Já vai algum tempo desde que o salário perdeu o poder de compra face as diversos oscilações que o mercado tem vindo a sofrer, provocado, sobretudo, pela crise económica, aliado a factores de dependência externas dos produtos alimentares.
A desvalorização da produção nacional, o recurso à importação, a ineficácia na implementação de políticas de escoamento dos produtos do campo para as cidades estão também na base do elevado custo de vida que o consumidor vive.
Segundo o economista Moisés Cambudo, se se mantiver o ritmo actual, e não for incentivada a produção nacional o custo de vida continuará a ser pesado.
Contudo, reconhece que algumas medidas económicas adoptadas pelo Comité de Política Monetária do BNA, que definem os limites mínimo e máximo da banda cambial pode assegurar a descontinuidade do equilibrio dos bens no mercado.
Por isso, a produção interna continua ser o “leme” para salvar a vida do consumidor, aliado a valorização da produção interna, o escoamento do alimento do campo para cidade, são outros factores de grande valência para a valorização da remuneração.
A estudante do 4º ano da faculdade de economia, Noemia Cori, defende aplicação de princípios que protejam a produção nacional e reduzir em grande escala às importações.
“É necessário valorizar a produção interna, o problema reside no facto dos alimentos estragar-se no campo, não chegam às cidades e a preferência cai para os produtos importados. Todos os dias assistimos os camponeses e empresários agrícolas a reclamarem que a produção está a estragar nos campo, e isso é muito mau”, frisou.
Apesar dos preços estarem ligeiramente a reduzir, se comparados com os últimos meses do ano passado, ainda são considerados altos para cobrir às necessidades primárias do cidadão.

Mercado paralelo
Face a situação prevalecente o JE, percorreu alguns mercados da cidade de Luanda, onde pode notar que houve uma ligeira baixa do preço dos alimentos.
Por exemplo, um saco de arroz de 25 quilogramas custa actualmente 5 mil 200 kwanzas, um saco de açucar refinado de 50 quilogramas está cotado agora em 8 mil 300 kwanzas, enquanto metade deste está ser comercializado em 4 mil e 250 kwanzas.
Um saco de farinha trigo de 50 quilogramas está ser vendida no valor de 7 mil kwanzas e de 25 quilogramas custa uma média de 4 mil e 800 kwanzas e uma caixa de óleo 4 mil e 700 kwanzas.
Já um bidão de óleo de 5 litros está ser comercializado a 5 mil 700 kwanzas, a caixa de massa esparguete a 2 mil 50 kwanzas, caixa de franco custa 6 mil kwanzas.
Uma mala de peixe carapau congelado de 10 quilogramas, está ser vendida ao preço de 20 mil kwanzas e a caixa de peixe de caxuxu custa 25 mil kwanzas.
Já 10 quilogramas de batata rena custam 10 mil kwanzas, um balde de cebola de aproximadamente 5 quilogramas custa 2 mil e 500 kwanzas, o cartão de ovos custa mil e 300 kwanzas. o saco de leite de 10 quilos custa 15 mil kwanzas.
Na impossibilidade de comprar alimentos por grosso, alguns consumidores compram a retalho, sob risco de passar maus dias alimentares em pouco tempo, devido a pouca cultura de poupança.

Consumidores
No mercado várias pessoas entrecruzam-se na entrada dos armazéns e lojas para compra dos alimentos da cesta básica. A reclamação dado o elevado custo dos produtos é ouvido amiúde.
José Franzino acompanhado da esposa entram numa loja, e os preços desencoraja-lhes, ficam pela intenção e preferem irem comprar alimentos a retalho.

O paradoxo do petróleo
no mercado interno

Apesar das estatísticas apontarem para um abrandamento de preços de alguns bens de consumo, em algumas províncias do país, os preços continuam a disparar, mesmo com a subida do preço de petróleo no mercado mundial.
Segundo os cálculos feitos pelo JE, em Outubro de 2017, quando o petróleo estava cotado a 56, 18 dólares por barril, os preços dos principais produtos que compõe a sesta básica estavam mais baixo do que é actualmente, onde o quilo de arroz era comercializado a 205 kwanzas, o de feijão a 645 kwanzas, o frango a 545 kwanzas, a lata de leite em pó a 4.500, o pacote de massa alimentar a 150 e o litro de óleo maná era vendido a 420 kwanzas.
Agora, com a subida do preço do crude, há já alguns meses ( a 79.25 dólares por barril), os preços dos produtos básicos continuam a subir diariamente, quando comparado com o mesmo período do ano de 2017. O normal seria descer, pois o petróleo constitui a nossa principal fonte de divisas e uma subida no preço pressupõe sempre a entra de mais dinheiro para o país e consequentemente a um aumento de volume nas importações e de investimento privado no pais.
Hoje porém, nota-se o contrário, pois o quilo de açúcar está a custar agora, no mercado formal, 250 kwanzas, o de arroz a 330 kwanzas, o feijão a 562, a lata de leite em pó a 4870 kwanzas, a massa alimentar a 190 kwanzas o pacote, o litro o óleo maná a 340 kwanzas.
No último relatório de inflação publicado pelo BPI referente o mês de Agosto, vem expresso que as políticas fiscais e monetárias ora implementadas, só poderão surtir efeitos nos próximos três meses em função dos novos investimentos feitos pelo Executivo e de novas medidas que estão a ser aplicadas pelo Banco Nacional de Angola no mercado cambial.