Isaque Lourenço

A grandeza da Zona Económica Especial (ZEE), em Viana, dá honras à edição 2018 da Feira Internacional de Luanda (FILDA). Agora longe do recreativo espaço da Baía de Luanda ou mesmo da quase esquecida e vandalizada estrutura do Cazenga, utilizadas nas anteriores edições, nesta, cada nave que se ultrapassa até ao local das exposições, sobe a consciência que uma indústria nacional está a ser preparada para os desafios do curto e médio prazo.
Dista a 30 quilómetros do centro da cidade a contar de quem sai do largo do 1º de Maio, à Praça da Independência. Os acessos estão em boas condições e a ligação por estes dias conta até com o serviço especial da transportadora Tcul.
Ainda assim, no interior da Filda é visível a ausência de ofertas inovadoras como se caracterizou as edições de há quatro ou cinco anos. Saudades, sim e não.
Vê-se o futuro. Há espaço para florescer a indústria angolana, que, curiosamente, nesta edição está menos presente, admitindo a liderança do sector de serviços e comércio. Mas a Filda sempre foi exposição do potencial agro-industrial e das perspectivas do que a economia pode gerar.
Até a habitual oferta de empregos, os jovens dizem não encontar, mas eles, os jovens, estão, ainda asim, aos montes à entrada à espera
que lhes grassa a sorte do dia.
Lá dentro estão 372 expositores, dos quais 260 são nacionais. Uma má fotografia sim é a presença apenas de 13 dos 29 bancos comerciais que operam. E os que estão lá mais do que novos serviços, parecem reduzidos a publicitar os serviços já conhecidos e a abrir contas bancárias a custo zero. Mas já dizia alguém, ...quem não tem dinheiro para abrir uma conta bancária, talvez
não tenha o que nela guardar.
Circula-se no espaço de lês-à -lês e a observação mais real é a da Associação Industrial de Angola (AIA), cuja pertinência obrigará a que se aborde do mesmo em outros momento: é preciso devolver a Filda aos industriais para que logo logo o prestígio regresse a nossa maior montra de negócios.