A aquicultura em África representa uma solução prática ao desafio de fornecer 40 milhões de toneladas adicionais de peixe por ano, que serão necessárias para satisfazer a procura global até 2030.

De acordo com o director do Instituto de Desenvolvimento Artesanal e da Aquicultura, Nkosi Luyeye, o país viveu cerca de três décadas de conflito armado, que não permitiram, igualmente, o exercício da actividade pesqueira nas águas continentais.

As “contribuições valiosas” dos países membros da organização têm  enriquecido aspectos que constituem a base das directrizes para a estratégia  do desenvolvimento da aquicultura sustentável da região.

Para o responsável, esta estratégia tem como objectivo o aumento e a contribuição da aquicultura para o crescimento económico regional,  bem como  a promoção do comércio dentro e fora da região da SADC.

Recorrendo aos dados por si avançados, admite-se que os stocks naturais de peixe continuaram a diminuir, enquanto a população tende a crescer. Por esta razão, a aquicultura constitui uma forma  efectiva  de gerar alimentos e rendimentos em espaços, cada vez mais escassos.

Maior crescimento
A piscicultura é actualmente o sector alimentar  com  maior crescimento a nível mundial contribuindo assim  para o sustento de  250 milhões de pessoas.

Em 1980, apenas  nove por cento de peixe eram provenientes da aquicultura. Hoje, esse número eleva-se para 44 por cento, onde  África contribui  com uma proporção negligenciável da produção global de 0,16 por cento.

Para Nkosi Luyeye, em alguns países da comunidade austral já acontece a prática da aquicultura e, uma vez estabelecida a estratégia, todos os Estados membros poderão “aproveitar o potencial existente em recursos naturais e explorá-los de forma sustentável”, praticando uma produção que garanta a segurança alimentar, a redução da pobreza, a criação de empregos e a renda para as populações.

Outras iniciativas e custos
A iniciativa dirigida  pela Word Fish Center utilizou tecnologias  de integração entre a agricultura e a aquicultura, baseadas nos subprodutos da exploração, visando um maior impulsionamento à produção de peixe.
Após cinco anos, 870 viveiros estavam a produzir 14.4 toneladas por ano.

Os altos preços dos alimentos observados desde 2007 tiveram um impacto devastador sobre a população pobre da zonas rurais. Declínios recentes em preços dos mercados mundiais ainda não foram sentidos nas praças africanos, onde os preços em média são muito mais altos em relação aos níveis antes 2008.

A crise dos preços de alimentos e a contínua volatilidade de preços no mercado internacional trouxeram à tona a necessidade de desenvolver estratégias para ajudar os países a atenuarem o impacto de choques externos.

Além de repensar estratégias e políticas de segurança alimentar, sobretudo, nas áreas  de mercado e comércio onde há uma ampla  variedade de instrumentos (geridos pelo Governo e baseados no mercado), que podem ser usados para reduzir o risco ligado à volatilidade  de preços.

Um relatório da FAO, intitulado “guiding principles for promoting aquaculture in África”, onde estão fixados os princípios  orientadores para  promoção da aquicultura em África afirma, igualmente, que existe uma  clara necessidade de adoptar-se  uma abordagem mais  comercial para a aquicultura.

Resultados
Até ao momento, os resultados  de campos indicam que a boa gestão dos recursos pode impulsionar rendimentos de até 400 por cento em países como Camarões, Madagáscar, Malawi e  Tanzânia.

Em muitos países, políticas de privatização e descentralização fornecem incentivos para os investimentos mais elevados à medida que crescem os mercados  domésticos, particularizando as áreas urbanas que se tornam  mais acessíveis  ao comércio e expansão da actividade.