Nesse momento em que as empresas chinesas privadas e estatais começavam a procurar novos mercados, o gigante económico asiático conseguiu conquistar uma posição proeminente na economia angolana.
As relações sino-angolanas caracterizam-se, por um lado pela crescente procura chinesa por petróleo e por recurso financeiro e, por outro lado, pela necessidade de reconstrução, facto que coloca Angola como o principal parceiro comercial em África.
Segundo apurou o JE, a cooperação oficial entre os dois estados é dominada, sobretudo, por empréstimos financeiros disponibilizados pelos seus principais bancos e que se destinam à construção e reabilitação de infra-estruturas.

Assistência financeira

No entanto, o primeiro empréstimo suportado pelo petróleo foi assinado com o Exim Bank em 2004. Este tipo de assistência financeira, assegurada pelo acesso chinês aos recursos naturais angolanos, com a compra de bens e a participação de empreiteiras chinesas, enquanto outras importantes linhas de crédito para Angola foram canalizadas através do Fundo
Internacional da China (CIF).
O CIF está envolvido, entre outros projectos, na reabilitação das três linhas ferroviárias nacionais e do novo aeroporto de Luanda. No sector petrolífero, a participação chinesa tem sido conduzida pelo investimento directo das companhias petrolíferas chinesas.

Trocas comerciais

Dados recentes indicam que o valor das trocas comerciais com a China ascenderam, no primeiro trimestre, em 61,32 por cento, para 5,55 mil milhões de dólares (cerca de 927 mil milhões de kwanzas) em relação ao mesmo período do ano passado,
segundo o Fórum de Macau.
Naquele período, as exportações para a China cresceram em 66,01 por cento, para 5,14 mil milhões de dólares (cerca de 870 mil milhões de kwanzas), face a importações de bens no valor de 412 milhões de dólares (cerca de 69 mil milhões), mais 19,28 por cento.
Em 2016, entre os países africanos Angola continuou a dominar a balança comercial com a China, entre Janeiro e Novembro, período em que vendeu bens avaliados em 12,6 mil milhões de dólares, contra 1,58 dos produtos comprados a actual segunda maior economia mundial.
Neste período, o comércio entre os dois países (Angola e a China) caíram 22,1 por cento, cifrando-se em 14,2 mil milhões de dólares, com Pequim a vender menos 53,84 face aos primeiros 11 meses de 2015 e Angola a vender menos 14,77 a actual segunda
maior economia mundial.
Apesar disso, o Estado angolano está entre os países de língua oficial portuguesa que beneficiam, desde Abril deste ano, de um tratamento preferencial concedido ao abrigo das novas regras de importação aprovadas pela China. A intenção é que os países menos desenvolvidos que queiram aproveitar o tratamento preferencial devem registar junto das autoridades da China qual o produto ou produtos a exportar e provar que se trata na realidade
de um produto nacional.

Banco chinês


Conforme dados a que tivemos acesso, o Banco da China começa a operar no II semestre deste ano com uma sucursal em Luanda, com a finalidade de apoiar o comércio e facilitar o investimento chinês em Angola.
A medida surge tendo em conta o crescente interesse de muitos empresários angolanos e chineses em intensificarem as parcerias em diversos sectores económicos, com destaque para a agricultura, indústria e infra-estruturas.
Com vista a incrementar as relações entre os empresários dos dois países, a Câmara de Comércio Angola/China (CAC) criou, recentemente em Luanda, um Alto Conselho Estratégico, a fim de aproximar os homens de negócio aos objectivos dos programas económicos e estratégicos de Angola, assim como contribuir na construção colectiva de uma estratégia
nacional do sector privado.
O organismo de carácter consultivo tem como missão projectar e supervisionar as políticas que facilitam a operacionalização dos programas económicos e estratégicos do país, no qual integram 54 membros, entre empresários
angolanos e chineses.
O Alto Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Angola/China é um órgão de carácter consultivo que depende directamente do presidente da CAC e funcionará como uma plataforma desta instituição. A CAC garante trabalhar na criação de condições para que os empresários e investidores chineses continuem a olhar para Angola com confiança e a
investir cada vez mais no país.