O ministro das Finanças, Armando Manuel, disse que é fundamental que a gestão das finanças públicas faça a sua parte para o desenvolvimento do cenário internacional de modo a não colocar em risco os fundamentos da transparência e da responsabilidade fiscal que asseguram a solidez das contas fiscais, monetárias e cambiais.


Segundo o governante, que falava recentemete na cerimónia de apresentação do estudo “banca em análise” promovido pela Deloitte Angola, a solidez tem sido âncora da credibilidade política, económica e financeira que proporciona ao sistema financeiro nacional um ambiente de negócios seguro e protegido do endividamento público.

Para o ministro, a banca nacional tem ajudado, de forma positiva, o crescimento do sector não petrolífero, através da sua dinâmica e diversificação dos serviços de crédito. Armando Manuel garantiu que a queda da produção do crude e dos preços do petróleo no mercado internacional jamais comprometerá a execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) /2014.

Indicadores
O titular da pasta das Finanças argumentou que a execução do OGE não terá problemas, na medida em que o défice estimado rondará à volta de quatro por cento do PIB, contra o resultado superavitário de 0,3 por cento registado no exercício anterior. Para o governante, a economia angolana deverá crescer, no decurso deste ano, na ordem de 4 por cento, alicerçado no crescimento de 7,3 do sector não petrolífero, estimativas das autoridades que coincidem com as conclusões da recente missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), no âmbito das consultas regulares ao país.

Armando Manuel salientou que os indicadores de qualidade de crédito, concedido ao sector produtivo e ao consumo de bens produzidos localmente, constituem pontos focais de grande relevância para a avaliação de riscos e oportunidades para a economia nacional.

Política orçamental
O Banco Nacional de Angola (BNA) tem implementado políticas de gestão financeira com vista a tornar o mercado monetário mais apetecível, o que tem contribuído para o surgimento de novos operadores e a atracção de mais investimentos privados. Segundo o governador do BNA José Massano de Lima, que falava na cerimónia de encerramento da apresentação do relatório da Deloitte, o sistema financeiro nacional tem se mantido sólido, estando a média de satisfação abaixo em 22 por cento, cerca de 12 pontos percentuais acima do regulado.

O gestor assegurou que a estabilidade do sistema apresenta-se forte, com uma taxa de cerca de 60 por cento e o crescimento do sector bancário tem sido extensivo a todos segmentos da economia. Estes indicadores permitiram que a taxa de bancarização atingisse a cifra de 55 por cento da população adulta até Junho de 2014, bem acima da média da África Subsahariana.

Evolução
Os activos do sistema bancário do país atingiram no primeiro semestre do ano em curso, um total de 7,2 triliões de kwanzas, segundo dados avançados pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA). Tendo por isso resultado na criação de uma zona para atendimento aos clientes para reduzir a demanda. Por isso, a partir de Janeiro de 2015, as instituições interessadas em criar cartões electrónicos de pagamento deverão ter serviços de “call center” (centro de atendimento) em língua portuguesa disponível 24 horas de segunda à sexta-feira.

Por outro lado, o responsável sublinhou que os bancos jogam um papel preponderante na alocação de fundos para a economia nacional, daí a necessidade de trabalhar com produtos, serviços cada vez mais dinâmicos que se ajustam com as necessidades do mercado.

Assim, segundo disse, os últimos seis anos, foram de transformações significativas e de estabilidade da moeda, assim como na abertura de mais bancos nacionais e estrangeiros, acompanhado com um quadro remuneratório com os padrões internacionalmente aceites.

Segundo o governador, as iniciativas adoptadas pelo BNA têm trazido um valor acrescentado na melhoria segura e movimentação da economia. Por isso, assegura que o BNA vai continuar a apostar na melhoria dos serviços à semelhança do que se regista hoje nas consultas dos serviços bancários através do telemóvel.

Abraçar a inovação como fonte de diferenciação estratégica e como oportunidade de prática para facilitar a vida da população é um dos desafios a que se propõe o BNA.Os indicadores apontam que o peso do crédito na economia corresponde a 25 por cento do produto interno bruto, abaixo dos níveis que se constata nas economias emergentes. O responsável reconheceu que o país continua com índices de importação muito altos de bens de primeira necessidade que poderiam ser produzidos internamente.

Regulamentação benéfica
Para o governador, os últimos 10 anos foram de transformações significativas para a economia angolana, em particular para o sector bancário.

“Realçamos a estabilidade da moeda, a abertura de bancos nacionais e estrangeiros, acompanhada pela adequação do quadro regulatório a padrões internacionalmente aceites”.

Neste particular, sublinha o gestor, é importante considerar que as iniciativas regulamentares que o Banco Nacional de Angola tem vindo a adoptar, visam também estimular a difusão de produtos e serviços inovadores sob critérios de eficiência, inclusão, segurança e equilíbrio nas relações com o mercado.

“Regulamentamos a emissão de moeda electrónica em Angola, permitindo que serviços de pagamento possam também ser prestados por telemóvel. É mais um desafio que se coloca ao sistema e um instrumento que vai colocar a inovação ao serviço da inclusão financeira na nossa sociedade”, enfatizou