As condições climáticas, qualidade de pastos, associada ao revelo planáltico, fazem do planalto de Camabatela, região que envolve 12 municípios das províncias do Cuanza-Norte, Uíge e Malanje, propicia para a criação e desenvolvimento da actividade agro-pecuária, que é uma das premissas do Executivo angolano, no quadro do processo da diversificação da economia e redução de importação de carne.
O projecto envolve a recuperação de mais de 200 fazendas, onde actualmente são criadas mais de 25 mil cabeças de gado bovino, ao contrário das mais de 100 mil que havia na década dos anos 80, até princípios de 1992.
O JE apurou que os criadores locais desenvolvem também a criação de outros mamíferos de médio porte, como o caso de cabritos, ovelhas e porcos que podem servir de suporte à produção industrial do matadouro de Camabatela, inaugurado no I semestre do corrente ano.
O secretário de Estado da Agricultura para o sector Empresarial, Carlos Alberto, durante uma visita de trabalho ao planalto de Camabatela, realizada no segundo semestre do ano em curso, com o propósito de avaliar a qualidade das infra-estruturas e estado de funcionalidade de algumas fazendas locais, revelou que serão importados cerca de 12 mil cabeças de gado.
O responsável frisou que o objectivo do Executivo é garantir o repovoamento bovino a nível do planalto de Camabatela, por forma a garantir o funcionamento pleno do matadouro, tendo avançando que os animais podem ser importados a partir do Brasil, África do Sul, Namíbia e Botswana.
O responsável disse que até Junho próximo prevê-se a aquisição de outras cinco mil que de um modo geral, vão permitir o arranque do matadouro de Camabatela que possui uma capacidade de abate diário de 200 cabeças de gado e outras 150 de suínos e caprinos.
Fez saber que o novo “efectivo” de gado vai ser distribuído aos fazendeiros locais que reúnem as condições necessárias
para a estadia dos bois.
Em sua opinião, a criação, engorda a reprodução das 25 mil cabeças já existentes a nível das mais de 200 fazendas do planalto de Camabatela vão ser o suporte da actividade contínua do funcionamento do matadouro.
Carlos Alberto assegurou que o projecto é fiável, sustentando que a sua projecção data de 2008, com a criação da Coopalca que tem contribuído para o melhoramento das questões de âmbito organizacional.
O projecto está associado ao apoio das entidades administrativas do município que em seu entender permitem a criação das condições do ponto de vista do parqueamento, tanques banheiros, currais e mangas
de vacinação para o gado.

Inauguração do matadouro
A inauguração do matadouro de Camabatela, em Agosto, abre novos horizontes para a economia nacional pelo facto de melhorar a oferta de carne bovina e caprina com qualidade, associada a produção de farinha de ossos e gordura animal.
A pele e couro, são outros produtos que podem ser produzidos pelo imóvel que quando atingir o seu pleno funcionamento vai garantir mais de 200 postos de trabalho directos e indirectos para a juventude.
A infra-estrutura está erguida a cinco quilómetros da sede municipal de Ambaca, província do Cuanza-Norte, tem capacidade para abater diariamente 200 bovinos e 300 caprinos, a par dos suínos e outros, perfazendo um total de 4.400 cabeças mês e 52.800 animais por ano, sem contar com sete toneladas de gordura animal que se prevêm produzir diariamente.
O projecto foi criado através de uma parceria público-privada, envolvendo os governos de Angola e Espanha, tendo orçado mais de 13,4 milhõesde dólares americanos, cuja execução das obras duraram dois anos.
Durante a inauguração, o ministro da Agricultura e Florestas, Marcos Nhunga, disse que a entrada em funcionamento do matadouro vai resolver 50 por cento das necessidades de carne a nível da região Norte do país, aliada ao funcionamento do matadouro de Malanje e Catete, que podem melhorar de forma significativa a oferta do produto.
Sublinhou que a abertura da infra-estrutura está enquadrada no programa do Governo para o sector da agricultura, visando a diversificação da economia nacional, criando premissas para alcançar a auto-suficiência e reduzir os índices de importação
de produtos de origem animal.
Marcos Nhunga revelou que o investimento feito na construção do matadouro de Camabatela, obriga o Governo, a continuar a criar políticas para capacitar os quadros nacionais ligados ao desenvolvimento da pecuária, mas especificamente nos domínios da alimentação, nutrição, sanidade, infra-estruturas, melhoramento genético e a comercialização dos animais.
Avançou também que o matadouro vai impulsionar o crescimento das mais de 200 fazendas existentes no planalto Camabatela, nos domínios de cria, recria e engorda dos animais.
Aconselhou os pecuaristas da região no sentido de crescerem de mãos dadas, em qualidade e quantidade na criação de gado, e sobretudo, na transformação do potencial existente, em dinheiro para contribuirem para o desenvolvimento do país.
O ministro reconheceu haver ainda muito trabalho por se fazer a nível da produção de alimentos, principalmente no que diz respeito a criação das infra-estruturas, controlo de doenças e na selecção de raças de gado adaptáveis as condições climatéricas do planalto.
De acordo com o ministro, o Governo pretende oferecer a população alimentos com qualidade e boas oportunidades de negócio rentáveis, razão pela qual, a criação do matadouro, ao produzir gorduras animais e peles podem alimentar as indústrias do curtume, alimentação animal e detergentes.
“O planalto de Camabatela constitui uma vasta e importante planície situada na zona noroeste do território angolano, marcando uma transição abrupta entre a faixa litorânea e a baixa de Cassange, na bacia do Congo, com cerca de 1.410.000 hectares, dotado de potencial natural no domínio da produção pecuária”, disse.

Criar rendimentos
Rui Cruz em nome dos criadores da cooperativa agropecuária do planalto de Camabatela frisou que a abertura do matadouro marca um momento importante para a região, pelo facto de criar possibilidade dos criadores venderem os seus animais com rendimentos justos, contribuindo para o desenvolvimento da região.
Fez saber que a infra-estrutura, que substitui um antigo, construído na era colonial, que até ao início dos anos 90 funcionou com uma capacidade de 100 cabeças dia, facto que demonstra o empenho do Executivo na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, em particular os que habitam na zona de circunscrição do planalto de Camabatela.
Por sua vez, o criador João Vicente Cuandeca, filiado à Cooplaca há 10 anos, possui uma fazenda com 1.300 hectares, onde cria 100 cabeças de gado, afirma que a criação da Coopla tem estado a permitir a organização e desenvolvimento das fazendas, embora de forma paulatina, dando emprego a vários jovens, e venda de carne fresca à população.
Gaspar Segunda é trabalhador de uma fazenda implantada no perímetro. Tem 30 anos, natural da aldeia do Donga, Ambaca, e destaca que a abertura da Cooplaca permitiu que ele e mais dois amigos de infância conseguissem o primeiro emprego.
O planalto de Camabatela compreende as províncias do Cuanza-Norte, com 318.134 hectares, incluindo os municípios de Samba-Caju e Ambaca. Malanje com 736.851 hectares, abarcando as regiões de Cacuso, e Calandula, a par do Uíge com uma extensão de 192.869 hectares, que abrangem os municípios de Negage, Uíge, Puri, Alto Cawale, Cangola, Damba, Bungo e Mucaba.