O preço do barril do petróleo no mercado de futuros de Londres, está esta semana em alta, superando barreiras de há meses. Depois de ter chegado, pela primeira vez, este ano, aos 66 dólares, ontem as negociações das encomendas para Abril cotaram-se em usd 67,18 o barril.
Esta fasquia fica mais próxima da previsão orçamental de Angola, que é de 68 dólares por barril. Ainda assim, as mais recentes previsões dos mercados internacionais sobre o petróleo apontam, entre 2019-2022, para um preço de 55 dólares o barril da referência de Angola, o Brent, de acordo com um estudo de mercado da Standard & Poor’s.
Esta opinião dos especialistas da agência financeira, retomada nas perspectivas semanais sobre os mercados, efectuadas pela área de estudos e análise de mercado do Banco de Fomento Angola (BFA), reforçam o sentimento, quase que unânime, de uma eventual revisão para breve do OGE em curso, porquanto nele o barril levou como referência o preço de 68 dólares.
Contudo, nem mesmo estas visões mais pessimistas sobre os mercados retiraram os estímulos aos preços do Brent com as medidas de mercado dos produtores, pois, na terça-feira desta semana, as entregas para o mês de Abril foram negociadas nos 66,45 dólares.
Na última sexta-feira, os contratos futuros do Brent, que é a referência das exportações de Angola, operaram em alta, ao atingirem o preço mais alto deste ano que já leva 52 dias. As explicações dos especialistas coincidem e vão ao encontro da medida de corte na oferta empreendido pela Opep, fundamentalmente pela Arábia Saudita, como sendo a principal razão do estímulo aos investidores.
O Brent subia 0,38 dólar, 0,59 por cento, a 64,95 dólares por barril. No pregão do dia, os preços dispararam para acima dos 65 dólares, situação verificada neste ano pela primeira vez.
Medidas da Opep
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados de fora do grupo, liderados pela Rússia, iniciaram, a 1 de Janeiro, com cortes voluntários de produção, com o objectivo de deixar o mercado com menos oferta e, assim, fazer subir a procura, condição necessária para lançar para cima os preços.
A Arábia Saudita, líder do cartel Opep, já garantiu que corta mais de meio milhão de barris por dia (bpd) em Março. No seguimento dessa decisão fechou um dos seus maiores campos petrolíferos cuja capacidade de produção é de mais de 1 milhão de bpd.
A Arábia Saudita, por seu lado, informou possuir, em 2004,264 biliões de barris de reservas comprovadas em 2005. Em 2014 tais reservas estavam fixadas em 267 biliões de barris. Por essa razão, o “stock” comprovado da Arábia Saudita, de 16 por cento do total global, pode ser considerado como o mais importante para o mercado mundial da commodity.
Em preparação para uma possível IPO (abertura de capital em bolsa), a companhia nacional de petróleo saudita, a Saudi Aramco, encomendou uma auditoria externa independente às suas reservas comprovadas, e descobriu que um “stock” petrolífero de pelo menos 270 biliões de barris.
Já a Venezuela possui, oficialmente, as maiores reservas de petróleo do mundo, com 303 biliões de barris comprovados. Mas, muito desse petróleo é extra-pesado, tipo que pode não ser economicamente viável se considerarmos os preços actuais. Assim, uma parte dos barris do país da América Latina pode, na realidade, não estar mais na categoria de “reservas comprovadas”.
A “Forbes” considera que o “stock” comprovado da Venezuela saltou de 80 para 300 biliões de barris, isto de 2005 para 2014.
Sem terem tido novas descobertas, dizem os estudiosos, foram os preços da commodity que atingiram três dígitos (acima de 100 dólares) que tornaram a produção de petróleo economicamente interessante.* Com Agências

Reservas angolanas estão por definir
a sua reserva estratégica de petróleo, como reserva de segurança, em termos de quantidade e tempo de armazenamento.
Tendo em conta esta realidade, o Instituto Regulador de Derivados do Petróleo (IRDP), disse recentemente, estar a trabalhar com os operadores do sector petrolífero para definir qual será a reserva de segurança a ser definida como reserva estratégica.
Actualmente, a Sonangol trabalha com um tempo de 15 dias de reservas, mas a determinação do horizonte temporal carece de nova definição.
Os dados disponibilizados pela Sonangol Logística dão conta de uma capacidade de armazenamento flutuante (no mar) de combustíveis de 335 mil metros cúbicos, correspondente a 48,3 por cento, e 358 mil e 511 mil metros cúbicos em terra (51,7)  de todos produtos.