As quatro maiores cidades de Angola em termos de habitantes, designadamente Luanda, Huambo, Benguela e Lubango (Huíla), são as que também apresentam um alto índice de venda ambulante. Nestas, a juventude na sua maioria opta por contornar a ausência de postos de trabalho formais com o recurso à venda informal.
Em Luanda, por se tratar da capital do país, a exposição dos ambulantes chega a comprometer a organização da cidade. O trânsito automóvel, os pontos oficiais de venda de bens e serviços e outros agentes formalizados todos sentem-se prejudicados face à existência de vendedores que pouco ou nada contribuem para as receitas do Estado.
Ao que ouve já há um plano elaborado para, em breve, retirar-se da informalidade o “exército” de vendedores ambulantes, que pelas ruas de Luanda deambulam de local em local.
Os cidadãos também têm opinião sobre esse cenário e convergem todos na ideia de mais do que combater a venda informal, o desafio do Estado é conseguir trazer à formalidade todos estes que praticam deste ofício o seu ganha-pão.
Para o informático Lima Gomes, é preciso perceber que toda e qualquer política não terá sucesso se não for realista. Por esta razão, “espero que haja condições para continuar a baixar o índice da economia informal. Hoje, em vários países do mundo, o índice de informalidade é um levantamento importante, pois ajuda a perceber sobre a formulação e direcção das políticas económicas e até que ponto os agentes económicos estão perante a uma economia informal”.
Ernesto Chimbiambiulo, por sua vez, é de opinião que a medida de identificar os vendedores ambulantes é óptima, pois vai permitir que estes actuem em locais específicos e possam exercer a sua actividade à luz das normas e regulamento do comércio.
Já o técnico de manutenção Carlos Jõao avançou ser uma medida válida, mas que antes sejam mesmo criadas as condições necessárias para esses vendedores ambulantes, uma vez não existirem espaços suficientes para todos eles nos mercados. “As cidades têm normas e devem ser cumpridas pelos seus munícipes e todos que cumprem as regras estabelecidas merecem o devido respeito”.
O administrativo Luís Alexandrino disse ser preciso uma acção massiva de aconselhamento aos vendedores de modo a definirem as horas e locais de vendas, pois nos últimos tempos vêem-se pessoas a vender das oito da manhã às 22 horas, em passeios, carros, motorizadas etc etc.
A assistente de vendas Esperança Ribeiro entende que a formalização é uma boa medida. Vai melhorar a vida de muitos cidadãos e dar outro ar de organização à cidade. Lembra que os vendedores de ruas correm riscos de vidas. “Apesar da situação ter-se agravado com a crise económica e financeira, é possível encontrarmos outras vias de garantir o sustento e a venda sem comprometer nada nem ninguém”.
Outro citadino Wilson Domingos, professor, diz que o Estado ao pretender legalizar todos os vendedores ambulantes cumpre seu papel social e também económico, pois os informais sujam e até danificam o património público sem contribuir directamente para a receita pública. “Um controlo mais cerrado vai também dar dignidade aos vendedores e aos moradores desta cidade”.