O cenário é visto como uma quebra na geração de renda de muitos jovens que conseguiram o seu primeiro emprego (estima-se em mais de mil) ao mesmo tempo que se adia o desejo da construção da casa própria por parte dos cidadãos.
A reportagem do Jornal de Economia & Finanças fez uma ronda pela cidade do Sumbe, capital da província do Cuanza Sul, tendo ouvido os responsáveis das empresas concessionárias e revendedoras do cimento Yetu que é de produção local.
A revendedora “Tudo Posso”, de Quartim Ulombe, está a vender o último “stock” que dispunha nos seus armazéns a um preço de dois mil kwanzas por cada saco de 50 quilogramas. Depois disso, já não saberá como satisfazer os seus clientes nos próximos dias.
O gestor de vendas Zacarias Jorge afirmou que com o encerramento da fábrica de cimento da província, a empresa vê-se de mãos atadas e sem alternativas para adquirir o
produto noutros mercados.
“É uma situação crítica porque com a paralisação da fábrica fica longe a possibilidade de adquirirmos o produto noutros mercados, tendo em conta os custos operacionais que podem acarretar somas avultadas para fazer chegar o cimento à província”, disse.
Zacarias Jorge pede as autoridades competentes para persuadirem os gestores da unidade fabril no sentido de recuarem na decisão.
“Pedimos que o conselho de Administração da fábrica de cimento recue na decisão da paralisação da fábrica, que entendemos ser a única forma de salvaguardar os anseios das populações”, frisou.
Quanto aos preços praticados na venda do cimento, Zacarias Jorge anunciou que a venda do último stock existente no armazém processa-se para vincar o nome da empresa, numa altura em que não há compensação.
Na mesma senda está a empresa Lunguêmbia Trading Lda, que consegue comprar apenas 800 sacos por semana ao preço de mil e quinhentos e oitenta o saco e é revendido ao preço de mil 950 kwanzas.
Ardai Bindo Chipito lidera um grupo de 15 jovens que fazem do fabrico de blocos o seu ganha pão e com a subida do preço do saco do cimento no mercado já encontram saída para continuarem a exercer a sua actividade diária. O jovem disse que o cenário que se vive constitui um
duro golpe às suas aspirações.
“Nós vivíamos da actividade do fabrico de blocos e com a situação que vivemos resta-nos vender os últimos blocos e sem saber o que faremos nos
próximos meses”, desabafou.