O acesso ao crédito automóvel nos bancos comerciais no mercado nacional continua difícil desde que se instalou a crise económica em 2014 e, sobretudo, devido às novas medidas macroprudenciais tomadas pelos decisores económicos, no que toca às exigências com os clientes.
Quem por exemplo pede dinheiro a um banco para comprar uma viatura, tem encontrado dificuldades de reembolso em função da crise. Por isso, alguns bancos desistiram de conceder crédito e os que o fazem não concedem na totalidade o pagamento da viatura, aplicando taxas de juro que encarecem o preço do carro.
Em função disso, os clientes  recorrem às concessionárias de viaturas para intermediarem as negociações com os bancos comerciais e encontrarem um meio termo.
Para alguns, esta modalidade pode dar certo, mas as exigências, que quer os bancos quer as concessionárias fazem, afugentam os potenciais interessados.
Com a crise financeira esta prática tornou-se ainda mais difícil, pois até os dois bancos públicos (BPC e BCI)deixaram de conceder crédito automóvel.
Há cerca de quatro anos o BPC anunciou a suspensão temporária dos serviços de crédito a particulares e a empresas que prevalece até o momento.
O Banco de Comércio e Indústria (BCI) também parou de conceder crédito por força de insolvência.
Assim, para quem se dirige a um balcão, a informação disponível é que, face à actual conjuntura económica, a instituição decidiu fazer um reajuste no sistema de empréstimos, mas poderá retomar em breve.
Apesar do recuo destes dois gigantes da banca (BPC e BCI), ainda é possível pedir empréstimo em alguns bancos privados para a compra de um automóvel.
Bancos como BFA, Millennium Atlântico, BIC, Sol e BAI mantêm firme a disponibilidade de crédito automóvel, desde que se tenha os salários domiciliados num desses bancos e que seja numa concessionária devidamente reconhecida pela operadora.
Há ligeiras diferenças entre as taxas de juro cobradas. Por exemplo, o BFA paga ao veículo que custa 6 milhões de kwanzas 90 por cento, o de 10 milhões 80 por cento e o acima de 10 milhões de kwanzas 70 por cento, ao passo que o banco BIC paga ao valor do veículo de kz 10 milhões para particulares 90 por cento da viatura e para empresas 85 por cento.
Já no banco Sol, o financiamento pode ir até 80 por cento do valor total do automóvel, dependendo da necessidade de cada cliente, com uma taxa fixa de 10 por cento.
O financiamento automóvel do Banco Angolano de Investimento (BAI), vai até 65 por cento do valor da viatura, e a taxa de esforço não pode ser superior a 35 por cento.
O crédito automóvel BAI destina-se à aquisição de veículos novos comercializados por concessionárias autorizadas pelo Ministério dos Transportes.
Mas advertem que, o veículo é propriedade do cliente com reserva de propriedade a favor do banco enquanto existirem prestações ou rendas a amortizar.
Por último temos o banco Millennium Atlântico (BMA) que financia 60 por cento do valor do veículo.
De acordo com um trabalhador bancário que não queria ser identificado, hoje os bancos estão mais cautelosos em dar financiamento e, normalmente, estão a exigir entre 10 e 20 por cento do valor do automóvel como entrada.
Quando o banco financia um carro sem qualquer entrada, o risco para o banco aumenta muito. E tem uma desvalorização natural e passa a valer menos do que o financiamento” disse a fonte.

Como chegar ao empréstimo

O interessado deve ter uma conta e o salário domiciliado no banco em que é solicitado. Tem de apresentar um conjunto de documentos:

•Factura pró-forma da viatura (adquirida numa concessionária bem identificada)

•Carta dirigida ao banco (em que consta o valor desejado e o período de reembolso)

•Declaração de serviço (regime contratual, função que exerce e salário-base)

•Cópia do B.I e do cartão de contribuinte
•Três últimos recibos de salário

•Um avalista, para alguns bancos, que deve, por norma, ser cliente do mesmo banco.

Depois de reunir a documentação toda, o requerente deve dirigir-se a uma dependência e fazer a entrega.
O banco, por sua vez, analisa e determina a entrega ou não do empréstimo.

Algumas prestações mensais
no pagamento do creédito

BNI
Prazo: De 36 a 60 meses
Valor mínimo: 30 por cento
Valor máximo: 85 por cento
Taxa De 16,16 por cento A.A.
Como aderir:
Envie-nos um pedido através do FORMULÁRIO DE CONTACTO.

BAI
Valor do Automóvel: 15.000.000 kz
Maturidade (meses) 12 - 36 meses
Taxa de esforço (35%)

BANCO BFA

Condições de contratação:
*Taxa de esforço máxima
de(35%)
*Prazo: até 5 anos (60 meses)
*Montante de financiamento:
 - Valor do veículo até 6.000.000 kz – até (90%) do valor da factura pró-forma;
  - Valor do veículo entre 6.000.000 kz e 10.000.000 kz – até (80%) do valor da factura pró-forma;
  - Valor do veículo superior a 10.000.000 kz – até (70%) do valor da factura pró-forma.
*Deverá ser contratado Seguro de Vida e Seguro Automóvel
*Avalista

BANCO BIC
Prazo de Financiamento:
•  Particulares - Até 5 anos (60 meses).
•  Empresas - Até 3 anos (36 meses).
Montante de Financiamento:
Máximo: kz 10.000.000,00*
Até (90%) do valor da viatura para Particulares;
Até (85%) do valor da viatura para Empresas.
*Montantes superiores, a serem analisados casualmente.

BANCO SOL
Financiamento até (80%) do valor total, com uma taxa fixa de 10
• Ter o salário domiciliado no Banco
• Um avalista.
• Factura pró-forma do valor do carro.
• Reserva de propriedade a favor do Banco.

BANCO BCGA
Ser titular de conta no banco há mais de 6 meses:
Financiamento até 90% do valor
• Taxa de esforço máxima de 40%.