O custo de produção e a diminuição de consumo de ovos têm estado a “travar” os investimentos no sector avícola, apesar do Executivo angolano ter tomado medidas para defender o sector.
Segundo o presidente da Associação Agro-pecuária de Angola, José Alexandre Silva, o país poderá alcançar a auto-suficiência na produção de ovos e frango, mas só quando “ houverem subsídios à produção de cereais”, contribuindo para um menor custo de produção e maior facilidade no escoamento de ovos e frangos.
“Tudo está em volta de aumentar a competitividade dos produtos nacionais e dessa forma haver um maior estímulo para investir no sector”, revelou.
O também adminstrador da Fazenda Santo António (Quibala)entende que os incentivos para que os objectivos sejam alcançados podem ser directos e indirectos. Para ele, para se aumentar a competitividade deve ser feita também “através dos subsídios à agricultura, havendo um menor custo de produção, benefícios fiscais que incidam em toda a fileira, electrificação das zonas rurais e melhorias das rodovias, diminuindo assim o custo da logística e indirectamente beneficiar o sector”.
Quanto aos índices de produção de ovos e frango no mercado nacional, o gestor entende que Angola já se produz ovos com índices de produtividade equiparados a qualquer lugar do mundo, havendo também muita qualidade.
“No sector do frango estamos ainda muito aquém das necessidades do país, visto haver muito produto importado e dificuldade em produzir com valores satisfatórios para as necessidades de mercado”, precisou.

Mais estímulos
José Alexandre Silva é de opinião de que a proibição da importação do ovo torna a produção nacional mais competitiva e é essencial porque estimula “os investimentos a nível nacional, havendo uma promoção do produto nacional”.
Sobre a pretensão do país vir dentro de 5 ou 10 anos a atingir a auto-suficiência na produção de cereais, principal produto para a ração, José Alexandre Silva acredita que a intenção é “exequível”. No entanto, defende para tal a criação de medidas que promovam a produção nacional de cereais.
“Primeiramente têm de haver subsídios para quem produz, subsidiando o produto final a fim de haver ração disponível a preços que comportem competitividade nas fileiras de produção de ovos e carne, subsídios de combustíveis baixando o custo de produção em mais de 30 por cento”, justifica.
Defende igualmente a electrificação das fazendas, melhorias da rede viária, que contribuirão para baixar o custo de logística, além de benefícios fiscais e acesso a créditos bancários e seguros agrícolas.
“Com essas premissas, será possível criar uma agricultura forte e competitiva, havendo soberania na alimentação do país, aumento da empregabilidade e acima de tudo havendo riqueza interna, podendo o sector ter uma importância significativa e esperada na balança comercial de Angola”, augura.