Alguns participantes às primeiras jornadas técnico-científicas sobre metodologia de classificação e cálculo de reservas dos recursos minerais sólidos e de hidrocarbonetos em Angola sugeriram a criação de uma comissão técnica especializada que se dedicaria apenas a este desafio: que esteja disponível para fazer levantamento, actualizações, consultas públicas, para uniformizar os conceitos.
O trabalho deve ser feito antes de qualquer tomada de decisão (sobre que modelo adoptar).
Durante a formação foram apresentadas quatro normas de classificação e determinação de recursos e reservas internacionalmente aceites: SEC (Security and Exchange Comission), SPE-PRMS (Petroleum Resources Management System), códigos JORC e NI 43-101.
O primeiro, é um órgão federal dos EUA que garante a segurança e transparência dos dados declarados na Bolsa de Valores norte-americanos, enquanto o segundo é uma associação internacional de engenheiros de petróleo que disponibiliza a título facultativo para o sector petrolífero um conjunto de directrizes para uniformizar a metodologia de classificação e determinação de recursos e reservas.

Entrevistas
À margem da formação em que participaram quadros do sector, o JE ouviu os dois formadores e mais cinco técnicos sobre os cálculos de reservas.
O professor Beck Nader, de nacionalidade brasileira, que possui 37 anos de experiência no ramo da engenharia e organização empresarial, sugere que Angola deve aplicar nos cálculos de reservas o código Jorc, adoptado pela Austrália, por fazer uma melhor intepretação geológica possuindo um padrão excelente para a elaboração de relatórios abrangendo toda a cadeia de produção mineral, desde a prospecção até à exploração, ao contrário do NI 43-101 usado no Canadá.
Por sua vez, Dan Olds, professor norte-americano com 35 anos de experiência, afirma que a metodologia a aplicar em Angola deve ser a SPE-PRMS usada pelos EUA.
O formando Dário Pascoal, geólogo de profissão, considerou valiosa a formação, o que lhe permitirá fazer uma análise mais cuidada sobre as metodologias e classificação das reservas. Kimba Baptista, do Laboratório Geo Angola, considera que o país deve criar o seu próprio código para se achar as reservas a exemplo da China, EUA e em alguns países da Europa. Essa opinião é corroborada por Dorivaldo de Almeida, engenheiro sénior de petróleos da Sonangol Pesquisa e Produção. Para ele, o método mais adequado para Angola é o SPE-PRMS uma vez que é o mais utilizado internacionalmente estando em uso pela operadora da Sonangol E.P que trabalha com empresas internacionalmente credíveis para a auditoria e certificação das reservas da empresa e consequentemente do país. “Angola deve trabalhar mais no que diz respeito às reservas, visto que reservas é dinheiro e dinheiro é importante para o desenvolvimento do país”, disse. Olegário Pereira e Guilhermina Bumba são de opinião que devem-se criar diplomas específicos para ajudar na definição e avaliação de reservas no subsolo angolano. 

Duas Turmas formadas com segmento e visão diferentes 

Na formação, que decorreu de 22 a 27 de Outubro, no Instituto Nacional de Petróleos (INP) no Sumbe, os organizadores das primeiras jornadas técnico-científicas sobre metodologia de classificação e cálculo de reservas dos recursos minerais sólidos e de hidrocarbonetos em Angola, repartiram as turmas em duas partes, sendo uma ligada aos técnicos que trabalham para o sector petrolífero, e outra para o sector da mineração.
A primeira foi orientada pelo professor Dan Olds, engenheiro de petróleos formado pela Universidade de Houston United, e a segunda turma orientada pelo professor doutor Beck Nader, engenheiro de minas e especialista na indústria mineira, e docente do Departamento de Engenharia de Minas, da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil. Cada turma organizou e elaborou um documento de recomendações para o próximo ciclo de formação. A primeira recomendou que se promovam cursos de especialização em áreas específicas do sector petrolífero nas universidades ou instituições públicas, tendo em conta as respostas específicas que colmatem a deficiência de “know-how” nas respectivas áreas. Estes cursos devem ser intensivos. Outra condição importantíssima seria que se evoluísse a nível dos conteúdos serem transmitidos em português, ainda que necessário fosse recorrer a tradução.
A componente prática deveria ser a prioridade do curso. Este princípio dever-se-ia usar já a partir do conteúdo programático do novo Instituto Superior de Petróleo.
Já a segunda apelou à adopção das normas que auxiliarão as empresas a manterem seus dados controlados, com rastreabilidade, materialidade e tratados com a competência necessária para serem aceites a nível internacional.
Adicionalmente a isso, apelaram que sejam executados treinamentos em relação a tecnologias e técnicas específicas aos processos de amostragem, geologia e mineração ao pessoal técnico tanto das empresas como dos órgãos públicos dos Estado, além da parceria entre a universidade, os centros de pesquisa, indústrias e sectores estatais para o fomento tecnológico do país.