Num espaço de 10 mil metros quadrados da Zona Económica Especial Luanda/Bengo (ZEELB) estão a expor cerca de 200 empresas ligadas aos vários segmentos, entre públicas e privadas, nacionais e estrangeiras.
É visível a azáfama dos participantes e visitantes que procuram unir sinergias e conhecimentos, com base a um objectivo comum: “Crescer, a fazer crescer”, que, aliás, é o lema do evento que prevê, através do incremento da produção interna, diminuir a importação rumo ao desenvolvimento socioeconómico do país.
Durante esta semana, os agentes económicos vão apresentar as suas potencialidades, criar parcerias, atrair clientes, aumentar a carteira de negócios e mostrar a robustez da economia angolana.
A ZEELB é, neste momento, o ponto obrigatório para medir o “pulso” dos indicadores e o caminho a seguir para deixar de depender exclusivamente do petróleo.

Participantes confiantes
Os sinais de indicadores de que a economia está a galgar passos correctos vêem da província do Huambo, onde a empresa Habitec, que se dedica a transformação da madeira para a feitura de carteiras e móveis de qualidade.
O administrador da empresa, Domingos Leonardo disse à reportagem do JE que atrair o maior número de clientes é um dos objectivos. Segundo contou, tudo começou em 2010, altura em que recebeu um financiamento de 750 mil dólares do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), que foi aplicado para a compra de maquinaria.
A produção diária de carteiras é de 350 e absorveu uma mão-de-obra de 115 pessoas.
Localizada na zona industrial do Huambo, a firma satisfaz o mercado com mobília diversa à crédito, em muitos casos, num período de 60 dias. Actualmente tem um volume de negócio anual de 3,5 milhões de dólares.
Outro sinal de que a economia segue passos seguros são apresentados pelo director de operações da empresa LCC, Bilal Moussa. Com a marca conhecida no mercado nacional “Media”, a firma se dedica ao fabrico de tinta, colchões, chapas, tubos e plásticos. Mesmo em tempo de “crise”, a empresa manteve os 500 trabalhadores, que asseguram a produção diária.
As “operações” começaram em 1998, altura em que os proprietários investiram acima de 100 milhões de dólares, sendo que o volume de negócio está na ordem de 100 milhões de dólares/ano.
A empresa “Joia FEF”, que conta com uma área de 10 hectares no município de Cacuaco, em Luanda, está a persistir no mercado, factor que motivou manter os 250 trabalhadores.
Com aposta para o fabrico de produtos sanitários, a firma investiu 15 milhões de dólares, há cerca de um ano.
A unidade produtiva tem 10 linhas de produção diária de 10 mil embalagens de papel higiénico, guardanapos e outros.
O administrador da empresa, Habtom Kidane, afirmou que a matéria-prima para o fabrico dos produtos é obtida no exterior, e em alguns casos é proveniente do mercado nacional. Com uma concorrência com a “Suave”, o gestor já pensa em começar a comercializar alguns produtos em alguns países da SADC.
A fazenda “Aurora” investiu na produção de alimentos, para diminuir a dependência externa. Por exemplo, na Expo-indústria, a empresa tem expostos lacticínios, produzidos dos derivados de leite, como o Yogurt, mel orgânico e queijos.
O director comercial da fazenda, Simão Júnior, revelou que diariamente tem 3.400 produtos diversos. Um universo de 115 trabalhadores, garantem os “bens” que abastecem as grandes superfícies comerciais da capital do país, além de outras províncias. Face ao alargamento da actividade comercial, a fábrica chega a facturar mensalmente 16 milhões de kwanzas.
Além do mercado nacional, a matéria-prima vem também da África do Sul e Israel.

Construção civil destaca-se
No recinto, várias empresas ligadas ao sector da Construção Civil também mostram as potencialidades. A Associação da Indústria Cimenteira de Angola (AICA) apresenta produtos dos seus associados, nomeadamente a CIF, que tem uma capacidade de produção de 3,6 milhões de toneladas por ano e a Cimangola com 1,8 milhões.
No leque está também a Fábrica de Cimento do Kwanza-Sul (FCKS) que conta com uma produção de 1,4 milhões, a fábrica de cimento Cimenfort, localizada no município da Catumbela (Benguela) que tem uma produção de 1,4 milhões, bem como a Secil Lobito, com 260 mil toneladas por ano, respectivamente.
O presidente da AICA, Manuel da Silva Pacavira Júnior, disse que a capacidade instalada do Clinquer, representa 6.450.000 toneladas. Até 2016, o cimento tinha atingido a produção de 8 milhões de toneladas, sendo que a partir de 2017, a cifra foi de 8,6 milhões.
Nos últimos quatro anos, a comercialização do cimento apresentou resultados pouco animadores, tendo alcançado 4,9 milhões toneladas, em média. Por exemplo, em 2015 foram comercializadas 5,1 milhões de toneladas, em 2016 (3,8), em 2017 (2,6) e até ao mês de Outubro de 2018, se atingiu as cerca de 2,2 milhões de toneladas. O representante da associação revelou ainda que a nível da utilização dos equipamentos em relação a capacidade instalada, verificou-se uma média de 61 por cento em 2014, tendo subido em 2015 para 64, em 2016 (48) e em 2017 baixou para 30 por cento.
Até Outubro de 2018, a cifra estava calculada em 26 por cento, com as marcas Yetu, Tunga, Portaland, Portaland de calcário, Cimenfort a se destacarem na comercialização.