angolano, via Sonangol, desembolsou um valor bruto na ordem dos 221,4 milhões de dólares com a importação de 397,5 mil toneladas métricas de petróleo, mas na realidade, esses valores contrastam com a realidade que se verifica agora.
Não obstante a actual situação, a petrolífera vai manter o foco no seu objecto social, que para a regularização dos mercados e continuar com o processo de pagamento aos fornecedores de produtos importados, para garantir quantidades suficientes para repor as condições de abastecimento, com muitas limitações até ao momento.
Embora a anterior direcção tenha referido ainda que foram iniciados os procedimentos para o lançamento do concurso público internacional para renovação da frota de navios, a situação não mudou de cenário, algo que levou a crise de combustíveis na semana passada, que perdura até hoje.

Racionalização imediata
A Sonangol veio a público pedir desculpas, em comunicado, e alertou a necessidade de racionalização do uso dos combustíveis, reafirmando o compromisso do retorno à normalidade nos próximos dias”, lê-se no documento.
De acordo com a nota, estes factores, surgiram em função de outros problemas, como o estado técnico das estradas nacionais, que condiciona o abastecimento por esta via, a única alternativa para algumas regiões do país, assim como as condições atmosféricas que, em determinados períodos, dificultam a atracagem dos navios.
Carlos Saturnino deixa para trás o plano de reestruturação da petrolífera que tem como objectivo tornar a empresa pública mais competitiva e rentável, com foco na cadeia primária de valor, observando os padrões internacionais de qualidade, saúde, segurança e ambiente.
Agora terá que ser a nova administração recém nomeada a levar o programa de reestruturação, que iniciou há quase dois anos, por forma a encontrar soluções capazes de contribuírem para a sustentabilidade e crescimento da indústria petrolífera.