Entre os temas do momento que os ministros produtores de petróleo africano deverão avaliar também está o da continuidade de preços reduzidos e a incerteza com a procura de petróleo, que tem originado a redução de investimentos, sobretudo na pesquisa de novos campos petrolíferos.
Os ministros de Petróleos e Recursos Minerais de 15 dos 18 países-membros da organização africana devem adoptar na reunião que acontece no Centro de Convenções de Talatona (CCTA), um conjunto de medidas que visam garantir que a voz de África seja mais forte nas decisões internacionais dos mercados energéticos com realce para o sector dos petróleos.
A reforma, na visão da APPO, visa adequar a organização, rever a sua missão e adaptá-la ao novo contexto petrolífero internacional, além de suprir as necessidades energéticas do continente africano.
A constatação que continua a preocupar os responsáveis de recursos minerais e petróleo está no facto de a África possuir muitos recursos energéticos, mas enfrentar inúmeras carências neste domínio.
Por outro lado, a organização africana quer ainda maior cooperação entre os países produtores, uma vez que a partilha de projectos poderão reflectir-se numa melhoria do desempenho local, tanto no âmbito técnico-operacional, tanto no político-legislativo.
Na abertura do encontro de peritos, esta semana, numa das unidades hoteleiras da capital, o secretário de Estado dos Petróleos, Paulino Jerónimo, falou do momento em que a indústria petrolífera tenta adaptar-se à nova realidade imposta pela conjuntura actual do mercado mundial.
Na ocasião, Paulino Jerónimo disse que o encontro de Luanda acontece num momento de grande reflexão sobre o caminho a seguir pela indústria petrolífera.
O secretário de Estado admitiu, nesta senda, que o cenário actual do preço do petróleo no mercado internacional obriga a todos os operadores e empresas de prestação de serviços a serem cada vez mais engenhosos na procura de soluções de redução de custos, sem comprometer a produção e tornar as operações mais eficientes.
“A baixa do preço do petróleo tem imposto uma mudança de paradigma e grandes desafios que podem refrear investimentos, quer na pesquisa, quer no desenvolvimento de novos campos”, disse.

Os temas das discussões

O Comité Técnico para Reforma dos Órgãos Executivos da APPO, que esteve reunido desde segunda-feira, em Luanda, finalizou e remeteu aos ministros da organização o estudo sobre a reforma e recapitalização, de acordo com as deliberações do encontro de Abidjan, Cotê d’Ivoire, em Abril do ano passado.
Com estas decisões, que os ministros deverão ratificar, ainda hoje, aguarda-se por mais cooperação técnica e um maior alcance do fundo financeiro que sustenta os projectos de formação e partilha de “know how” entre os estados.
Os estados membros da Organização dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APPO) contribuem com 88 por cento para o total da produção do crude e gás do continente, afirmou hoje (quinta-feira) o director executivo do fundo da APPO, Babafemi Oyewole.
A organização defende o facto de o petróleo e gás serem de importância estratégica para os países africanos produtores de petróleo membros da APPO, pois a sua produção representa mais de 90 por cento das receitas de exportações desses estados.
A APPO evolui da extinta Associação dos Países Africanos Produtores de Petróleo dos (APPA), organização intergovernamental criada em 1987 em Lagos, na Nigéria, para servir como uma plataforma dos países africanos produtores de hidrocarbonetos.
São membros a Argélia, Angola, Benin, Camarões, Tchade, República Democrática do Congo, Congo (Brazzaville), Côte d’Ivoire, Egipto, Gabão, Ghana, Guiné Equatorial, África do Sul, Líbia, Mauritânia, Namíbia, Nigéria e Sudão.