Angola previu para o ano passado um crescimento real da economia de 1,1 por cento (proposta do OGE 2018), mas estimativas recentes do Ministério da Economia e Planeamento apontam para um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) agregado de 0,90 por cento, em 2017, que acomoda um crescimento real do sector não petrolífero de 1,90% e um decréscimo de 1,00% do sector petrolífero.
2017 foi marcado pela retoma do desempenho da actividade económica, desencadeada pela relativa melhoria na cotação internacional do preço do petróleo, de um preço médio de 45 dólares o barril, durante o período de 2015 e 2016, para um aumento ligeiro de 55 dólares, em 2017, com impactos evidentes em todos os sectores da economia.
As estimativas angolanas tiveram como pressupostos uma taxa de câmbio média de 165,90 kwanzas por cada dólar do mercado primário, um preço médio do barril de petróleo de 48,40 dólares e uma taxa de inflação de 22,92%. Com isso, a revisão efectuada distanciou-se do crescimento previsto no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2013-2017), de 4,30% para 2017.

Contracção do sector petrolífero
Na base da evolução do PIB esteve, sobretudo, a contracção do sector petrolífero, tendo em conta a diminuição da produção petrolífera anual de 638,20 milhões de barris para 631,60 milhões de barris em 2017. A quota de Angola, decorrente do acordo da OPEP, situa-se em 1,67 milhões de barris por dia.
O sector não petrolífero apresentou uma aceleração do seu ritmo de crescimento de 0,68 pontos percentuais (p.p.), transversal a maioria dos sectores, excepto os sectores da Agricultura e Construção. Contudo, os sectores de Energia (mais 20,33 p.p.) e Diamantes e Outros (mais 3,36 p.p.) foram áreas cuja actividade económica mais acelerou.
Pelo terceiro ano consecutivo, o sector da indústria transformadora apresentou, em 2017, um crescimento negativo de 0,70%, o que pode justificar-se pelo período de ajustamento que ocorreu durante o ano, resultando na redução das importações de matérias-primas, subsidiárias, peças de substituição, assistência técnica e pagamento de salários de trabalhadores expatriados.
Além disso, foram observados outros constrangimentos relacionados com a subida do custo de produção de energia e dos combustíveis, assim como do custo de capital, por via do aumento das taxas de juro activas.

Projecções do FMI
As projecções mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para um crescimento real da economia mundial na ordem dos 3,9% em 2017, cerca de 0,5 pontos percentuais, superior ao que se verificou em 2016, com estimativas de crescimento das economias avançadas a rondar os 2,3%, superior aos 1,7% estimados para o ano anterior.
Em termos das economias emergentes e em desenvolvimento, o FMI aponta para um crescimento de 4,7% em 2017, uma melhoria de cerca de 0,3 pontos percentuais face a 2016. Em Janeiro de 2018, o FMI apresentou a revisão das estimativas de 2017 e previsões para 2018. Em 2017, prevê-se uma taxa de crescimento mundial de 3,70% e para 2018 de 3,90%. O Outlook do FMI destaca, dentre as economias avançadas, as contribuições para a melhoria do PIB mundial da Alemanha, Coreia do Sul, Japão e EUA.
Dentre as economias emergentes, foi destacado o crescimento do Brasil, China e África do Sul. O crescimento económico foi suportado sobretudo pelo aumento do investimento na Europa e América do Norte, pela subida da produção industrial na Ásia e pelo aumento do índice de confiança do consumidor a nível mundial. Todavia, para a África Subsaariana houve uma manutenção da taxa de crescimento económico em 2,70%, em 2017, e para 2018 ocorreu uma revisão em baixa de 0,10 p.p. para 3,50%, resultante da combinação da revisão em baixa da África do Sul, apesar da revisão em alta da Nigéria.