O economista e docente Paulo Ringote admite que o Governo angolano entra, definitivamente, em 2019 com a sua confiança em alta junto dos parceiros e credores internacionais.
“A premiação de Angola, pela GFC de Londres por ter colocado com sucesso instrumentos de divida soberana nos mercados internacionais (operação Palanca 2), representa como que, o coroar e o êxito da gestão macroeconómica empreendida pelo Executivo, pois que, se credito significa confiança entre as partes envolvidas na transação”, disse.
Para ele, também director do Instituto de Formação de Finanças Públicas (INFORFIP), pelo facto de esta emissão incluir instrumentos de divida de muito longa maturidade (30 anos), expressa ainda mais a confiança dos credores (comunidade financeira internacional) possuem sobre a economia e o executivo angolano, uma vez que, certos de que, avaliados todos os elementos de risco. Os credores concluíram que os riscos eram reduzidos dando assim nota positiva ao Outlook da economia e ao executivo angolano.
“A mais recente emissão de dívida soberana do Estado angolano nos mercados internacionais, feita em Londres, e que foi premiada naquela praça financeira como a melhor deste ano é um justo prémio à diplomacia económica do presidente João Lourenço”.
Paulo Ringote diz, partindo do que nestas lides não se fazem favores, e que, existe alguma racionalidade nos mercados, a confiança depositada à economia angolana, concorrerá não só para a aceitação de novas emissões de eurobonds, mas também para o fortalecimento das expectativas existentes sobre a gestão económica em geral, criando assim condições para um bom relacionamento com os mercados em geral, com impactos positivos sobre o nosso processo de desenvolvimento.
Conforme justifica, nas praças internacionais a confiança é um capital de extremo valor financeiro, por isso os testes de “stress” dos mercados são cada vez mais valorizados.

Operação Palanca 2
De acordo com a nota do Ministério das Finanças a que o JE teve acesso, a operação Palanca 2, que designa a segunda emissão de Eurobonds levada a cabo pelo Estado Angolano nos mercados financeiros internacionais, realizada em Maio, captou recursos na ordem dos usd 3,5 mil milhões (1,08 bilião de kwanzas).
“A primeira parcela, com maturidade de 10 anos e com um valor nominal de 1.750 milhões (kz 543 mil milhões) foi emitida com uma taxa de juros do cupão fixada em 8,25 por cento. A segunda parcela, com maturidade de 30 anos e com um valor nominal de usd 1.250 milhões (kz 388 mil milhões) ocorreu com uma taxa de juros do cupão fixada em 9,375”, lê-se.
O documento diz ainda que em Julho, face à grande procura registada, Angola usou a prerrogativa de reabrir esta emissão, e de modo complementar, captou usd 520 milhões (kz 161 mil milhões), inscritos na parcela cuja maturidade se estende até 2048.
Em Março de 2019 será entregue o galardão, durante um evento a ter lugar em Londres, e é uma iniciativa da GFC, um grupo internacional especializado em informação financeira.

Plano estratégico no combate à corrupção e ao branqueamento

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, afirmou esta semana, em Luanda, que as acções contra a corrupção e o branqueamento de capitais terão maior intervenção das instituições que combatem esses males.
Para o governante, que falava no seminário de capacitação sobre o combate aos crimes de corrupção e branqueamento de capitais, citado pela Angop, a actuação terá como foco os valores da transparência, lealdade e rigor.
Francisco Queiroz considerou natural o cepticismo que “ainda mora” na consciência de muitos, relativamente ao combate à corrupção.
Para se alcançar as metas estabelecidas no combate contra esse mal, o titular da pasta dos Direitos Humanos considerou imperioso que se capacitem os operadores de toda a máquina estatal.
A intenção é a de torná-los cada vez mais aptos para contribuir ao que chamou “causa comum”, numa alusão à prevenção e ao combate à corrupção.
Na ocasião, Francisco Queiroz referiu que o Ministério da Justiça desenvolve uma campanha de moralização da sociedade, assente na prevenção, monitorização e responsabilização. Essa acção visa conduzir ao saneamento do ambiente em que trabalham os funcionários da justiça.
O seminário de capacitação sobre o combate aos crimes de corrupção e branqueamento de capitais envolve quadros das 18 províncias do país e especialistas estrangeiros.
O evento se enquadra no Dia Internacional de Combate Contra a Corrupção, assinalado no domingo (9). Com duração de seis dias, o seminário decorre sob o lema “Corrupção – Um combate de todos para todos”.
Durante a acção formativa, foi apresentado o Plano Estratégico de Prevenção e Combate à Corrupção da Procuradoria – Geral da República (PGR), para o período 2018/2022, que deve ser implementado em 2019.
O referido Plano Estratégico de Prevenção e Combate à Corrupção prevê incrementar a investigação de casos de corrupção e conexos denunciados, visando a condenação efectiva dos infractores.